06 de agosto de 2026

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Investimentos em estradas e transporte ainda são muito baixos, diz CNT

Economia Investimentos 06/08/2026 14:24 Daniel Fernandes - Sistema Transporte (CNT)

A CNT (Confederação Nacional do Transporte) divulgou um estudo mostrando que o Brasil precisa de R$ 2,03 trilhões em investimentos em infraestrutura até 2026, mas o governo federal tem investido apenas 0,13% do PIB por ano. O documento sugere medidas para melhorar estradas, ferrovias e portos, o que ajudaria a economia a crescer, gerar empregos e reduzir custos para todos.

Para que a economia do Brasil cresça, é preciso que o transporte de mercadorias e pessoas funcione melhor, com estradas, ferrovias, portos e aeroportos de qualidade. É isso que diz a CNT (Confederação Nacional do Transporte), que apresentou um documento chamado O Transporte Move o Brasil com propostas para melhorar a infraestrutura do país e o Plano CNT de Transporte e Logística 2026.

Esse plano mostra que o Brasil precisa de R$ 2,03 trilhões para investir em 2.837 projetos importantes, como obras para ligar regiões do país e melhorar o transporte nas cidades. Esse valor representa 16% do PIB (tudo que o país produz) de 2025. Porém, os investimentos feitos pelo governo federal em transporte foram, em média, de apenas 0,15% do PIB por ano entre 2015 e 2025. No ano passado, os gastos foram de R$ 16,67 bilhões, o que é muito pouco e mostra a necessidade de aumentar os recursos.

  • Falta de dinheiro: O Brasil investe muito pouco em transporte. Para resolver, é preciso aumentar os recursos públicos e incentivar a participação de empresas privadas.
  • Estradas cheias: As rodovias são usadas para transportar 65,8% das cargas do país, um número muito alto comparado a países como EUA (43%), China (35%) e Austrália (27%).
  • Dinheiro que volta: Cada R$ 1 investido em rodovias pela iniciativa privada pode gerar até R$ 4,77 para a economia. Se for o governo, esse valor é de R$ 4,64.
  • Transporte variado: Para melhorar, seria preciso usar mais trens, navios e aviões, e não só caminhões, para diminuir custos e poluição.
  • Regras claras: Para atrair investimentos, é preciso ter leis e contratos estáveis, para que as empresas tenham confiança em investir no setor.

Hoje, o transporte de cargas no Brasil é feito principalmente por rodovias (65,8%), um número bem maior do que em países de tamanho parecido, como Estados Unidos (43%), China (35%) e Austrália (27%). A CNT defende que é preciso integrar mais as rodovias com ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos, para deixar o sistema de transporte mais equilibrado e eficiente.

Para conseguir mais dinheiro para obras, a CNT propõe que o governo use recursos de pedágios e outras concessões para reinvestir no próprio setor. Também quer que o dinheiro da Cide-Combustíveis (um imposto sobre combustíveis) seja usado para investimentos em transporte e que o governo não corte esses recursos do Orçamento.

Outra ideia é fortalecer o mercado de capitais (onde empresas buscam dinheiro) e as parcerias com o setor privado, dando mais segurança jurídica e estabilidade para os negócios. Em 2025, as empresas captaram R$ 62,12 bilhões em debêntures (um tipo de empréstimo) para o setor de transporte, mostrando que há interesse, mas é preciso criar um ambiente de confiança.

Investir em infraestrutura também movimenta a economia como um todo. Um estudo da CNT mostra que cada R$ 1 investido em rodovias pela iniciativa privada pode gerar até R$ 4,77 no PIB do setor de transporte em até nove meses. Já o dinheiro público pode gerar R$ 4,64 em até 18 meses. Esses números mostram o poder dos investimentos em obras.

Os países que mais crescem são aqueles que conseguem transformar infraestrutura em política de Estado. O Brasil precisa garantir planejamento de longo prazo, segurança jurídica e previsibilidade para investir, integrar as diferentes modalidades e criar um ambiente favorável ao capital privado, disse o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa.

Os estudos da CNT mostram que a infraestrutura ajuda o país a produzir mais. Só em 2025, foram transportadas mais de 1,07 bilhão de toneladas em rodovias, sendo que 75% disso foi feito por empresas de caminhão. Nas ferrovias, foram mais de 554,5 milhões de toneladas; nos portos, mais de 1,4 bilhão de toneladas; nos aeroportos, passaram mais de 130,6 milhões de passageiros; e no transporte coletivo urbano, são 29,9 milhões de passageiros por dia em 2.962 municípios.

Além de obras, o setor também precisa de crédito para renovar frotas de caminhões, ônibus, navios, locomotivas e aeronaves, melhorar os polos logísticos e modernizar as vias. O papel de grandes bancos públicos, como o BNDES, é importante para financiar e estruturar esses projetos. Para a CNT, aumentar a capacidade de transporte com integração e reformas é essencial para reduzir custos, tornar as empresas brasileiras mais competitivas e criar um ciclo de crescimento com empregos e desenvolvimento regional.