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Santa Catarina quer exportar empresas, tecnologia e inovação

Economia Internacionalização 04/08/2026 18:09 Bruno Albuquerque - International Business Access (IBA)

Entenda como o estado brasileiro pode usar sua força em inovação para conquistar o mercado europeu, com Portugal como porta de entrada.

Santa Catarina aprendeu a exportar produtos. Agora, o desafio da próxima década é aprender a exportar empresas, tecnologia e inovação. Pode parecer uma afirmação provocativa, mas Portugal talvez seja hoje o melhor retrato desse desafio.

Dados do Centro de Inteligência e Estratégia da FACISC, com base no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que a relação comercial entre Santa Catarina e Portugal cresceu bastante nos últimos dez anos. Em 2025, Santa Catarina exportou cerca de US$ 89 milhões para Portugal, e importou US$ 282,3 milhões, mantendo um déficit na balança comercial.

À primeira vista, o déficit pode parecer negativo. Mas o verdadeiro significado desses números é outro: ainda existe um enorme espaço para aumentar a presença das empresas catarinenses nesse mercado.

A pauta de exportações continua concentrada em produtos tradicionais da indústria e do agronegócio, como madeira, papel, máquinas, equipamentos e embarcações. São setores nos quais Santa Catarina já é muito competitiva. No entanto, uma pergunta precisa ser feita: como pode um dos maiores ecossistemas de inovação do Brasil praticamente não aparecer nas estatísticas de exportação de tecnologia e serviços para Portugal

  • Santa Catarina abriga um dos ecossistemas de inovação mais dinâmicos da América Latina, com destaque para Florianópolis, Joinville e Blumenau.
  • Em 2025, o estado exportou US$ 89 milhões para Portugal, mas importou US$ 282,3 milhões, principalmente produtos industrializados.
  • A internacionalização não é só vender para fora, mas também captar investimento, fazer parcerias e integrar cadeias globais.
  • Portugal é visto como porta de entrada para a Europa por causa da língua, cultura e integração à União Europeia.
  • Em novembro, acontece o programa Portugal Executive Access, organizado pela plataforma International Business Access (IBA), durante o Web Summit em Lisboa.

Um celeiro de tecnologia e inovação

Santa Catarina tem um dos ambientes mais dinâmicos de inovação da América Latina: Florianópolis é referência nacional em startups; Joinville é um polo tecnológico e industrial; Blumenau é forte em software; Criciúma, Chapecó e outras cidades estão crescendo em inteligência artificial, automação, agritechs, healthtechs e indústria 4.0. Mas essa força ainda se reflete pouco na presença internacional dessas empresas. Exportamos ótimos produtos, mas ainda exportamos poucas empresas, pouca tecnologia, poucos serviços.

Internacionalizar uma empresa já não significa apenas vender para outro país. Significa captar investimento, estabelecer parcerias estratégicas, desenvolver operações internacionais e integrar cadeias globais de inovação. E é justamente nesse contexto que Portugal assume um papel estratégico.

Acesso ao mercado europeu

Mais do que um destino de exportação, Portugal virou uma plataforma de acesso ao mercado europeu. A proximidade cultural e linguística, a estabilidade jurídica, a integração à União Europeia e o dinamismo do ecossistema de inovação fazem do país um lugar muito favorável para empresas brasileiras que querem se expandir. Essa aproximação ganha ainda mais relevância em agosto, quando Florianópolis recebe o Startup Summit, do Sebrae, que terá a etapa catarinense da Startup World Cup, organizada pela portuguesa Fast Track Ventures. Isso mostra que Santa Catarina está entrando no circuito global de inovação.

Mas eventos, por si só, não internacionalizam empresas. Eles aproximam pessoas, criam oportunidades e abrem portas. Transformar essas oportunidades em negócios exige continuidade, preparação e articulação institucional. Os empresários precisam conhecer novos mercados, entender os ambientes regulatórios, desenvolver confiança e construir uma presença internacional de longo prazo.

É exatamente esse tipo de iniciativa que Santa Catarina precisa multiplicar. Precisamos fortalecer as conexões entre empresas, universidades, investidores, ecossistemas de inovação, associações empresariais e instituições públicas. Criar pontes permanentes e transformar relações institucionais em relações comerciais.

International Business Access (IBA)

É dentro dessa lógica que surgem iniciativas para internacionalização estruturada das empresas catarinenses. Entre elas está a plataforma International Business Access (IBA), criada para aproximar empresários brasileiros de mercados estratégicos e promover conexões qualificadas. O primeiro programa, chamado Portugal Executive Access, acontecerá durante a semana do Web Summit, em novembro, em Lisboa. A proposta é reunir empresários que queiram entender melhor o mercado europeu, desenvolver relações estratégicas e acelerar seus processos de internacionalização. Os participantes também passam a integrar o IBA Board, uma comunidade internacional de atualização e troca de conhecimento.

Mas mais importante do que qualquer programa específico é a mudança de mentalidade que essas iniciativas procuram estimular. O empresário catarinense precisa parar de ver a internacionalização como algo só para grandes multinacionais. Isso deve fazer parte da estratégia de crescimento de empresas de todos os tamanhos.

Os dados da FACISC mostram que Santa Catarina já construiu uma relação econômica sólida com Portugal. O próximo passo é fazer com que essa relação deixe de ser só comercial e passe também a ser tecnológica, empresarial e inovadora. Santa Catarina já mostrou que sabe produzir, que sabe inovar. Agora é hora de mostrar ao mundo que também sabe internacionalizar seus negócios. Porque o futuro econômico do estado vai depender cada vez menos de produzir mais e cada vez mais de construir relações e negócios nos mercados onde o futuro já está sendo desenhado.