A reforma tributária de 2026 muda a forma como as empresas decidem sobre investimentos, expansão, preços e caixa. Estudo mostra que 83% dos executivos já usam a área tributária para guiar seus negócios. O especialista André Fantoni explica como isso afeta o dia a dia e a rentabilidade das companhias.
A inteligência tributária deixou de ser um assunto restrito aos departamentos fiscal e contábil das empresas. De acordo com um estudo da PwC Brasil, 83% dos executivos brasileiros afirmam que a área tributária desempenha um papel importante nas decisões estratégicas de negócio. Essa discussão ganha ainda mais força em 2026, primeiro ano da transição da Reforma Tributária do consumo, quando as empresas começam a adaptar seus processos, sistemas e planejamentos às novas regras.
- 83% dos executivos usam a área tributária para decidir os rumos do negócio.
- 51% das empresas temem o aumento de impostos sobre a cadeia de valor.
- 44% se preocupam com o impacto no capital de giro, que é o dinheiro para o dia a dia.
- A reforma vai durar anos e as empresas precisam planejar para o futuro.
- Tecnologia e integração entre áreas serão essenciais para evitar erros e prejuízos.
Para André Fantoni, estrategista tributário, auditor, consultor e um dos principais especialistas em ICMS e Reforma Tributária do Brasil, a mudança altera a forma como os empresários precisam avaliar seus investimentos. "A inteligência tributária precisa participar da estratégia antes da decisão. Abrir uma unidade, mudar de fornecedor, definir preços ou expandir uma operação pode gerar efeitos fiscais capazes de mudar a rentabilidade de um projeto", afirma.
Inteligência tributária sai do departamento fiscal
Na prática, a tributação passa a influenciar escolhas que antes eram analisadas primeiro pelo lado comercial ou financeiro. A localização de fábricas e centros de distribuição, a escolha de fornecedores, os investimentos, a formação de preços e a reorganização das empresas estão entre os temas que podem exigir uma avaliação fiscal prévia. "Por muitos anos, o empresário tomava a decisão e depois perguntava qual seria o impacto tributário. Essa ordem precisa mudar. Planejamento tributário não é apenas procurar uma forma legal de reduzir impostos. É entender antecipadamente como a tributação interfere no caixa, na margem e na competitividade da empresa", explica o auditor.
Reforma Tributária muda as decisões empresariais
Essa transformação acontece enquanto as empresas passam por uma das maiores mudanças no sistema de tributos sobre o consumo do país. A Reforma Tributária vai substituir gradualmente os impostos atuais pelo IBS e pela CBS e prevê um período de transição até a implantação completa do novo modelo, segundo a Receita Federal.
Isso significa que as decisões tomadas agora precisam considerar não apenas as regras atuais, mas também seus efeitos nos próximos anos. Para negócios que atuam em diferentes estados, que têm longas cadeias de fornecedores ou que dependem de benefícios fiscais, essa avaliação ganha um peso ainda maior. "Uma decisão que funcionou durante anos não necessariamente produzirá o mesmo resultado dentro da nova estrutura tributária. O empresário precisa simular os efeitos sobre preços, créditos, fornecedores e fluxo de caixa antes de definir onde e como pretende crescer", afirma o especialista.
Tecnologia muda a gestão dos tributos
A pesquisa Tax do Amanhã 2026, da Deloitte, aponta que, entre 2026 e 2032, as organizações precisarão administrar a coexistência dos sistemas tributários durante a transição, além de novas exigências regulatórias e operacionais. Tecnologia, integração de sistemas, governança e qualidade dos dados passam a ocupar um papel relevante nesse processo.
Para o profissional, a mudança exige maior integração dentro das companhias. "Quando fiscal, financeiro, jurídico, tecnologia e comercial trabalham de maneira isolada, a empresa pode descobrir o custo tributário de uma decisão quando ela já foi tomada. O objetivo é usar esses dados para decidir antes e não apenas corrigir depois", diz.
Com a Reforma Tributária em andamento e a gestão fiscal apoiada cada vez mais em dados, os impostos passam a influenciar diretamente investimento, expansão, precificação e geração de caixa. Para empresas de médio e grande porte, a inteligência tributária deixa de ser apenas uma obrigação operacional e passa a integrar a estratégia do negócio.

André Fantoni, estrategista tributário




