19 de agosto de 2026

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IA pode gerar R$ 1 trilhão para o Brasil até 2030

Economia IA 19/08/2026 14:13 Monalise Bürger / Sua Nova Ideia

Um estudo inédito prevê que o uso de inteligência artificial pode adicionar quase R$ 1 trilhão ao PIB brasileiro até 2030. Mas essa riqueza pode ficar concentrada nas grandes empresas, enquanto pequenos negócios enfrentam desafios para adotar a tecnologia. Conheça os benefícios e os obstáculos.

Quando uma empresa usa inteligência artificial para prever a demanda, evitar erros e liberar os funcionários de tarefas repetitivas, ela ganha tempo, economiza dinheiro e vende mais. Se isso acontece em muitas empresas, a economia do país pode crescer. Mas nem todos os negócios vão se beneficiar igualmente.

Segundo Ricardo Jacobs, empresário e investidor, a diferença vai estar na forma como as empresas conseguem usar a IA no dia a dia. Quem usar a tecnologia para resolver problemas concretos vai ter mais chances de melhorar os resultados. Quem apenas usar ferramentas soltas pode até economizar tempo, mas sem mudar o negócio.

  • O estudo prevê R$ 986,7 bilhões de impacto no PIB entre 2027 e 2030.
  • 65% do ganho viria do aumento da produtividade dos trabalhadores.
  • A indústria de transformação é o setor que mais deve ganhar: R$ 264,2 bilhões.
  • Pequenas empresas usam IA principalmente para marketing, enquanto grandes usam para análise de dados.
  • Especialistas alertam que a falta de conhecimento ainda limita o uso da IA em pequenos negócios.

Um estudo feito pelo Reglab estima que a IA pode adicionar R$ 986,7 bilhões ao PIB brasileiro entre 2027 e 2030. A pesquisa, encomendada pela OpenAI, analisa os efeitos da tecnologia em 12 setores. O valor é um potencial, que depende de adoção, infraestrutura, crédito e qualificação.

Segundo a pesquisa, 65% do impacto viria do aumento da produtividade dos trabalhadores, e 35% do uso de IA em máquinas e equipamentos. A indústria de transformação concentraria R$ 264,2 bilhões, seguida por serviços (R$ 165,4 bilhões) e comércio (R$ 131,2 bilhões). Mesmo dentro desses setores, a distribuição dependerá de quem conseguir aplicar a tecnologia primeiro e com maior profundidade.

Uma pesquisa do Sebrae e da FGV IBRE, com colaboração do Google, ouviu cerca de 5 mil empresas e descobriu que 35% das médias e grandes empresas usam IA generativa com frequência, enquanto apenas 15% das micro e pequenas empresas fazem isso. As maiores usam IA principalmente para análise de dados, enquanto as menores focam em marketing e divulgação.

Segundo Ricardo Jacobs, a implantação da IA em pequenas e médias empresas é um desafio e não acontece da noite para o dia. Muitos empreendedores e colaboradores que estão há tempo no negócio conhecem apenas os recursos básicos, o que dificulta levar a inteligência artificial para controles, sistemas e processos que realmente influenciam a gestão.

O conhecimento sobre ferramentas de geração de textos pode dar a impressão de que a IA já está amplamente integrada às empresas. Mas existe uma grande diferença entre pedir a um sistema para resumir um documento e conectá-lo ao controle de estoque, ao fluxo de caixa, à previsão de vendas ou à análise de riscos. O segundo estágio exige dados organizados, revisão da rotina e profissionais capazes de avaliar as respostas produzidas.

Equipes mais antigas podem dominar profundamente a operação e, ainda assim, ter pouca familiaridade com novas tecnologias. A implantação precisa aproveitar esse conhecimento acumulado, combinando-o com treinamento e adaptação gradual. Quando a mudança é conduzida apenas pelo setor de tecnologia, sem a participação das pessoas que executam as tarefas, cresce a chance de resistência ou abandono da ferramenta.

Parece que a adoção está muito avançada, mas dentro de muitas pequenas e médias empresas ela ainda se limita a textos, interpretações e tarefas pontuais. O uso sistêmico, voltado a controles e decisões, permanece reduzido pela falta de conhecimento tanto dos empreendedores quanto dos colaboradores, acrescenta Jacobs.

Essa capacidade exige dados organizados, profissionais preparados e clareza sobre o problema que será resolvido. Uma empresa pode investir em sistemas sofisticados e obter pouco retorno se seus registros estiverem incompletos ou se a equipe continuar trabalhando da mesma maneira. A adoção também envolve revisão de processos, definição de responsabilidades e acompanhamento dos resultados antes e depois da implementação.

Os pequenos negócios não estão excluídos desse movimento. Soluções acessíveis podem apoiar o fluxo de caixa, a reposição de produtos, o relacionamento com clientes e a formação de preços. O desafio está em escolher aplicações compatíveis com a realidade da operação. Projetos menores, com objetivo definido e resultado verificável, reduzem o risco de gastar por impulso apenas para seguir uma tendência.

A estimativa de quase R$ 1 trilhão revela o tamanho da oportunidade, mas também expõe a possibilidade de concentração. Até 2030, a divisão desse valor deverá acompanhar uma fronteira já conhecida no mercado: de um lado, negócios capazes de combinar tecnologia, capital e qualificação; de outro, empresas que conhecem as ferramentas, mas ainda não conseguem convertê-las em resultado.