Com mais de 80% das famílias brasileiras endividadas, a compra de imóveis e carros exige atenção. Saiba quais são os principais erros que podem prejudicar suas finanças e como se planejar para fazer boas escolhas e proteger seu patrimônio.
Com 80,9% das famílias brasileiras endividadas, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a compra de imóveis, veículos e outros bens de alto valor passou a esconder riscos que vão muito além das parcelas. Especialistas alertam que decisões tomadas sem planejamento, pressa para fechar negócio e a escolha errada de crédito estão entre os principais fatores que levam consumidores a perder dinheiro mesmo quando acreditam estar fazendo um bom investimento.
Para Carlos Fuzinelli, CEO e cofundador da FVL Consórcios, empresa especializada em planejamento financeiro, consórcios e aquisição de bens, boa parte dos problemas enfrentados por quem compra imóveis, veículos ou outros bens de alto valor não está ligada à falta de renda, mas sim à falta de estratégia financeira. "O erro financeiro mais caro geralmente não é a parcela. É uma decisão tomada sem análise. Quando a compra acontece por impulso ou sem avaliar o impacto de longo prazo, o consumidor pode comprometer anos da sua capacidade de poupar e construir patrimônio", afirma.
- 80,9% das famílias estão endividadas: o dado é da CNC e mostra que a maioria das famílias precisa de cuidado extra com as finanças.
- Olhar só para a parcela é arriscado: o valor que cabe no bolso hoje pode esconder um custo total muito maior no futuro por causa dos juros e taxas.
- Planejar antes de assinar é essencial: a compra de um bem envolve mais do que o valor do contrato, garantindo que você não vai se endividar.
- Existem várias opções de crédito: financiamento, consórcio e empréstimo têm características diferentes. É preciso comparar antes de escolher.
- Comprar por impulso é perigoso: a pressa pode levar a decisões erradas que prejudicam suas finanças e seu planejamento para o futuro.
Entenda os erros que mais comprometem o seu patrimônio
1. Avaliar apenas a parcela e esquecer o custo total
Muitos consumidores pensam apenas no valor da mensalidade que cabe no orçamento, mas esquecem de calcular quanto irão pagar no final de todo o financiamento. Juros, taxas, seguros e prazos mais longos podem mudar uma compra barata em um grande prejuízo.
Para Fiorini, o valor da parcela não mostra tudo. Quem só presta atenção no quanto vai pagar por mês pode acabar assumindo uma dívida que vai custar muito mais do que imaginava.
2. Aumentar uma dívida sem planejamento e reserva de emergência
Comprar um imóvel ou um carro não termina com a assinatura do contrato. Depois de comprar, é preciso pagar a manutenção, os impostos, a documentação, o seguro e ainda se preparar para imprevistos. Tudo isso precisa ser considerado antes de fechar o negócio.
Fuzinelli explica que o planejamento financeiro precisa analisar não só a compra em si, mas também como você vai sorrir a manutenção desse bem ao longo dos anos sem colocar a segurança financeira da sua família em risco.
3. Aceitar a primeira opção de crédito sem pesquisar
Existem várias formas de financiar uma compra grande: o financiamento, o consórcio, o empréstimo com garantia e outros. Cada um tem suas regras, seus custos e é mais indicado para um tipo de situação. Quem só escolhe pelo que é mais rápido de ser aprovado pode acabar contratando uma solução que não é a mais barata ou adequada para o seu caso.
Segundo o CEO da FVL, para escolher o crédito certo, preciso pensar no prazo, no custo final e no momento financeiro.
4. Comprar por impulso, sem pensar em objetivos de vida
A pressa para resolver tudo, a criatura de uma promoção ou a sensação de que a oportunidade é única podem fazer com que a gente decida sem pensar. É comum comprar um carro novo por causa da aflição de outros, ou por um impulso, sem saber se aquilo é realmente o que você precisa a a prioridade naquele momento.
Para Carlos, o impulso é um dos grandes ruins da construção de um patrimônio sólido. Uma compra que parece urgente hoje nem sempre vai fazer sentido amanhã. Com calma e planejamento, dá para evitar esse erro.
5. Comprometer a renda total com parcelas de muitos anos
Um dos principais sinais de perigo nas finanças é quando grande parte do seu salário soma com dívidas. Se, para pagar um bem, você usa uma parte muito grande da sua renda, vai ficar difícil poupar, investir e ter dinheiro para imprevistos que acontecem.
Para Fuzinelli, o patrimônio deve trazer segurança, e também o quê. Quando a compra compromete demais a renda da família, a liberdade de escolher fica limitada, e a sua segurança financeira fica em jogo.
A importância de olhar para o futuro
Com taxas de juros ainda mais altas no país, cuidar do planejamento financeiro se tornou ainda mais importante. O custo de pensar um crédito é grande, e por isso, antes de assinar qualquer contrato, vale a pena pausar e analisar os impactos de longo prazo.
Na visão do especialista, a maioria dos prejuízos financeiros não acontece por falta de oportunidade, e sim por não analisar com cuidado o que está sendo feito com o dinheiro.
"O consumidor costuma gastar bastante tempo para analisar o imóvel ou o carro que vai comprar, mas quase nenhum tempo para pensar sobre a forma de pagamento. É esse segundo ponto que decide se compra vai fazer o seu patrimônio crescer ou diminuir", ressalta.
Antes de fazer uma compra de grande valor, o experts lembra que é preciso se fazer três perguntas principais:
- Quanto o bem vai custar ao meu orçamento no futuro
- Qual o custo total da compra, incluindo juros e taxas
- Esse bem vai contribuir para o meu patrimônio a longo prazo
Planejar, comparar e ter uma boa visão do seu orçamento são hábitos que protegem o seu patrimônio e evitam prejuízos desnecessários.

Carolina Lara - Lara Comunicação



