Mesmo com a possível queda de juros, a taxa Selic em 14% ao ano ainda é muito alta para micro e pequenas empresas, que sofrem com o crédito caro e difícil de conseguir.
O empresário de micro e pequena empresa sente no bolso cada decisão do Copom antes mesmo de qualquer análise de mercado. Com a Selic em 14,25% ao ano, renovar uma linha de crédito para capital de giro, financiar um equipamento ou simplesmente cobrir o caixa em um mês mais fraco custa caro, e esse custo chega ao pequeno negócio de forma desproporcional em relação a empresas maiores, que têm acesso a linhas mais baratas e melhores condições de negociação com os bancos.
O Comitê de Política Monetária do Banco Central encerra hoje (5) sua quinta reunião de 2026, com decisão sobre a Selic prevista para depois do fechamento dos mercados. O mercado financeiro trabalha majoritariamente com a expectativa de um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica, que sairia dos atuais 14,25% para 14,00% ao ano, movimento que daria sequência ao ciclo de reduções já promovido nas reuniões de março, abril e junho. Mesmo que a queda se confirme, o patamar resultante segue entre os mais altos do mundo em termos reais, o que mantém o crédito produtivo fora do alcance de boa parte das micro e pequenas empresas.
Resumo rápido da notícia
- A Selic é a taxa básica de juros do país e influencia o preço de todos os empréstimos.
- O Copom é o comitê do Banco Central que decide se a Selic sobe, desce ou fica parada.
- Com juros altos, fica mais caro para a pequena empresa pegar dinheiro emprestado para investir ou cobrir despesas.
- Bancos e fintechs costumam repassar só uma parte da queda dos juros para o cliente final.
- Micro e pequenas empresas são as que mais geram empregos no Brasil, mas são as que mais sofrem com o crédito caro.
O cenário para a decisão de hoje não é unânime entre analistas. A hipótese mais cotada é o corte de 0,25 ponto, que manteria o ritmo gradual adotado pelo Copom desde março e aliviaria, ainda que pouco, o custo do crédito sentido no dia a dia pelos empresários de micro e pequenas empresas.
Uma eventual manutenção da taxa em 14,25%, hipótese menos provável mas presente entre parte do mercado diante dos riscos inflacionários e da instabilidade geopolítica recente, prolongaria o aperto sobre o caixa das MEIs, Micro e Pequenas Empresas, especialmente as que dependem de linhas de crédito de curto prazo para capital de giro.
Já um corte mais agressivo, cenário defendido por poucos economistas neste momento, traria alívio mais imediato para a margem das micro e pequenas empresas, mas exigiria do Banco Central sinalização clara de controle da inflação para não pressionar o câmbio e os preços de insumos importados.
Para o SIMPI/ASSIMPI, entidade que representa MEIs, Micro e Pequenas Empresas em todo o país, qualquer corte é bem-vindo, mas segue distante do que os empresários de micro e pequenas empresas precisam para respirar. O crédito bancário para esse porte de negócio continua caro mesmo em ciclo de queda de juros, porque bancos e fintechs praticam spreads que pouco acompanham o movimento da taxa básica, e o efeito de qualquer decisão do Copom sobre o dia a dia da micro e pequena empresa costuma levar meses para aparecer no balcão.
Joseph Couri, presidente do SIMPI/ASSIMPI, diz que a queda gradual da Selic é bem-vinda, mas não resolve sozinha o problema de acesso ao crédito enfrentado por quem sustenta o emprego no país. "Cada reunião do Copom que traz um corte é motivo de expectativa para quem empreende, e vive na ponta do sistema financeiro sentindo na pele a diferença entre o juro básico e o juro que chega no balcão do banco", afirma Couri.
A entidade reforça que MEIs, Micro e Pequenas Empresas respondem pela maior parte dos empregos formais gerados no Brasil e que a trajetória de queda da Selic, para se traduzir em benefício real, depende de bancos públicos e privados repassarem a redução ao crédito produtivo, além de medidas específicas de desoneração e simplificação tributária para o segmento.
O SIMPI/ASSIMPI acompanha a decisão do Copom, que sai ainda hoje, e volta a defender agenda de estímulo aos empresários de micro e pequenas empresas no segundo semestre de 2026. Joseph Couri está à disposição da imprensa para entrevistas e comentários sobre a decisão do Copom e seus efeitos sobre os empresários de MEIs, Micro e Pequenas Empresas.

MEIs, Micro e Pequenas Empresas aguardam decisão do Copom sobre a Selic. Foto: Shutterstock



