Recuperar equipamentos parados evita gastos e melhora o caixa das empresas
A logística de equipamentos está se tornando importante nas finanças das empresas. No Brasil, os custos com logística chegaram a R$ 1,96 trilhão em 2025, o que representa 15,5% do PIB, segundo o Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS). Recuperar equipamentos parados e colocá-los de volta em uso virou uma forma de evitar novas compras e manter dinheiro no caixa.
Segundo Henrique Russo, especialista em logística reversa e head comercial da PostalGow, o impacto aparece quando a empresa começa a pensar não só no custo para movimentar os equipamentos, mas também no valor que pode recuperar. Ele explica: "Quando a empresa recupera equipamentos, coloca de volta em uso e evita compras desnecessárias, ela economiza dinheiro e mantém mais capital no caixa."
- O custo logístico no Brasil é de R$ 1,96 trilhão, ou 15,5% do PIB.
- Recuperar equipamentos parados evita novas compras e preserva o caixa.
- A logística reversa ajuda a rastrear e reutilizar equipamentos.
- Empresas de tecnologia, telecom e varejo são as que mais se beneficiam.
- Indicadores como taxa de recuperação e custo de reparo ajudam a decidir entre consertar ou comprar.
Logística de ativos entra na conta do Capex
Dados da Abimaq mostram que a compra de máquinas e equipamentos caiu 11,4% no primeiro trimestre de 2026. Para este ano, a indústria deve investir R$ 10,07 bilhões. Desse total, 36,4% vão para modernização tecnológica, 34,4% para ampliação da capacidade industrial e 22,6% para substituir máquinas antigas.
Muitas vezes, um equipamento parado em um depósito ou unidade da empresa fica esquecido. Sem saber onde ele está ou em que condições, a companhia pode acabar comprando outro igual. Henrique Russo explica: "Quando não há visão sobre os ativos, a empresa pode ter dinheiro parado sem perceber. Um equipamento que poderia ser usado fica esquecido e outro é comprado no lugar. Isso vira um custo financeiro desnecessário."
Recuperar antes de comprar
Isso é especialmente importante em setores que usam muitos equipamentos, como telecomunicações, tecnologia, infraestrutura e varejo. Nesses negócios, os equipamentos ficam circulando entre clientes, equipes, depósitos e áreas de manutenção.
A logística reversa ajuda a recuperar esses equipamentos, avaliando se podem ser consertados, reformados e usados novamente. Quanto mais reaproveitamento, menos necessidade de comprar novos.
Por isso, indicadores que antes eram só da área operacional agora interessam também ao financeiro. Taxa de recuperação, custo de reparo, tempo para voltar a usar, estoque disponível e quantidade de itens reaproveitados ajudam a decidir se vale mais consertar ou comprar novo. Russo destaca: "Não basta trazer o equipamento de volta. É preciso saber quanto custa consertar, quanto tempo leva para ficar pronto e se compensa mais do que comprar um novo. A logística reversa precisa estar ligada às decisões financeiras da empresa."
Dinheiro parado no estoque
De acordo com o IBGE, a produção industrial do Brasil caiu 0,2% em maio de 2026 em comparação com abril. A produção de bens de capital, que são máquinas e equipamentos usados na produção, também caiu na mesma proporção.
Para empresas com equipamentos caros, é importante saber o que já existe antes de gastar com novas compras. Equipamentos esquecidos no estoque ou em unidades representam dinheiro investido que não está dando retorno.
A logística cuida do estoque e da movimentação. O financeiro observa investimentos e depreciação. A gestão do ciclo de vida dos equipamentos une essas áreas. "Olhar só para o custo do transporte mostra uma parte pequena. A empresa precisa saber quanto do patrimônio voltou a gerar valor, quanto foi reutilizado e quanto deixou de gastar com novas compras", afirma Russo.
Para ele, essa mudança deve transformar o conceito de eficiência logística. "Não é só movimentar rápido. É saber onde o equipamento está, em que estado, e se ainda pode ser aproveitado. Quando a logística evita uma compra desnecessária, ela também mantém o dinheiro no caixa", conclui.

Lara Comunicação


