A Starrett, multinacional de ferramentas de medição e corte, iniciou um programa para adaptar sistemas, processos fiscais e decisões de negócio ao novo modelo de tributação sobre o consumo, que começa a valer em 2026.
São Paulo, julho de 2026 A Reforma Tributária começa a sair do campo regulatório para entrar no centro da estratégia industrial. Na Starrett, multinacional referência em ferramentas e soluções para medição e corte, a transição para o novo modelo de tributação sobre o consumo já motivou um processo estruturado de revisão de custos, fluxos produtivos, formação de preços e impactos sobre a competitividade.
A companhia iniciou os estudos antes mesmo das primeiras exigências operacionais, com análise prévia da legislação, benchmarking com empresas e parceiros, apoio de consultoria tributária e envolvimento de áreas como fiscal, TI, custos, compras, comercial, contabilidade, financeiro e faturamento. O movimento foi apresentado à alta direção ainda na fase inicial, com o objetivo de tratar a reforma não apenas como uma adequação de sistema, mas como um programa corporativo de longo prazo.
- A reforma muda a forma de cobrar impostos sobre produtos e serviços.
- A Starrett é uma empresa que faz ferramentas de medição e corte.
- Eles estão se preparando para as novas regras desde 2025.
- A mudança pode afetar preços e custos dos produtos.
- A adaptação completa deve levar até 2033.
Estamos falando de uma das maiores mudanças estruturais do país. Por isso, entendemos desde o início que a Reforma Tributária não poderia ser tratada apenas como um projeto fiscal ou de tecnologia. Ela tem impacto sobre margem, formação de preço, fluxo de caixa e competitividade. A antecipação foi fundamental para que a empresa pudesse se preparar com mais segurança, afirma Letícia Salmoria, Gerente de Projetos da Starrett Brasil.
O primeiro ciclo de trabalho esteve concentrado na adequação fiscal e tecnológica. A partir de 2026, as empresas passaram a informar os novos tributos CBS e IBS nos documentos fiscais eletrônicos, ainda em fase de teste e calibragem. Na Starrett, essa etapa exigiu atualização de sistemas, testes de emissão de notas fiscais, validação de cálculos, revisão de parâmetros e integração com parceiros de tecnologia, como Oracle, Thomson Reuters e eCOMEX.
Segundo a companhia, a implantação envolveu workshops, capacitação interna, leitura técnica da legislação e uma rotina intensa de testes para garantir que a adequação ocorresse de forma consistente, sem tratar a nova obrigação apenas como uma inclusão automática de campos no sistema.
A primeira etapa exigiu muito mais do que preencher novas informações no XML da nota fiscal. Foi necessário entender como cada mudança se aplicava ao nosso segmento, validar cálculos, envolver usuários-chave de diferentes áreas e garantir que a operação estivesse preparada para sustentar essa transição, explica Daniela Zaiats Moreno, Product Owner da Starrett Brasil.
Com a evolução da reforma, a Starrett também iniciou estudos sobre os efeitos do novo modelo na formação de preços. A mudança para uma lógica de tributação mais transparente e baseada no destino tende a alterar a forma como as indústrias avaliam custos, créditos, margens, fornecedores, clientes e decisões comerciais.
A Reforma Tributária impacta diretamente a dinâmica de custos da indústria. Não se trata apenas de recolher novos tributos, mas de entender como essa mudança interfere na precificação, no relacionamento com fornecedores e clientes e na gestão de caixa. A previsibilidade dos estudos é o que permite mitigar impactos e tomar decisões com mais segurança, destaca a gerente de Projetos da Starrett Brasil.
Próximos passos
Com a primeira etapa concluída, a Starrett avança em novas frentes de preparação para os próximos ciclos da Reforma Tributária. Entre as iniciativas em andamento estão testes nos sistemas internos de gestão e em outros sistemas relacionados ao CNPJ alfanumérico, cuja entrada em vigor ocorre de forma gradativa a partir de julho de 2026, além da ratificação dos valores da CBS e do IBS destacados no XML da nota fiscal eletrônica, obrigatoriedade prevista para 1º de agosto de 2026.
Com a publicação do regulamento da CBS e do IBS no fim de abril de 2026, a empresa passou a contar com novas definições sobre o início da obrigatoriedade, penalidades e demais informações necessárias para a análise dos tributos. A companhia também mantém contrato com uma assessoria especializada em Reforma Tributária, que está conduzindo entrevistas com diferentes setores da Starrett para conhecer seus processos e identificar onde as mudanças devem atuar com mais intensidade.
Estamos em uma etapa de aprofundamento dos impactos da reforma sobre os processos da companhia. Além das notas fiscais, precisamos entender quais documentos poderão gerar direito a crédito ou débito dentro da nova sistemática tributária. Esse levantamento envolve diferentes áreas da Starrett e será essencial para preparar a empresa para uma jornada longa, com atualizações anuais até janeiro de 2033, afirma Sheila Prévide, Analista Fiscal da Starrett.
Para a Starrett, um dos principais desafios será atravessar a fase de transição mantendo eficiência operacional e competitividade. A partir de 2027, a cobrança da CBS e do IBS passa a avançar de forma gradual, enquanto as obrigações atuais seguem em vigor durante parte do período de transição, ampliando temporariamente a complexidade para as empresas.
Nesse contexto, a companhia aposta em antecipação, governança interna e colaboração entre áreas como pilares para reduzir riscos e transformar a adequação tributária em uma agenda de eficiência.
Temos uma equipe experiente, acostumada a atravessar mudanças fiscais e tecnológicas relevantes. O diferencial agora é tratar a Reforma Tributária como uma mudança de cultura e de gestão. A indústria terá que olhar para processos, sistemas, custos e preços de forma ainda mais integrada, finaliza Letícia.

ReformaTributaria Imagem gerada por IA


