A recuperação judicial das Casas Bahia, com dívida de R$ 17,3 bilhões, mostra como os juros altos e o endividamento afetam o varejo. Especialista explica os riscos e dá dicas para pequenos negócios se protegerem.
As Casas Bahia, uma das maiores redes de varejo do país, entraram em recuperação judicial com uma dívida de R$ 17,3 bilhões. A empresa teve prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, patrimônio negativo de R$ 8,1 bilhões e vai fechar 298 lojas. Isso mostra que até grandes empresas podem quebrar se não tiverem cuidado com o dinheiro.
Para o especialista em varejo Paulo Brenha, esse caso é um alerta. Ele compara: "Uma empresa pode vender muito e ainda assim estar sufocada financeiramente, como uma pessoa que ganha bem, mas gasta quase tudo para pagar dívidas."
- Qual é a dívida das Casas Bahia São R$ 17,3 bilhões, sendo que só no segundo trimestre o prejuízo foi de R$ 10,1 bilhões.
- Quantas lojas vão fechar A empresa vai fechar 298 lojas, o que pode causar demissões.
- Por que isso acontece Os juros altos, com a Selic a 14% ao ano, encarecem o crédito e o endividamento das famílias chega a 82%.
- O varejo inteiro está em crise Não, as vendas no Brasil crescem, mas o setor de bens duráveis, como móveis e eletrodomésticos, sofre mais.
- O que pequenos varejistas podem aprender É preciso ter controle financeiro, medir margens e não depender só de crédito.
Não é o varejo inteiro que quebrou
Enquanto as grandes redes têm problemas, o varejo como um todo cresce. Segundo o IBGE, as vendas subiram 2,9% em junho de 2026 comparado ao mesmo período do ano anterior. Mas o setor de eletrodomésticos e móveis, que depende de crédito, sofre com os juros altos. Várias outras redes renegociaram dívidas, como Americanas, Dia, Polishop e Marabraz. "Não é o consumo que caiu, é o modelo de crescer com crédito e escala que não funciona mais", explica Brenha.
Quando o juro cresce mais rápido que a operação
Com a Selic alta, o crédito fica caro para todos. As famílias estão endividadas, com 82% delas tendo dívidas, e quase 30% da renda vai para pagar essas contas. Isso faz com que as pessoas comprem menos ou atrasem as parcelas. No caso das Casas Bahia, mesmo com melhora nas vendas, as despesas financeiras eram mais de 200% do lucro antes de juros e impostos. A empresa também tinha dívidas com fornecedores e outras operações.
O efeito dominó da confiança
A falta de confiança dos fornecedores também afeta a empresa. Eles reduzem prazos, aumentam limites e exigem pagamento antecipado. Isso pode travar a operação, mesmo com clientes querendo comprar. Isso vale para qualquer empresa: se os fornecedores ficam com medo, a loja pode ficar sem estoque.
Crescimento não é sinônimo de saúde financeira
Muitos varejistas buscam só aumentar o faturamento, mas esquecem de ter lucro de verdade. "Crescimento saudável é gerar valor e ter caixa para investir", diz Brenha. O consumidor mudou: ele pesquisa preços na internet, compara opções e usa bancos digitais. As lojas físicas precisam oferecer algo além do preço, como bom atendimento e serviços.
O que pequenos e médios varejistas podem aprender
Brenha dá cinco dicas importantes:
- Medir a margem de contribuição por categoria, não só o faturamento.
- Mapear todas as dívidas, inclusive com fornecedores e antecipação de recebíveis.
- Controlar o giro de estoque para ter caixa.
- Considerar o custo do capital na hora de precificar.
- Ter diferenciais além do preço, como atendimento e serviço.
"Nenhuma empresa quebra da noite para o dia. Ela quebra devagar, tomando decisões erradas. O caso das Casas Bahia serve de lição para todos", finaliza o especialista.

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