Em julho, as vendas brasileiras para os Estados Unidos recuaram 5%, enquanto as importações cresceram 7,6%. O superávit comercial foi 17% menor que o previsto, mesmo com alta de 6,2% nas exportações totais. Especialistas avaliam os impactos das novas tarifas americanas na economia brasileira.
As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 5% em julho, enquanto as importações totais cresceram 7,6%. Com isso, o superávit comercial ficou 17% abaixo do esperado pelo mercado, mesmo com as exportações totais tendo aumentado 6,2% em dólares. Os especialistas apontam que o principal motivo foi a queda de 4,3% no volume embarcado, apesar do preço médio dos produtos exportados ter subido 10,8%.
- As vendas para os EUA representam cerca de 10% das exportações brasileiras.
- As novas sobretaxas americanas afetam 23,1% das exportações brasileiras para os EUA.
- A China compra quase um terço das exportações brasileiras, ajudando a compensar perdas.
- A queda no volume exportado pode impactar o PIB, pois as contas nacionais medem a produção real.
- O Banco Central reduziu a Selic para 14%, mas pode ter menos espaço para cortes futuros se o câmbio se desvalorizar.
Segundo Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, o impacto das tarifas será desigual: enquanto alguns setores sofrerão mais, outros podem redirecionar suas vendas para outros mercados. Ele destaca que a diversificação e a gestão de riscos são essenciais nesse cenário.
Impacto na economia e no câmbio
Gustavo Assis, CEO da Asset, ressalta que o dado mais importante é a queda no volume embarcado, pois o faturamento maior veio apenas do aumento de preços. Para o PIB, isso importa, pois as contas nacionais medem a produção real. Apesar disso, ele acredita que o impacto agregado será limitado, mas pode ser maior em setores e regiões dependentes do mercado americano.
Peterson Rizzo, da Multiplike, analisa que o efeito das tarifas sobre a inflação não é automático. Se o câmbio se desvalorizar de forma persistente, produtos importados ficam mais caros, pressionando a inflação e limitando novos cortes de juros. Por outro lado, a queda na demanda pode ter efeito desinflacionário.
André Matos, da MA7 Capital, lembra que o superávit acumulado no ano é de US$ 49 bilhões e que a queda de 5% para os EUA tem efeito direto pequeno sobre o PIB. O risco cambial está mais ligado à escalada diplomática do que ao fluxo comercial em si.
Capacidade de redirecionar exportações
Letícia Moschioni, da Finscale, destaca que o Brasil já mostrou capacidade de redirecionar exportações: em período anterior de tarifas, a perda de US$ 3,8 bilhões para os EUA foi compensada por um aumento de US$ 11,6 bilhões para outros países. No entanto, produtos industriais feitos sob medida para o mercado americano terão mais dificuldade de encontrar novos compradores.
Valdir Piran Jr., do Grupo Intra, avalia que o maior risco não é a queda de 5%, mas a possibilidade de o choque comercial contaminar câmbio, inflação e expectativas, reduzindo o espaço para uma Selic menor.
Fábio Murad, da Ipê Avaliações, pondera que a queda de 5% sozinha não causará desvalorização relevante do real, pois ainda há oferta de dólares pelo comércio exterior. Mas se a redução nas vendas persistir e as importações continuarem crescendo, o colchão externo diminui e o câmbio fica mais sensível a choques.

Exportações Imagem gerada por IA


