11 de agosto de 2026

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Planeje agora para crescer em 2027

Economia Planejamento 11/08/2026 14:18 Carolina Lara (Lara Comunicação)

Empresários brasileiros enfrentam juros altos, inadimplência recorde e reforma tributária. Especialista dá dicas para proteger o caixa e se preparar para o próximo ano.

Os últimos meses deixaram claro que o desafio dos empresários brasileiros vai muito além de vender mais. Mesmo com o início do ciclo de redução da taxa Selic, o crédito continua restritivo, o número de empresas inadimplentes atingiu o maior patamar da série histórica da Serasa Experian e a transição da reforma tributária já começou a alterar decisões sobre precificação, tecnologia e gestão. Ao mesmo tempo, cerca de 77 milhões de brasileiros seguem negativados, segundo a CNDL e o SPC Brasil, o que mantém o consumo pressionado e exige ainda mais eficiência das empresas.

Com essa pressão sobre caixa, crédito e consumo, empresários começam a trocar a preocupação com as metas de 2026 pelo planejamento que definirá a competitividade em 2027.

  • A inadimplência das empresas está no maior nível já registrado no Brasil.
  • 77 milhões de brasileiros estão com o nome negativado, afetando o consumo.
  • A reforma tributária já começa a mudar decisões sobre preços e tecnologia.
  • Especialista recomenda planejar o próximo ano ainda em 2026.
  • Empresas que se organizarem antes terão vantagem competitiva.

Para Ravell Nava, formado em Propaganda e Marketing, fundador da Brl Educação, empresa especializada na formação de empresários e líderes, esperar o início do próximo ano para reorganizar a empresa pode significar perder competitividade justamente quando o mercado começar um novo ciclo.

Não espere janeiro

"O empresário que esperar janeiro para pensar em 2027 normalmente chega atrasado. Os próximos meses precisam ser usados para fortalecer o caixa, revisar custos, aumentar a produtividade e preparar a empresa para um ambiente econômico que continuará exigindo eficiência", afirma.

O ambiente econômico explica essa preocupação. Dados da Serasa Experian mostram que mais de 8 milhões de empresas estavam inadimplentes em junho, o maior número já registrado pela instituição. Paralelamente, cresceram os pedidos de recuperação extrajudicial no país, reflexo do alto custo do crédito e da necessidade de reorganização financeira de milhares de negócios.

Foco na margem, não só na venda

Na avaliação do empresário, muitas empresas ainda concentram seus esforços exclusivamente em aumentar o faturamento, quando o verdadeiro desafio passou a ser preservar margem e gerar caixa. "Existe uma diferença entre crescer e construir uma empresa saudável. É possível vender mais, aumentar o faturamento e terminar o mês com menos dinheiro disponível porque a margem diminui ou os custos cresceram acima da receita", ressalta.

Reforma tributária: antecipe-se

Outro ponto que ganhou espaço na agenda das lideranças é a preparação para a reforma tributária. Embora a implementação ocorra de forma gradual, Ravell acredita que empresas que anteciparem essa adaptação terão uma vantagem competitiva importante.

"A reforma tributária não começa quando a nova cobrança entra em vigor. Ela começa quando o empresário entende que precisa revisar processos, contratos, precificação e sistemas para reduzir riscos e aumentar a eficiência da operação", observa.

Produtividade é a chave

Além das mudanças fiscais, a produtividade passou a ser uma das principais preocupações das empresas. Em um ambiente de custos elevados, ampliar equipes deixou de ser a primeira alternativa para crescer. O foco passou a ser fazer mais com a estrutura existente. "Hoje, indicadores como geração de caixa, margem operacional, produtividade comercial e rentabilidade têm um peso muito maior nas decisões estratégicas do que apenas o volume de vendas. Quem acompanha esses números consegue corrigir a rota antes que o problema apareça no resultado financeiro", aponta.

Tecnologia com cautela

A inteligência artificial também entrou definitivamente na rotina das empresas, mas Ravell faz um alerta sobre o entusiasmo em torno da tecnologia. "Não existe ferramenta capaz de resolver problemas de gestão. A inteligência artificial acelera empresas organizadas, mas também potencializa erros quando os processos continuam desestruturados", destaca.

Eventos para empresários

Esse debate tem se repetido nas formações e encontros promovidos pela Brl Educação em diferentes regiões do país. Ao longo de agosto, Ravell Nava realizará as formações Brl Salus, em Brasília, nos dias 21, 22 e 23 - formação dedicada a donos de clínicas. Ainda em Brasília, nos dias 28, 29 e 30, realizam a formação Brl Focus - formação focada em gestão e estratégia.

A agenda inclui ainda o 3º Encontro do Match, em 25 de agosto. Segundo o empresário, independentemente do segmento, as principais dúvidas dos participantes giram em torno dos mesmos temas: organização financeira, produtividade, como vender mais e como gerir melhor seus times.

"Quem usar o segundo semestre apenas para buscar mais vendas pode até fechar o ano com um faturamento maior. Mas quem aproveitar esse período para fortalecer a gestão chegará em 2027 com muito mais capacidade para crescer de forma consistente", conclui.

Sete decisões para chegar mais competitivo em 2027

  1. Reavalie as metas definidas no início do ano
    O mercado mudou nos últimos meses. Rever objetivos não significa desistir deles, mas adaptar o planejamento à realidade da empresa.
  2. Coloque o caixa no centro das decisões
    Fluxo de caixa saudável garante capacidade de investimento, negociação com fornecedores e maior resistência a períodos de instabilidade.
  3. Análise margem antes de comemorar o faturamento
    Crescer vendendo mais nem sempre significa ganhar mais. Empresas competitivas acompanham rentabilidade por produto, cliente e operação.
  4. Antecipe a adaptação à reforma tributária
    Revisar processos, contratos, sistemas e estratégias de precificação agora reduz riscos e evita decisões tomadas às pressas durante a transição.
  5. Aumente a produtividade antes de ampliar a equipe
    Automatizar processos, reduzir retrabalho e organizar indicadores costuma gerar resultados mais rápidos e sustentáveis do que simplesmente contratar mais pessoas.
  6. Revise custos e renegocie contratos
    O segundo semestre é uma oportunidade para identificar despesas que deixaram de fazer sentido, melhorar acordos com fornecedores e recuperar eficiência operacional.
  7. Entre em 2027 com um plano, não com expectativas
    Defina orçamento, fluxo de caixa, prioridades de investimento, metas e indicadores antes da virada do ano. Empresas que planejam com antecedência costumam reagir melhor às mudanças do mercado.