20 de agosto de 2026

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Guia para iniciantes: como comprar e vender criptomoedas no Brasil com segurança

Economia Criptomoedas 20/08/2026 09:42 Kelli Kadanus (P+G Trendmakers)

Especialista explica como funciona a compra de Bitcoin e outros criptoativos, o que mudou com a regulamentação brasileira e quais cuidados são essenciais antes do primeiro investimento.

O avanço da regulamentação dos criptoativos no Brasil e a retomada do interesse pelo Bitcoin têm levado cada vez mais brasileiros a buscar informações sobre como comprar, vender e armazenar criptomoedas com segurança. Para orientar investidores iniciantes, a AVO (Aprendizado Virtual OnilX) preparou um guia explicativo que reúne os principais conceitos sobre o funcionamento desse mercado, os aspectos legais, tributários e os cuidados necessários antes de realizar o primeiro investimento.

  • O Bitcoin é um ativo digital que funciona sem banco central, com valor que varia conforme o mercado.
  • No Brasil, comprar e vender criptomoedas é legal, mas é preciso declarar à Receita Federal.
  • Existem taxas diferentes entre as corretoras e também para transferir entre carteiras digitais.
  • Quem guarda as criptomoedas em carteira própria é responsável pela segurança da chave privada.
  • Golpes com promessas de lucro fácil são comuns; desconfie de qualquer oferta muito boa.

O interesse pelo tema acompanha um cenário de fortalecimento do mercado global. Durante boa parte de julho, o Bitcoin foi negociado entre US$ 58 mil e US$ 66 mil, encerrando o mês próximo de US$ 64 mil em um movimento de consolidação após a volatilidade registrada no primeiro semestre. No mesmo período, os ETFs spot de Bitcoin voltaram a apresentar saldo líquido positivo, com aproximadamente US$ 403 milhões em novos aportes, indicando uma retomada da demanda institucional pelo ativo.

Para Cleverson Pereira, Head de Educação da AVO, o crescimento do interesse dos brasileiros pelas criptomoedas reforça a importância da educação financeira antes da tomada de decisão. "O primeiro passo para quem deseja investir em criptomoedas não é abrir uma conta em uma corretora, mas entender como esse mercado funciona. Conhecimento reduz erros, ajuda o investidor a reconhecer riscos e evita decisões tomadas apenas pela alta momentânea dos preços", avalia.

As criptomoedas são ativos digitais registrados em blockchain, tecnologia que funciona como um livro-razão distribuído protegido por criptografia. Entre os principais ativos negociados estão Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH), Solana (SOL), XRP, Cardano (ADA) e as stablecoins, como USDT, USDC e BRZ, cujos valores acompanham moedas fiduciárias, como dólar e real. Atualmente, as stablecoins concentram boa parte do volume negociado pelos investidores brasileiros, especialmente o USDT.

No Brasil, comprar, vender e possuir criptomoedas é uma atividade legal. O setor passou a contar com regras específicas após a publicação da Lei nº 14.478/2022, conhecida como Marco Legal dos Criptoativos. Desde então, o Banco Central vem regulamentando e supervisionando as empresas que oferecem serviços relacionados aos ativos virtuais. Paralelamente, a Receita Federal ampliou as exigências de declaração e reporte de determinadas operações envolvendo criptoativos, incluindo negociações realizadas em exchanges estrangeiras, conforme a legislação vigente.

Para quem pretende começar a investir, o processo costuma ser simples. O investidor abre uma conta em uma exchange, realiza um depósito via PIX e compra a quantidade desejada de criptomoedas. Não é necessário adquirir um Bitcoin inteiro, sendo possível investir em pequenas frações do ativo. Outra alternativa é investir por meio de ETFs de criptomoedas negociados na B3, modalidade indicada para quem deseja exposição ao mercado sem manter os ativos diretamente em uma carteira digital.

Antes da compra, especialistas recomendam analisar cuidadosamente os custos envolvidos. Além das taxas cobradas pelas corretoras, podem existir spreads entre compra e venda, tarifas de saque e taxas da própria blockchain para transferências entre carteiras. Também é importante compreender que lucros obtidos na venda podem estar sujeitos à tributação conforme a legislação vigente, além das obrigações acessórias exigidas pela Receita Federal.

Outro aspecto fundamental envolve a custódia dos ativos. O investidor pode manter suas criptomoedas na própria corretora ou transferi-las para uma carteira digital sob seu controle, modalidade conhecida como autocustódia. Embora essa alternativa ofereça maior autonomia sobre os ativos, ela exige atenção redobrada, pois a perda da chave privada normalmente significa a perda definitiva do acesso às criptomoedas.

Além das oscilações naturais do mercado, investidores também precisam estar atentos aos golpes. Promessas de rentabilidade garantida, falsas corretoras, pirâmides financeiras, perfis falsos em redes sociais e supostos robôs de investimento continuam entre as fraudes mais comuns envolvendo criptoativos. Por isso, recomenda-se utilizar plataformas confiáveis, ativar autenticação em dois fatores, manter registros das operações e desconfiar de qualquer promessa de lucro elevado sem risco.

"Criptomoedas podem fazer parte de uma estratégia de investimento, mas não existe retorno garantido. O investidor precisa conhecer seu perfil, diversificar a carteira e aplicar apenas recursos compatíveis com sua capacidade financeira. Mais importante do que acertar o melhor momento de compra é investir de forma consciente e segura", destaca Cleverson Pereira.

Outro ponto frequentemente desconhecido pelos investidores é que o Bitcoin não possui garantia do Banco Central nem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Isso significa que eventuais perdas decorrentes da desvalorização dos ativos são de responsabilidade do próprio investidor. Da mesma forma, quem opta pela autocustódia deve proteger cuidadosamente suas chaves privadas para evitar a perda definitiva dos recursos.

"Muitas pessoas acreditam que o Bitcoin funciona como uma aplicação bancária tradicional, mas isso não é verdade. O investidor precisa entender que não existe garantia do Banco Central nem proteção do Fundo Garantidor de Créditos. Além disso, quem escolhe fazer a autocustódia assume a responsabilidade de proteger suas chaves privadas, porque a perda dessas informações normalmente significa perder o acesso aos ativos", esclarece o especialista.

À medida que a regulamentação brasileira evolui e o acesso aos ativos digitais se torna mais amplo, cresce também a importância da educação financeira e digital. Compreender como funcionam as criptomoedas, conhecer as regras tributárias, adotar boas práticas de segurança e investir de acordo com o próprio perfil são medidas fundamentais para participar desse mercado de maneira responsável.

Guia para comprar criptomoedas com mais segurança

  • Escolha uma exchange confiável e com processos de identificação dos clientes.
  • Ative autenticação em dois fatores (2FA).
  • Conheça todas as taxas antes de investir.
  • Entenda as regras tributárias e de declaração.
  • Invista apenas recursos compatíveis com seu perfil financeiro.
  • Guarde comprovantes de todas as operações.
  • Desconfie de promessas de rentabilidade garantida.
  • Avalie se deseja manter os ativos na corretora ou em carteira própria.