25 de agosto de 2026

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Juros altos sufocam varejo e aumentam pedidos de recuperação judicial, alerta entidade

Economia Varejo 25/08/2026 16:19 Assessoria de imprensa (TG Comunica)

Custo elevado do crédito pressiona varejistas de todos os portes, encarecendo recursos para estoques, fornecedores e financiamento ao consumidor, segundo a Conaje.

O custo elevado do crédito pressiona varejistas de diferentes portes porque encarece os recursos usados para manter estoques, pagar fornecedores e financiar as compras dos clientes, segundo a Confederação Nacional de Jovens Empresários (Conaje). O pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia, protocolado em 16 de agosto na Justiça de São Paulo com R$17,3 bilhões em dívidas, citou os juros altos, a restrição de crédito, o aumento do custo financeiro e a pressão sobre o consumo como fatores que deterioraram as condições do grupo. Para a Conaje, o episódio mostra que essas dificuldades alcançam o varejo como um todo, não apenas as grandes redes.

Levantamento do Monitor RGF mostra que o número de varejistas em recuperação judicial passou de 819 para 986 entre junho de 2025 e junho de 2026, uma alta de 20,4%. As empresas de médio porte representam 50,6% dos casos, enquanto micro e pequenos negócios somam 44,3%. Apesar do crescimento, o índice geral ainda é menor do que a média nacional de empresas em recuperação.

Para o presidente da Conaje, Fábio Saraiva, o crédito caro afeta diretamente o capital de giro das empresas. Muitos pequenos negócios recorrem a recursos próprios ou a linhas alternativas, o que aumenta a pressão financeira. Quando o crédito encarece, sobra menos espaço para manter estoques, negociar com fornecedores e sustentar as vendas, afirma.

Impacto nos juros e no consumo

  • A taxa básica de juros (Selic) foi reduzida para 14% ao ano em agosto, mas continua em patamar elevado.
  • Em junho, o custo médio do crédito livre para empresas chegou a 24% ao ano e, para famílias, a 64% ao ano, segundo o Banco Central.
  • Crédito livre é aquele em que as condições, como juros, prazos e garantias, são negociadas diretamente entre o banco e o cliente.

O presidente da Conaje, Fábio Saraiva, afirma que o impacto atinge também o consumidor, que fica mais cauteloso na hora de assumir compromissos. Não é só a empresa que paga mais caro. O consumidor pensa duas vezes antes de fazer uma compra parcelada. Quando os dois lados sentem o aperto, o varejo sofre nas vendas, explica.

Além do crédito mais caro, a confiança do consumidor também caiu. O Índice de Confiança do Consumidor recuou para 84,7 pontos em agosto, e a intenção de compra de bens de maior valor, como móveis e eletrodomésticos, teve queda expressiva. Isso indica que as famílias estão mais cautelosas e evitando novas dívidas de longo prazo.

A Conaje defende que sejam criadas linhas de crédito específicas para pequenos e médios varejistas, com condições mais acessíveis, além de políticas públicas que estimulem o consumo e a sustentabilidade financeira dos negócios. Enquanto isso, especialistas recomendam que empresas revisem contratos, renegociem prazos e busquem alternativas para reduzir custos e melhorar o fluxo de caixa.