13 de agosto de 2026

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Guerra no Oriente Médio pode trazer investimentos ao Brasil

Economia 13/08/2026 17:24 Liliane Scaratti, Patrícia Stedile e Viviane Carpes - Engenharia de Comunicação

A guerra no Oriente Médio está mudando para onde o dinheiro no mundo vai. O Brasil, por ser um país estável e cheio de recursos naturais, como petróleo e alimentos, pode se tornar um lugar atraente para investidores. Nos primeiros três meses de 2026, as fusões e compras de empresas no Brasil cresceram muito em valor, aumentando 114%. Especialistas dizem que o Brasil tem chance de atrair ainda mais investimentos se souber aproveitar essa oportunidade.

A escalada das tensões no Oriente Médio não impacta apenas o preço do petróleo. Ela altera os fluxos comerciais globais, aumenta a percepção de risco e passa a fazer parte das discussões estratégicas de conselhos de administração, fundos de investimento e mesas de negociação de fusões e aquisições.

  • Crescimento de 114% no valor das fusões e aquisições no Brasil no primeiro trimestre de 2026.
  • Petróleo brasileiro: exportações cresceram 71% desde 2021.
  • Setores como energia, infraestrutura e agronegócio são os mais atraentes.
  • Shell vê 'enorme oportunidade' no petróleo do Brasil.
  • Brasil e Guiana se tornam alternativas ao petróleo do Oriente Médio.

Ainda assim, os dados mostram que a incerteza geopolítica não tem sido suficiente para paralisar o mercado. O capital continua circulando, mas de outra forma, segundo especialistas. Ainda mais seletiva, priorizando geografia, economia e setores considerados resilientes, além de ativos capazes de atravessar cenários de maior volatilidade. Prova disso é que, no primeiro trimestre de 2026, as operações globais de fusões e aquisições não apresentaram queda; pelo contrário: somaram US$ 861 bilhões, registrando o melhor início de ano para o mercado desde 2021.

Em momentos de tensão geopolítica, o investidor deixa de perseguir apenas crescimento e passa a buscar proteção. Mas o movimento de alocação de capital continua. Contudo, ele se reorganiza, procura ativos ligados à segurança energética, produção de alimentos, infraestrutura e recursos naturais, afirma Jefferson Nesello, sócio-fundador e diretor da Zaxo, boutique de M&A.

Brasil: um porto seguro para investimentos

Segundo relatório da Aon, elaborado em parceria com a TTR Data e a Datasite, o Brasil registrou 256 operações de fusões e aquisições no primeiro trimestre de 2026, uma queda de 43% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar da redução no número de negócios, o valor agregado das transações saltou 114%, alcançando US$ 17,7 bilhões.

O crescimento de 114% no valor das operações de M&A mostra que o capital continua disposto a investir, mas de forma mais concentrada e seletiva. O investidor global está buscando ativos resilientes, capazes de atravessar ciclos de turbulência, diz o diretor da Zaxo.

E é justamente nesse cenário de reacomodação global do capital que o Brasil ganha relevância, cada vez mais como uma alternativa estratégica e não apenas como um mercado emergente. Enquanto parte do mundo convive com conflitos armados, disputas comerciais e riscos crescentes de interrupção de cadeias produtivas, o país reúne atributos que se tornaram escassos: disponibilidade de recursos naturais, capacidade energética e estabilidade institucional relativa quando comparada a outras regiões, afirma Nesello.

Na avaliação do executivo, a combinação desses fatores tende a fortalecer o papel do Brasil como destino de investimentos estratégicos. Nesse contexto, setores ligados à energia, infraestrutura, agronegócio e recursos naturais passam a ocupar posição privilegiada nas decisões de alocação de capital, destaca.

Energia: petróleo e oportunidade

O setor de energia é um dos exemplos mais evidentes. Em meio às preocupações globais sobre o fornecimento de petróleo, empresas internacionais têm ampliado sua atenção ao Brasil. Em março de 2026, a Shell afirmou enxergar uma enorme oportunidade para investimentos no petróleo brasileiro justamente em razão da estabilidade do país em comparação a outras regiões produtoras. A companhia destacou que a produção nacional ganha importância à medida que compradores globais buscam reduzir sua dependência do Oriente Médio.

A relevância estratégica da América do Sul também aparece nos números. Em 2026, Brasil, Guiana e outros produtores da região ampliaram sua participação no abastecimento global em um momento de redução da oferta oriunda do Oriente Médio. A reorganização do mercado global de energia já produz reflexos concretos. Desde 2021, as exportações brasileiras de petróleo cresceram 71%, e o país embarcou mais de 361 milhões de barris apenas nos cinco primeiros meses de 2026. Em meio às restrições de oferta provocadas pela crise no Oriente Médio, Brasil e Guiana responderam por grande parte do aumento das exportações sul-americanas, transformando a região em uma das principais alternativas ao petróleo oriundo do Golfo Pérsico.

O executivo conclui: A guerra no Oriente Médio está acelerando uma reorganização dos fluxos globais de capital. E o Brasil precisa aproveitar essa janela. O desafio agora é transformar essa vantagem potencial em atração efetiva de investimentos. Quem conseguir se posicionar melhor durante essa reconfiguração global tende a colher os resultados por muitos anos.