15 de agosto de 2026

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Petrobras encontra sinais de petróleo em poço na costa do Amapá

Economia Petróleo 15/08/2026 07:03 Folhapress noticiasaominuto.com.br

A Petrobras anunciou que encontrou indícios de petróleo em um poço na bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá. A descoberta foi feita por meio de análises das rochas, mas a confirmação ainda depende de testes. A estatal afirma que as operações continuam para avaliar a área e que a notícia é um passo importante para o futuro da exploração de petróleo no Brasil.

A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (14) que encontrou sinais de hidrocarbonetos, como petróleo e gás, em um poço exploratório na bacia da Foz do Amazonas, que fica em águas bem profundas na costa do Amapá. Ainda não é uma confirmação, mas os funcionários da estatal acreditam que há grandes chances de ser petróleo de verdade.

  • O poço fica a 175 km da costa do Amapá, em um local com mais de 2.800 metros de profundidade.
  • Para ter certeza se há petróleo em quantidade suficiente para ser explorado, será preciso perfurar mais poços na região.
  • A área é vista como uma das principais apostas do Brasil para novas descobertas de petróleo, já que as reservas do pré-sal devem diminuir no futuro.
  • O processo para conseguir a licença para perfurar esse poço foi cheio de idas e vindas com o Ibama, que é o órgão que cuida do meio ambiente.
  • Ambientalistas são contra, pois a exploração de petróleo aumenta a poluição que causa mudanças no clima.

De acordo com a companhia, a descoberta foi possível graças a análises feitas no poço e em amostras das rochas. A perfuração ainda está em andamento e a estatal afirma que o objetivo é continuar estudando a área.

"Nosso otimismo em relação à margem equatorial se confirma hoje", disse, em nota, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.

A executiva afirmou que a descoberta ainda não é comercial, ou seja, ainda não se sabe se é possível extrair petróleo em quantidade que compense o investimento. Mas ela representa um passo importante para repor as reservas que devem diminuir a partir de 2034 e 2035, quando a produção do pré-sal deve começar a cair. "Vamos continuar os trabalhos lá para ver a comercialidade", destacou.

A presença de hidrocarbonetos não garante que exista um reservatório de petróleo ou gás que possa ser explorado. Para saber disso, geralmente é preciso perfurar outros poços e fazer mais testes na região.

A Petrobras, o governo e outras empresas de petróleo que atuam no Brasil veem a região da margem equatorial como a principal aposta para novas descobertas no país, ajudando a repor a queda na produção do pré-sal, que hoje é a área que mais produz petróleo no Brasil.

O Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), que representa grandes empresas do setor como ExxonMobil, TotalEnergies, Shell e Equinor, além da própria Petrobras, afirmou que a descoberta "confirma que o Brasil possui perspectivas muito positivas para a produção de petróleo e gás natural em outras regiões, reforçando a segurança energética nacional no médio e longo prazo".

O poço, chamado de Morpho, está localizado a cerca de 175 km da costa do estado, em uma área com lâmina d'água (distância entre a superfície e o fundo do mar) de 2.886 metros. A região é alvo de disputas entre o governo e as organizações ambientalistas. A descoberta aconteceu no bloco FZA-M-59, na margem equatorial brasileira, onde a Petrobras é a operadora e possui 100% de participação.

"As operações de perfuração permanecem em curso, visando a continuidade da avaliação exploratória, de forma segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas", disse a empresa em comunicado.

O setor passou a apostar no potencial da região depois de descobertas de petróleo na Guiana, que tem características geológicas parecidas com as da margem equatorial brasileira. A Petrobras afirma que a atuação no bloco faz parte de sua estratégia de repor as reservas de petróleo e gás por meio da exploração em áreas novas. A companhia diz que a iniciativa busca ajudar a atender a demanda nacional de energia durante a transição energética.

O bloco FZA-M-59 foi comprado pela Petrobras na 11ª Rodada de Licitações da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), realizada em 2013, no regime de concessão. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), comemorou a descoberta. "Lutamos pelo direito de pesquisar a margem equatorial e conhecer as nossas riquezas. Lutamos para que, sendo possível a exploração, essa riqueza seja transformada em emprego, renda, oportunidades e qualidade de vida para o povo amapaense e contribua para o desenvolvimento do Brasil", disse, em nota.

A perfuração do poço Morpho teve um dos processos de licenciamento ambiental mais complicados do país, com várias reviravoltas e interferências na área técnica do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), que chegou a recomendar que o processo fosse arquivado. O instituto finalmente concedeu a licença em outubro de 2025, depois de pressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A autorização foi emitida dias antes da COP30, em Belém, e foi criticada por organizações que estavam no evento.

Para os ambientalistas, a abertura de novas áreas para a produção de petróleo vai contra os alertas dos cientistas sobre a necessidade de reduzir a queima de combustíveis fósseis para combater a mudança climática. O governo defende que o Brasil não pode deixar de explorar as riquezas do seu subsolo. Na COP, dois meses depois de autorizar a perfuração, Lula propôs, sem sucesso, medidas para reduzir o consumo de fósseis.

O poço Morpho é o primeiro do bloco 59 a ser explorado pela estatal, que já pediu ao Ibama para perfurar mais três poços na mesma área: PAD-Morpho, Manga e Crotalus. Para esses outros três poços, o órgão ambiental federal pediu mais dados antes de dar a autorização. Os documentos do licenciamento mostram que o Ibama não se opôs, até agora, à expansão da exploração de petróleo nessa parte da costa amazônica.

Resultados e dividendos da Petrobras

Na semana passada, a Petrobras divulgou seus resultados do primeiro trimestre, que foram positivos por causa da alta do petróleo após o início da guerra no Irã. O lucro líquido foi de R$ 52,4 bilhões, quase o dobro (97% a mais) em relação ao mesmo período do ano anterior. Foi o melhor resultado desde o segundo trimestre de 2022, durante o conflito na Ucrânia. Com esse desempenho, a Petrobras anunciou a distribuição de R$ 17,4 bilhões em dividendos aos seus acionistas. O governo federal, que é o principal acionista, vai receber R$ 6,2 bilhões, incluindo as partes de bancos públicos e fundos de pensão.

O resultado da Petrobras no trimestre foi puxado pela alta do petróleo e pelo recorde de produção de petróleo e gás. O preço médio do barril de petróleo Brent subiu 54,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando a US$ 104. A produção aumentou 14%, para 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia.

A decisão sobre o poço Morpho

Em julho, a Petrobras comunicou ao Ibama que fará um abandono permanente do poço Morpho, e não um abandono temporário, que permitiria voltar a usar o poço para extrair óleo no futuro. Especialistas dizem que o abandono permanente de um primeiro poço explorado é uma prática comum, pois a extração de óleo costuma acontecer nos poços seguintes. Na terça-feira (11), em resposta a perguntas da imprensa, a Petrobras afirmou que "abandono de poço" é um termo técnico e uma operação padrão, e "não tem qualquer relação com o resultado sobre a ocorrência ou não de petróleo". Segundo a estatal, a perfuração de mais três poços dependerá da análise sobre o que for encontrado no Morpho.