16 de agosto de 2026

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Casas Bahia fecha 298 lojas e tem prejuízo bilionário

Economia Varejo 16/08/2026 15:20 Manuela Miniguini, da CNN Brasil cnnbrasil.com.br

A Casas Bahia confirmou o fechamento de 298 lojas em seu balanço do segundo trimestre de 2026, que também mostrou um prejuízo de R$ 10,1 bilhões, 18 vezes maior do que no mesmo período do ano passado. A empresa passa por uma reestruturação e o sindicato dos trabalhadores está preocupado com os direitos dos funcionários.

Após adiar por duas vezes a publicação de seus resultados referentes ao segundo trimestre deste ano, a Casas Bahia divulgou seu balanço trimestral. Marcada inicialmente para 12 de agosto, a publicação foi postergada para o dia 14 do mesmo mês. Chegado o dia, a empresa novamente não compartilhou os informes.

Já neste domingo (16), a varejista publicou os resultados, que apresentaram um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões entre maio e junho. O montante aumenta as perdas da companhia em 18 vezes se comparado ao mesmo período de 2025, quando o dano foi por volta de R$ 555 milhões.

  • O prejuízo de R$ 10,1 bilhões é o maior já registrado pela empresa em um trimestre.
  • O fechamento de 298 lojas faz parte de um plano de reestruturação para lidar com a crise.
  • O sindicato dos trabalhadores (Secor) está preocupado com os direitos dos funcionários.
  • Em 2024, a Casas Bahia já havia pedido recuperação extrajudicial para dívidas de R$ 4,1 bilhões.
  • O plano de reestruturação prevê também a otimização dos canais digitais e gestão de liquidez.

A publicação também acontece em meio às polêmicas de que a Casas Bahia deve fechar 298 lojas. A informação, inicialmente veiculada na mídia, foi confirmada pela empresa nos documentos do balancete.

Ao longo de 2025, a empresa registrou um prejuízo de R$ 3 bilhões e, somente no primeiro trimestre de 2026, registrou um resultado negativo de R$ 1,06 bilhão nos resultados contábeis. Agora, a piora representa um aumento de 1.720% em relação ao prejuízo no ano passado.

À época do primeiro balanço divulgado, o presidente-executivo da companhia, Renato Franklin, citou o ambiente macroeconômico como desafiador. Ele adicionou ainda que a postura da empresa para 2026 seria de uma Casas Bahia mais "conservadora" na concessão de crédito, na tomada de risco e nas compras com fornecedores.

Neste ano, a empresa citou como justificativa do resultado contábil o impacto de um plano de redimensionamento de sua operação, que incluiu o fechamento de 298 lojas para lidar com o momento mais desafiador para o setor.

Segundo a varejista, o capital circulante negativo, restrições de crédito e consumo pressionado exigem uma transformação estrutural, e a fase 2 do plano de transformação seria a resposta necessária.

"Diante de um ambiente macroeconômico e de crédito mais desafiador, a companhia avança para a fase 2 do plano de transformação, redimensionando sua operação, impactando o resultado líquido através de efeitos contábeis não recorrentes em R$ 9,1 bilhões, sem efeito caixa no trimestre", afirmou a companhia no balanço publicado na madrugada.

Para o plano de reestruturação, a empresa cita que "com os fechamentos das lojas deficitárias, a média do parque de lojas remanescente aumentará em 1,4 ponto percentual", afirmou, acrescentando que a média de participação do carnê nas lojas remanescentes aumentará de 5,0 a 6,0 p.p..

A nova etapa também inclui reorientação dos canais digitais, adequação dos estoques e do capital de giro, redução estrutural de custos, despesas e investimentos, gestão da liquidez e redução do custo financeiro, alternativas de estrutura de capital e liquidez, bem como eventuais medidas adicionais, incluindo possível nova recuperação extrajudicial ou recuperação judicial.

Entenda o caso

Em abril de 2024, a varejista Casas Bahia pediu recuperação extrajudicial para dívidas que somavam R$ 4,1 bilhões. O Juízo da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo homologou o plano apresentado pela companhia após dois meses.

À época, todos os credores aderiram ao plano de recuperação extrajudicial e, com isso, a empresa conseguiu a aceitação da totalidade dos detentores da dívida alvo do processo.

Ontem, após o novo adiamento e antes da divulgação do balanço, o sindicato dos trabalhadores da varejista se posicionou perante a notícia dos fechamentos.

Em nota, o Secor (Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região) manifestou sua preocupação com o fechamento das quase 300 lojas e disse que tomará as medidas necessárias para garantir os direitos dos trabalhadores.

"Os comerciários não podem arcar com prejuízos decorrentes de decisões empresariais tomadas sem o devido diálogo e transparência", disse o presidente do Secor, Luciano Pereira Leite, em nota.

Relatos recebidos pelo sindicato ainda constatam que os funcionários foram pegos de surpresa, que ainda aguardam o desenrolar do processo e que esperam por informações detalhadas sobre os procedimentos de desligamento, pagamento das verbas rescisórias, liberação do FGTS, seguro-desemprego e demais direitos previstos na legislação trabalhista e na convenção coletiva da categoria.