A reforma tributária está mudando o papel da contabilidade nas empresas. Entenda como uma gestão contábil mais estratégica ajuda a evitar prejuízos e a tomar decisões mais inteligentes sobre preços, investimentos e crescimento.
A reforma tributária colocou a gestão contábil no centro de decisões que vão muito além do pagamento de impostos. Desde janeiro de 2026, o país vive o ano de teste da CBS e do IBS, com alíquotas de 0,9% e 0,1%, respectivamente. A Receita Federal também informou, em julho, que prepara o cronograma para adequação dos documentos fiscais eletrônicos às novas exigências. Para as empresas, a mudança ocorre em um período no qual conhecer custos, margens e efeitos dos tributos sobre cada operação se tornou determinante para planejar os próximos anos.
- A reforma tributária começa a ser testada em 2026, com novas regras para CBS e IBS.
- Faturamento alto não significa negócio saudável: é preciso analisar quanto sobra após os custos.
- Contabilidade estratégica ajuda a decidir sobre preços, investimentos e expansão.
- A transição para o novo sistema tributário será gradual, com mudanças até 2033.
- Empresas precisam projetar o impacto das novas regras em margens e fluxo de caixa.
Para Vanderlei Goulart, contador e diretor-presidente da Meta Assessoria Empresarial, empresa especializada em soluções contábeis, fiscais e de gestão para empresas, tratar a contabilidade somente como responsável por guias, declarações e obrigações fiscais reduz a capacidade do empresário de enxergar o próprio negócio. Quando a contabilidade olha apenas para o que já aconteceu e para aquilo que precisa ser entregue ao Fisco, a empresa perde uma parte importante da informação que poderia usar para decidir. Os números precisam mostrar onde está a margem, quanto a operação realmente gera de resultado e qual é o impacto tributário das escolhas feitas pelo empresário, afirma.
Contabilidade começa antes do imposto
Na prática, informações que já fazem parte da rotina contábil podem responder a questões diretamente ligadas à gestão: quais produtos ou serviços entregam maior margem, quanto do faturamento é convertido em resultado, onde estão os custos que mais cresceram, qual é a necessidade de capital de giro e até que ponto uma expansão cabe no caixa.
Para Vanderlei, o erro está em analisar o faturamento isoladamente. Uma empresa pode vender mais e, ainda assim, comprometer a rentabilidade caso custos, despesas e carga tributária avancem em ritmo superior à receita. Faturamento alto não significa necessariamente negócio saudável. O empresário precisa entender quanto sobra depois de pagar fornecedores, equipe, despesas financeiras, impostos e toda a estrutura necessária para vender. É essa leitura que permite saber se crescer está realmente deixando a empresa mais rentável, explica o especialista.
Esse acompanhamento também muda a qualidade das decisões de expansão. Antes de abrir uma unidade, contratar funcionários, ampliar estoques ou investir em equipamentos, projeções de fluxo de caixa e rentabilidade permitem estimar o efeito da decisão sobre a estrutura financeira. A contabilidade deixa, assim, de registrar apenas o passado e passa a fornecer informações para escolhas futuras.
Reforma tributária aumenta a necessidade de planejamento
A transição tributária tornou essa mudança ainda mais urgente. Em 2026, as empresas começaram a conviver com as novas regras da CBS e do IBS, enquanto a substituição dos tributos atuais ocorrerá de forma gradual. Em 2027, PIS e Cofins serão extintos. Entre 2029 e 2032, ICMS e ISS serão progressivamente substituídos pelo IBS, até a entrada integral do novo modelo em 2033.
Para as empresas, isso significa que decisões sobre formação de preço, aproveitamento de créditos, contratos, fornecedores e estrutura operacional precisarão considerar os efeitos do novo sistema. Não basta esperar a mudança tributária acontecer para depois calcular o impacto. A empresa precisa projetar como suas margens, preços e fluxo financeiro podem ser afetados. É justamente nesse ponto que contabilidade, tributação e gestão precisam conversar, diz Goulart.
A Receita Federal estabeleceu ainda novas obrigações relacionadas à emissão de documentos fiscais com destaque individualizado da CBS e do IBS e às declarações previstas para determinados regimes. Em julho de 2026, o Fisco e o Comitê Gestor do IBS informaram que um novo cronograma de implementação dos documentos fiscais eletrônicos seria divulgado até o fim do mês.
Para Vanderlei, a mudança de mentalidade começa quando o empresário deixa de procurar a contabilidade somente para saber quanto precisa pagar. A pergunta mais importante não deveria ser apenas quanto tenho de imposto neste mês, mas o que os números estão mostrando sobre a empresa. Quando essa informação chega à gestão com qualidade, ela ajuda a corrigir decisões antes que o problema apareça no caixa, conclui.

(Ajustada por IA)




