11 de agosto de 2026

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Importar da China agora exige planejamento e gestão de riscos

Economia Importação 11/08/2026 10:41 Carolina Lara (Lara Comunicação)

As importações brasileiras da China bateram recorde, mas o foco mudou: não basta buscar o menor preço. Agora, é preciso planejar, escolher bons parceiros e gerenciar riscos para ter sucesso.

A China continua sendo a principal origem das importações brasileiras, respondendo por cerca de um quarto de tudo o que o país compra no exterior, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Em 2025, as importações brasileiras provenientes do país asiático alcançaram US$ 70,9 bilhões, o maior volume da série histórica, reforçando o papel estratégico da China para cadeias produtivas de setores como indústria, construção civil, tecnologia e bens de consumo.

Se antes o desafio era encontrar fornecedores confiáveis, hoje a preocupação das empresas mudou. Em um ambiente marcado por margens mais apertadas, oscilações logísticas e maior concorrência internacional, importar deixou de ser uma decisão baseada apenas no menor preço e passou a exigir planejamento, inteligência comercial e gestão de risco.

  • Em 2025, o Brasil importou US$ 70,9 bilhões da China, um recorde histórico.
  • Importar não é mais só buscar o menor preço; é preciso planejar e gerenciar riscos.
  • Gustavo Braz, especialista em importação, explica que a relação com fornecedores chineses deve ser de longo prazo.
  • Auditorias e testes de produtos são essenciais para evitar prejuízos.
  • Calcular todos os custos envolvidos é fundamental para uma operação saudável.

Por que o preço não é mais o único fator

Para Gustavo Braz, CEO do Grupo PMD, localizar fabricantes deixou de representar uma vantagem competitiva. O diferencial agora está na capacidade de selecionar parceiros confiáveis, compreender a operação industrial e construir relações de longo prazo. "Hoje qualquer empresário consegue encontrar um fornecedor pela internet. O que poucos conseguem é validar sua capacidade produtiva, entender seus processos e construir uma parceria capaz de entregar qualidade e previsibilidade ao longo dos anos", afirma o executivo.

Na avaliação do fundador, um dos erros mais recorrentes é concentrar toda a negociação no valor da mercadoria. Segundo ele, diferenças aparentemente pequenas na capacidade produtiva, nos processos de fabricação ou no controle de qualidade podem gerar prejuízos expressivos quando o produto chega ao Brasil. "Uma economia na compra pode se transformar em um custo muito maior quando surgem atrasos, devoluções ou falhas de desempenho. A importação deixou de ser uma negociação pontual e passou a exigir gestão permanente da cadeia de fornecimento", ressalta.

Como as empresas estão se adaptando

Essa mudança também alterou a forma como as empresas brasileiras negociam com fabricantes chineses. Auditorias presenciais, visitas técnicas, homologação de fornecedores, testes de produtos e acompanhamento da produção passaram a integrar a rotina de empresas que buscam reduzir riscos e garantir estabilidade no abastecimento.

Para quem pretende iniciar operações internacionais, o especialista recomenda que o planejamento anteceda qualquer negociação comercial. Antes de solicitar cotações, a empresa deve identificar quais produtos fazem sentido para sua estratégia, verificar exigências regulatórias, avaliar a estrutura dos fabricantes e mapear todos os custos envolvidos na operação, incluindo frete, armazenagem, seguros, desembaraço aduaneiro, tributação e exposição cambial.

"O empresário que calcula apenas o valor da mercadoria dificilmente terá uma operação saudável. A competitividade nasce quando todos os custos são conhecidos antes da compra e quando existe previsibilidade sobre prazos, qualidade e abastecimento", observa.

Relacionamento direto com fabricantes

Outro aspecto que ganhou importância é a construção de relacionamento direto com as indústrias. Na visão do executivo, conhecer os processos produtivos e manter contato frequente com os fabricantes permite negociar melhores condições comerciais, acompanhar evoluções técnicas e desenvolver produtos mais alinhados às necessidades do mercado brasileiro.

"A relação deixa de ser apenas comercial. Quando existe confiança entre fabricante e importador, surgem oportunidades para desenvolver produtos exclusivos, negociar condições mais competitivas e responder com mais rapidez às mudanças do mercado", explica.

O avanço das plataformas digitais facilitou o acesso a fornecedores em praticamente todos os segmentos, mas também aumentou a necessidade de critérios mais rigorosos na seleção de parceiros. Para Gustavo Braz, essa nova realidade exige uma postura mais estratégica das empresas.

"Quem continuar importando apenas pelo menor preço terá cada vez mais dificuldade para competir. As empresas que vão crescer são aquelas capazes de transformar a relação com seus fornecedores em uma vantagem estratégica para todo o negócio", conclui.

Na prática, a importação direta da China deixou de representar apenas uma alternativa para reduzir custos e passou a fazer parte da estratégia de crescimento das empresas. Mais do que comprar produtos no exterior, o desafio agora é construir uma cadeia de suprimentos capaz de combinar qualidade, previsibilidade e capacidade de adaptação em um cenário internacional cada vez mais dinâmico.