21 de agosto de 2026

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2027: Gestão precisa é essencial para empresas

Economia Gestão 21/08/2026 10:03 Carolina Lara (Lara Comunicação)

Empresas enfrentam 2027 com dívidas recordes, juros altos e reforma tributária; especialista explica por que gestão de caixa e margem é vital.

Por que 2027 será desafiador

O número de empresas com dívidas no Brasil bateu recorde em junho: 9,1 milhões de empresas estavam negativadas, com R$ 232,9 bilhões em dívidas, segundo a Serasa Experian. A maioria, 8,7 milhões, são micro e pequenas empresas. Além disso, a taxa básica de juros, a Selic, continua em 14,25% ao ano. Com juros altos, endividamento e a reforma tributária, as empresas precisam se preparar para 2027 com cuidado redobrado na gestão financeira.

O que os especialistas recomendam

Ravell Nava, estrategista de crescimento e fundador da Brl Educação, explica que em 2027 os donos de negócios terão que mudar a forma de medir o desempenho. Ele alerta que só olhar para o faturamento pode dar uma visão errada, porque outros indicadores, como margem, caixa, produtividade e custos, mostram a realidade.

  • 9,1 milhões de empresas inadimplentes em junho
  • Selic permanece alta em 14,25%
  • Reforma tributária muda regras em 2027
  • 38% dos CEOs veem instabilidade econômica como ameaça
  • Especialista recomenda focar em margem e caixa

Faturar mais não significa ganhar mais dinheiro. Dá para aumentar a receita enquanto a margem cai, os custos aumentam e o caixa aperta. O empresário precisa entender a origem do resultado antes de investir, contratar ou acelerar, diz Ravell.

Em 2027, a reforma tributária do consumo entra em nova fase: o PIS e a Cofins serão extintos, começa a CBS e o IPI cai a zero para muitos produtos. Além disso, entra o Imposto Seletivo. Por isso, as empresas precisam revisar preços e margens para se adaptar.

A pesquisa da PwC com CEOs de empresas brasileiras mostra que 38% veem a instabilidade econômica como uma das maiores ameaças. 29% estão preocupados com a inflação e 23% acham que tarifas comerciais podem reduzir os lucros em 2026.

Ravell diz que essa situação muda a forma de definir metas. Ele pergunta: se uma empresa quer crescer de R$ 10 milhões para R$ 15 milhões, quantos funcionários serão necessários, quanto custará para atrair clientes, quanto capital de giro será preciso e quanto desse aumento vira caixa Sem essas respostas, a meta é só um número.

Casos que mostram a diferença

Esse tema é comum entre empresários que participam de grupos como o Iron Times, que aconteceu em 19 de agosto. Um exemplo é o de Jaqueline Torres, dona de uma empresa contábil. Quando entrou no grupo há cinco anos, faturava R$ 2,5 milhões por ano; agora, a receita subiu cerca de 300%.

Mas Jaqueline diz que o crescimento veio junto com uma gestão mais madura. Adquiri mais experiência e confiança como profissional, afirma. Segundo Ravell, isso mostra que o crescimento precisa vir acompanhado de melhorias na gestão.

Outro participante, o médico urologista Edgar Sarmento, teve outra mudança. Antes de reorganizar, ele atendia principalmente em planos de saúde e não sabia como mudar. Em março de 2025, ele definiu problemas e criou um plano para migrar para atendimento particular. Agora, atende de terça a sexta no próprio consultório.

O ponto de virada não foi trabalhar mais, mas identificar problemas, planejar e executar com foco, explica Edgar.

Como se preparar

A Brl Educação terá outra iniciativa em 25 de agosto: o Match, uma plataforma para aproximar empresários e compradores. Ela reúne uma comunidade de executivos, condições especiais e encontros presenciais para gerar negócios.

Ravell afirma que ter mais contatos não resolve se a empresa não souber o custo de cada oportunidade. Uma conexão vira crescimento se a empresa medir o que veio depois: vendas, margem, custo e retorno futuro, diz.

A Brl Educação já atendeu mais de 20 mil empresários em cursos. Para Ravell, se preparar para 2027 não é sobre prever o futuro, mas sim conhecer bem o próprio negócio.

O empresário não controla juros, tributos ou economia. Mas pode saber quanto custa a operação, onde está a margem e o que gera caixa. Em 2027, essa diferença separa quem cresce com estrutura de quem só aumenta a receita e depois descobre que o negócio está frágil, conclui.