11 de agosto de 2026

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Dívida empresarial: como usar crédito para crescer sem quebrar

Economia Dívida 11/08/2026 10:46 Carolina Lara (Lara Comunicação)

Saiba como a dívida pode ajudar ou afundar uma empresa, com dicas do contador Jean Lucas Paiva para usar crédito com planejamento e evitar a inadimplência.

O número recorde de empresas inadimplentes no Brasil reacendeu o debate sobre a qualidade do endividamento corporativo. Em abril de 2026, 9 milhões de negócios estavam negativados, segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. Ao mesmo tempo, dados das Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central mostram que o crédito continua sendo um importante instrumento de financiamento da atividade empresarial. Para especialistas, esse contraste reforça que o problema não está na dívida empresarial em si, mas na falta de planejamento e de clareza sobre o que ela efetivamente financia.

Para Jean Lucas Paiva, contador, diretor comercial da Consult Seven, empresa de contabilidade e consultoria especializada em planejamento tributário, contabilidade consultiva, gestão financeira para médias e grandes empresas, a dívida empresarial pode ser uma ferramenta estratégica quando está vinculada a um objetivo claro e acompanhada por planejamento financeiro.

  • Em abril de 2026, 9 milhões de empresas estavam inadimplentes no Brasil, segundo a Serasa Experian.
  • O total de dívidas das empresas chegou a R$ 220,9 bilhões, o maior valor já registrado.
  • Dívida saudável é aquela usada para investir, melhorar a produção ou expandir o negócio, com expectativa de retorno.
  • Dívida perigosa é aquela usada para pagar contas vencidas ou cobrir buracos no caixa, sem planejamento.
  • A contabilidade consultiva ajuda o empresário a entender o custo do crédito, o impacto no fluxo de caixa e a capacidade de pagamento.

"A dívida empresarial não é, por si só, um sinal de má gestão. Muitas empresas cresceram utilizando crédito de forma inteligente. O risco aparece quando o empresário não consegue responder exatamente o que aquela dívida está financiando, qual será o retorno esperado e como ela será paga. Quando essas respostas não existem, o crédito deixa de ser uma ferramenta de crescimento e passa a sustentar um problema financeiro", afirma.

Dívida empresarial precisa ter finalidade

O levantamento da Serasa Experian revela que as empresas inadimplentes acumulavam R$ 220,9 bilhões em dívidas em abril, maior volume já registrado pela série histórica. O dado demonstra que recorrer ao crédito faz parte da realidade empresarial, mas também evidencia que muitas organizações ainda utilizam empréstimos para compensar desequilíbrios financeiros em vez de apoiar investimentos produtivos.

Segundo o contador, a principal diferença entre uma dívida saudável e um endividamento perigoso está na finalidade do recurso. "Existe uma diferença enorme entre contratar crédito para ampliar capacidade produtiva, investir em tecnologia, aumentar estoque para atender uma demanda prevista ou financiar uma expansão e utilizar empréstimos apenas para pagar contas vencidas. No primeiro caso existe planejamento e expectativa de retorno. No segundo, normalmente apenas se prolonga uma dificuldade financeira que já existia", explica.

Contabilidade consultiva transforma números em decisões

Na avaliação do especialista, muitas empresas acompanham apenas o saldo bancário e deixam de analisar indicadores capazes de mostrar se a operação gera caixa suficiente para sustentar novos financiamentos. "A contabilidade consultiva permite que o empresário compreenda exatamente quanto custa uma operação de crédito, qual impacto ela terá no fluxo de caixa, em quanto tempo esse investimento deverá gerar retorno e se a empresa possui capacidade financeira para assumir esse compromisso. Essa visão reduz riscos e melhora a qualidade das decisões", ressalta.

Ele destaca que esse acompanhamento se torna ainda mais relevante diante das mudanças provocadas pela Reforma Tributária e da necessidade crescente de integração entre gestão financeira, planejamento tributário e controle operacional.

Crédito deve financiar crescimento e não desorganização

Para o contador, empresas que tratam o crédito apenas como solução para problemas imediatos tendem a aumentar sua exposição financeira ao longo do tempo. "O crédito precisa financiar crescimento, ganho de produtividade, expansão ou aumento de competitividade. Quando ele é utilizado apenas para cobrir buracos de caixa, pagar tributos atrasados ou manter uma operação que já perde rentabilidade, o empresário apenas adia um problema que continuará existindo", observa.

Segundo Jean, a principal mudança de mentalidade está em compreender que a dívida empresarial não deve ser analisada isoladamente, mas como parte da estratégia financeira do negócio. "O empresário precisa conhecer seu fluxo de caixa, acompanhar indicadores, entender sua margem de lucro e projetar cenários antes de contratar qualquer operação de crédito. Quando existe clareza sobre esses números, a dívida empresarial deixa de representar um risco e passa a ser uma ferramenta de crescimento sustentável", conclui.

Sobre Jean Lucas Paiva

Jean Lucas Paiva é contador e sócio-proprietário da Consult Seven, onde atua como Diretor Comercial. Com mais de 15 anos de experiência na área contábil, sua atuação é voltada ao planejamento e à otimização tributária para empresas de médio e grande porte, com foco em operações no regime de Lucro Real.

É graduado em Ciências Contábeis pela Universidade Positivo, pós-graduado em Gestão Tributária pela PUC-PR e possui MBA em Gestão Empresarial pela FGV-PR. Acompanha de perto as mudanças trazidas pela Reforma Tributária e atua na identificação de oportunidades fiscais dentro da legislação vigente.

Além da atuação na Consult Seven, é palestrante e mentor tributário fixo do Grupo Bom Gourmet e já participou do programa Câmera Brasil como especialista em Reforma Tributária. Recebeu Menção Honrosa pela trajetória no setor contábil brasileiro.