Entenda como a Reforma Tributária pode afetar o Simples Nacional e veja dicas de como os donos de pequenos negócios podem se preparar para as mudanças que começam em 2027.
As pequenas empresas do Brasil estão enfrentando tempos difíceis depois da pandemia. Entre 2020 e 2023, a economia teve inflação alta, juros elevados, crises políticas e problemas na cadeia de produção, o que aumentou os custos, diminuiu os investimentos e dificultou conseguir crédito.
Para as micro e pequenas empresas, que têm menos dinheiro e estrutura, esses problemas são ainda piores.
- Reforma Tributária vai mudar as regras de impostos, mas o Simples Nacional continua existindo.
- A partir de 2027, as empresas podem escolher ficar no Simples ou usar o novo sistema de impostos IBS/CBS separado.
- Essa escolha pode afetar preços, fornecedores e a competitividade.
- Empresas grandes já estão se preparando e podem ajudar seus fornecedores menores.
- Planejar os impostos agora é essencial para não sofrer no futuro.
Entenda o que está mudando
Mesmo com esses desafios, estão surgindo novas leis que mudam as regras do Brasil, como a Reforma Tributária e outras que afetam os lucros e dividendos, o que pode alterar a forma como as pequenas empresas são tratadas.
O tratamento especial para micro e pequenas empresas está na Constituição. O artigo 170, inciso IX, garante tratamento favorecido, e o artigo 179 manda simplificar as obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias.
O que é o Simples Nacional
Para colocar isso em prática, foi criada a Lei Complementar 123/2006, que instituiu o Simples Nacional, um sistema que junta vários impostos em uma única guia, facilitando a vida do empreendedor.
Esse tratamento diferenciado também aparece nas licitações públicas, onde as micro e pequenas empresas têm condições especiais para competir com empresas maiores.
Os desafios da Reforma Tributária
Mas os problemas não param nos impostos sobre consumo. Em 2023, a Emenda Constitucional 132 criou o IBS e a CBS, mudando a cobrança de impostos. O Simples foi preservado, mas a nova forma pode trazer impactos importantes, principalmente em relação aos créditos tributários e ao planejamento fiscal.
Em 2025, a Lei 15.270 trouxe novas discussões sobre a tributação de lucros e dividendos, o que gerou questionamentos da OAB. Isso mostra que o cenário tributário está mais complexo e exige atenção.
A Reforma Tributária não acaba com o Simples Nacional, mas cria novas regras para o IBS e a CBS. A partir de 2027, as empresas poderão manter esses impostos no Simples ou optar pelo regime regular, conforme a Resolução CGSN 186/2026.
Essa opção é como um sistema híbrido: a empresa continua no Simples para a maioria dos impostos, mas usa o regime regular para IBS e CBS. Isso pode ser vantajoso porque o regime regular permite aproveitar créditos tributários.
Então, o dono de uma pequena empresa precisa pensar não só nos seus próprios impostos, mas também nos seus fornecedores, clientes e no preço final para o consumidor.
Se uma pequena empresa fornece bens ou serviços para outras empresas, a escolha do regime pode afetar sua competitividade, pois os créditos podem mudar o preço e as negociações.
O modelo atual pode não ser adequado para 2027, então é preciso analisar as operações, os clientes, os fornecedores, os preços e os contratos antes que a nova regra comece.
O planejamento tributário se torna essencial, não só para pagar menos impostos, mas para manter a competitividade no mercado.
O que fazer para se preparar
As pequenas empresas têm menos recursos para investir em consultorias e sistemas. Por outro lado, empresas maiores já estão conversando com seus fornecedores menores para se adaptarem juntas às novas regras, protegendo suas cadeias de fornecimento.
A escolha de fornecedores pode passar a considerar os impostos. Se uma empresa não se adaptar, pode ficar para trás, aumentar a informalidade e as disputas judiciais. Esses são riscos que precisam ser acompanhados durante a transição.
A Reforma Tributária não acaba com o Simples, mas muda o ambiente. A possibilidade de escolher o regime regular para IBS e CBS cria decisões que podem impactar a cadeia produtiva, os preços, os contratos e a competitividade.
O principal desafio é garantir que o Simples continue cumprindo seu papel de ajudar as pequenas empresas. Para isso, é preciso se antecipar, revisar as estruturas e fazer um planejamento adequado para 2027.
Além disso, a ajuda das grandes empresas na adaptação de seus fornecedores pode tornar a transição mais fácil, especialmente porque as pequenas têm menos recursos. A Reforma deve ser analisada em conjunto, pensando em toda a cadeia, para manter a competitividade, a segurança jurídica e evitar que as pequenas empresas saiam do mercado.
Samira Zenie é especialista do núcleo técnico tributário da Strategi.

Samira Zenie (Foto: Divulgação)


