O Novo Desenrola trouxe mudanças no crédito consignado que podem prejudicar milhões de aposentados e pensionistas. Com a redução da margem consignável, muitos não conseguirão novos empréstimos, ficando sem acesso ao crédito mais barato e podendo cair em linhas com juros altos.
O Novo Desenrola Brasil é um programa do governo para ajudar pessoas a pagarem dívidas e acessar crédito mais barato. No entanto, as novas regras podem prejudicar muitos brasileiros, principalmente aposentados e pensionistas do INSS.
As mudanças reduziram o limite de crédito consignado para 40% da renda. Isso afetou 4,5 milhões de segurados que agora não conseguem refinanciar ou fazer novas operações, mesmo sem ter piorado sua situação financeira.
5 pontos-chave
- 4,5 milhões de aposentados e pensionistas do INSS foram afetados.
- A margem consignável caiu de 45% para 40%.
- Quem já tinha cartão consignado pode ficar sem acesso a novos créditos.
- Isso pode levar muita gente a pegar empréstimos com juros mais altos.
- O programa ainda pode ser alterado pelo Congresso.
Refinanciar e fazer portabilidade não significam aumentar dívidas. Pelo contrário, muitos usam esses mecanismos para trocar uma dívida cara por uma mais barata, ou para reduzir parcelas. Com as novas regras, isso fica mais difícil.
O Brasil tem muitas famílias endividadas. Dados da CNC mostram que quase todos os lares têm algum tipo de dívida. Por isso, é importante que o crédito seja acessível e justo.
O crédito consignado é um dos mais baratos do mercado. Já o crédito pessoal e o rotativo do cartão cobram juros altos. Se as pessoas não conseguem acessar o consignado, correm o risco de cair em dívidas mais caras.
O Novo Desenrola tem boas intenções, como renegociar dívidas e usar o FGTS como garantia. O problema é que uma das mudanças na margem foi feita sem uma transição adequada, prejudicando quem já tinha contratos.
Imagine um aposentado que pegou um empréstimo e usou o cartão consignado dentro das regras antigas. De repente, ele tenta refinanciar para pagar menos, mas não pode porque os novos limites não permitem.
Muitos podem levar anos para voltar a ter margem para novos empréstimos, pois só terão aumento de renda quando o INSS reajustar os benefícios. Enquanto isso, ficam sem opções baratas.
Uma solução seria permitir, durante a transição, que quem já tem contratos possa fazer portabilidade ou refinanciamento, sem aumentar o uso do cartão. Assim, manteriam o acesso ao crédito mais barato.
Se a mudança impede que milhões façam a troca para um crédito mais barato, a medida não está atingindo seu objetivo. Ajustar a regra de transição é essencial para proteger quem o programa deveria ajudar.

Túlio Matos, CEO da iCred


