O país combina infraestrutura como Pix e Open Finance, consumidores digitalizados e bancos que investem muito em tecnologia, mas ainda precisa integrar tudo para usar a inteligência artificial de forma completa.
O Brasil pode não ser o melhor em criar os maiores modelos de inteligência artificial, mas tem condições incríveis para liderar a aplicação de IA nas finanças. O país tem pagamentos instantâneos em grande escala, regras para compartilhar dados, pessoas acostumadas a usar celular para operações bancárias e bancos com muito dinheiro para investir.
Há mais de 20 anos, o Brasil é um laboratório mundial de infraestrutura financeira. A vantagem não é só usar inteligência artificial, mas ter uma base onde agentes podem acessar informações, fazer processos e mover dinheiro em tempo real, seguindo regras de segurança e governança.
- O Pix já é usado por 80% da população do Brasil.
- O Open Finance brasileiro é considerado o maior do mundo.
- 83% das transações bancárias são feitas no celular.
- Bancos vão gastar R$ 50 bilhões em tecnologia em 2026.
- Só 20% dos bancos usam IA em grande escala.
O Pix é a parte mais visível dessa base. Segundo o Banco Central, mais de 170 milhões de pessoas usam o sistema, ou seja, cerca de 80% da população. Só em maio de 2026, os brasileiros fizeram mais de 7 bilhões de transações.
Esse volume ajuda a criar serviços financeiros espertos. Bancos e fintechs fazem milhões de pagamentos, transferências e interações digitais todos os dias. Se essas informações forem usadas com regras de permissão e proteção, a IA pode achar fraudes, oferecer serviços personalizados, avaliar riscos e prever necessidades.
O Open Finance dá mais uma vantagem. Ele deixa os clientes permitirem que bancos diferentes compartilhem informações, diminuindo a dependência de um só banco. O Banco de Compensações Internacionais já diz que o modelo brasileiro é o maior do mundo em alcance e número de participantes.
Para a IA financeira, isso faz diferença. Se o sistema só conhece o que acontece dentro de um banco, ele tem uma visão incompleta. Com dados de várias contas, cartões, empréstimos e investimentos, ele pode fazer análises mais completas e ajudar a tomar decisões melhores para cada cliente.
O jeito como as pessoas usam banco também ajuda. A pesquisa da Febraban mostra que 83% das transações já são feitas pelo celular ou internet. Em 2025, o mobile banking teve 187,5 bilhões de operações, crescendo 169% em cinco anos.
Isso criou um povo acostumado a transferências na hora, serviços sempre disponíveis e respostas rápidas. Quem manda dinheiro em segundos não quer esperar dias por crédito ou resolver problemas. Essa cobrança força os bancos a fazerem tudo ser rápido, como o Pix.
Ser líder vai depender de conseguir colocar tudo em prática.
Os bancos têm dinheiro para pagar a mudança. A Febraban acha que os bancos vão gastar R$ 50,4 bilhões em tecnologia em 2026, 58% a mais em cinco anos. Em 2025, investimento em IA subiu 39%, chegando a R$ 826 milhões.
As fintechs também estão nessa. A pesquisa da PwC diz que 62% delas já usam IA de verdade. E 96% querem aumentar o uso nos próximos dois anos, o maior número já registrado.
Mas ter dinheiro e usar não garante liderança. Cerca de 60% dos bancos ainda estão no começo no uso de IA. Só 20% dizem que usam muito para melhorar o atendimento. Ou seja, temos as peças, mas ainda não as ligamos.
Para a IA do futuro, será preciso ter uma estrutura com partes modulares, controle e segurança juntos. Sem isso, os bancos ficam com ferramentas separadas, que dão sugestões, mas não conseguem fazer todo o processo.
Num empréstimo, vários 'robôs' podem verificar quem é a pessoa, olhar dados, analisar risco, achar fraude, preparar proposta e fechar o contrato. Em seguros, podem cuidar desde o orçamento até o sinistro. A diferença é quando todos trabalham juntos no mesmo fluxo.
A governança vai ser muito importante. Os robôs que decidem crédito, pagamentos ou investimentos precisam seguir regras, registrar o que usaram e mandar casos difíceis para pessoas revisarem. Poder explicar cada decisão é tão importante quanto a velocidade.
O Brasil também tem um plano do governo para IA. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial vai investir R$ 23 bilhões até 2028, em infraestrutura, formação, inovação e serviços públicos.
Então, a liderança não está garantida. Sistemas velhos, dados espalhados, falta de especialistas e problemas de governança podem atrasar. Mas poucos países têm pagamentos instantâneos, Open Finance, bancos fortes, muitas fintechs e clientes tão digitalizados.
O Brasil já construiu as estradas para a IA financeira. Agora o desafio é ligar dados, robôs e processos com segurança. Se conseguir fazer isso, o país não vai só seguir o mundo, mas pode definir como a IA vai funcionar nas finanças.

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