27 de agosto de 2026

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Juros Altos Afetam o Bolso, o Prato e a Saúde

Economia 27/08/2026 10:26 Adriana Stavro - Nutricionista

Como a alta taxa Selic encarece crédito, as famílias reduzem lazer e alimentação, o que impacta a saúde e a qualidade de vida.

Juros Altos Não Pesam Apenas No Bolso. Pesam No Prato E Na Saúde.

Com o crédito mais caro, o endividamento e o custo de vida elevado, as famílias reduzem o lazer e reorganizam as compras de alimentos, o que pode comprometer a diversidade alimentar, o sono e a saúde mental.

Em agosto de 2026, o Comitê de Política Monetária reduziu a taxa Selic para 14% ao ano. Apesar da redução, os juros permanecem elevados e continuam afetando o custo do crédito, o pagamento das dívidas e o orçamento disponível das famílias.

A discussão sobre juros costuma ficar restrita à economia. No entanto, seus efeitos também chegam ao supermercado, ao prato e aos consultórios.

Quando uma parcela maior da renda é destinada ao pagamento de dívidas, juros e despesas essenciais, as famílias precisam reorganizar o orçamento. O lazer e a alimentação frequentemente estão entre os primeiros itens a sofrer cortes.

Encontros com amigos, cinema, teatro e outras formas de convivência social tornam-se menos frequentes. No supermercado, a redução do orçamento pode diminuir a variedade das refeições e limitar a compra de frutas, verduras, legumes e diferentes fontes de proteína, como carnes, peixes e ovos.

Isso não deve ser interpretado simplesmente como falta de conhecimento ou de força de vontade.

Não existe escolha alimentar verdadeiramente livre quando o orçamento não oferece escolhas. Muitas vezes, a pessoa sabe o que deveria consumir, mas não possui condições financeiras para colocar essa orientação em prática.

Para fazer a conta fechar, as famílias passam a priorizar alimentos mais acessíveis, como arroz, feijão, macarrão, batata e farinha.

Arroz e feijão formam uma combinação nutritiva e culturalmente importante. O problema não está nesses alimentos, mas na possível redução da diversidade alimentar, na menor presença de frutas, hortaliças e diferentes fontes proteicas e, em alguns casos, na maior dependência de produtos ultraprocessados de menor custo e alta densidade energética.

O endividamento também pode afetar o sono e a saúde mental.

O impacto não se limita ao conteúdo do prato. Evidências científicas associam dificuldades financeiras e endividamento a níveis mais elevados de estresse, ansiedade, sintomas depressivos e pior percepção da própria saúde.

A preocupação constante com contas e dívidas também pode prejudicar o sono. Dormir mal interfere na regulação da fome e da saciedade, nas escolhas alimentares e na disposição para cozinhar e praticar atividade física.

Como a situação financeira influencia a alimentação e a saúde

Dificuldades econômicas geram um ciclo de estresse, que pode levar a escolhas menos saudáveis, menor qualidade do sono e pior desempenho na gestão do dia a dia, incluindo as refeições.

É essencial promover políticas públicas que facilitem o acesso a alimentos saudáveis, além de oferecer suporte financeiro e educação sobre finanças pessoais para reduzir impactos na saúde.

Investimentos em educação alimentar, planejamento de cardápios e acesso a produtos frescos podem ajudar famílias a manter uma alimentação equilibrada mesmo com orçamento apertado.

O tema envolve, ainda, prevenção de doenças não transmissíveis, como obesidade, diabetes e hipertensão, que podem piorar com escolhas alimentares limitadas e estresse crônico.

  • Alta taxa de juros impacta gastos com dívidas e compras de alimento.
  • Redução do lazer pode afetar bem-estar social e emocional.
  • A dieta pode ficar menos variada por restrições orçamentárias.
  • Estresse financeiro está ligado a pior qualidade de sono e saúde mental.
  • Medidas de apoio econômico e educação alimentar podem mitigar impactos.