Estudo do IBPT revela que empresas deixam de declarar R$ 2,7 trilhões em faturamento por ano, gerando sonegação de R$ 508,5 bilhões em tributos. O ICMS é o imposto mais sonegado, e a complexidade das regras é o principal motivo para os erros.
O Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) divulgou um estudo mostrando que as empresas brasileiras deixam de declarar cerca de R$ 2,7 trilhões em faturamento por ano. Isso significa que muito dinheiro não é registrado, e os impostos sobre essa quantia somam R$ 508,5 bilhões, que deveriam ser pagos, mas não são.
Segundo o estudo, os impostos mais sonegados são o ICMS, o Imposto de Renda das empresas (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL). A sonegação acontece por causa da complexidade das regras, erros na hora de declarar e dificuldade de entender o sistema tributário.
- O valor sonegado é maior que o orçamento de muitos países.
- A maioria das empresas que sonegam são as pequenas, com 47% delas cometendo infrações.
- Em 2025, foram emitidos mais de 776 mil autos de infração no país.
- O ICMS é o imposto mais sonegado, com 152 mil autos só em 2024.
- Desde 2002, a sonegação caiu de 32% para cerca de 10%, mostrando melhora na fiscalização.
O presidente do IBPT, João Eloi Olenike, explica que quanto menor a empresa, mais difícil é entender as regras, o que leva a erros e infrações. Ele destaca que o sistema tributário é muito complexo, especialmente agora com a reforma tributária que começa a ser implantada.
Em 2025, os estados lavraram 361.164 autos de infração de ICMS, um aumento de 136% em relação a 2024, mas o valor total dessas autuações caiu um pouco, chegando a R$ 107,1 bilhões.
No total, em 2025 foram emitidos 776.321 autos de infração pelos fiscos federal, estadual e municipal, somando R$ 349,1 bilhões. Isso mostra que a fiscalização está mais ativa.
Comparando com anos anteriores, a sonegação vem diminuindo. Em 2002, o índice era de 32%; em 2025, ficou em torno de 9,9%. Segundo o IBPT, isso coloca o Brasil em um patamar parecido com países desenvolvidos.
A indústria é o setor com mais autos de infração federal. Só as indústrias de transformação tiveram R$ 40,3 bilhões em autuações, seguidas pela indústria extrativa com R$ 36,7 bilhões e pelo comércio atacadista com R$ 29,9 bilhões.
Olenike afirma que a clareza na fiscalização ajuda os contribuintes a cumprirem suas obrigações, mas ainda existem muitos erros por causa da complexidade. A reforma tributária traz desafios novos, pois é preciso se adaptar ao novo sistema sem esquecer o antigo.
O IBPT é um instituto fundado em 1992 que estuda o sistema tributário brasileiro e ajuda a sociedade a entender melhor como os impostos funcionam. Ele tem um grande banco de dados sobre informações fiscais.
Essas informações são importantes para mostrar que, apesar da sonegação ainda existir, o país está evoluindo no combate a esse problema.

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