31 de julho de 2026

??ºC São Paulo - SP
??ºC Salvador - BA
??ºC Cuiabá - MT

Como investir em eleições, juros altos e incerteza fiscal: dicas para leigos

Economia Investimentos 31/07/2026 10:47 Daniel Abrahão - Grupo Fatorial

Em um cenário de eleições, juros altos e incerteza fiscal, o mercado financeiro fica mais volátil. Um economista dá dicas para investir sem medo, focando no longo prazo e na diversificação.

O mercado financeiro começa o segundo semestre com mais oscilações, juros altos e dúvidas sobre as contas do governo. O economista Daniel Abrahão, do Grupo Fatorial, diz que o investidor precisa ter calma, diversificar seus investimentos e não se deixar levar pelos movimentos de curto prazo.

Mesmo com as discussões políticas e eleitorais aumentando a sensibilidade dos investimentos, a empresa acredita que boa parte desse risco já está nos preços dos ativos.

  • O mercado já está colocando nos preços o risco das eleições, então não deve haver uma grande surpresa em outubro.
  • Em anos eleitorais, a volatilidade da bolsa sobe, mas não muda a tendência de longo prazo.
  • O que mais importa para os investimentos é a inflação, os juros, a economia e as contas do governo, não a política.
  • O mercado não tem medo de eleições, mas sim de que o próximo governo ignore a responsabilidade fiscal.
  • Quedas na bolsa podem ser boas oportunidades para comprar ações de qualidade a preços mais baixos.

Oscilações maiores, mas normais

Segundo o economista, a experiência de eleições passadas mostra que os períodos de maior tensão política geram oscilações, mas não mudam a tendência dos investimentos. Estudos indicam que a volatilidade mensal do Ibovespa sobe de 27,3% para 30,2% em anos eleitorais, um aumento de 10,6%.

Na prática, a assessoria de investimentos avalia que a inflação, os juros, a atividade econômica e a trajetória das contas públicas continuam sendo os principais fatores para a bolsa, o câmbio e a renda fixa. Esses fatores têm um impacto mais duradouro do que eventos pontuais do calendário político.

Responsabilidade fiscal é o foco

Para Abrahão, o mercado está de olho na capacidade do país de manter uma trajetória fiscal consistente. O economista lembra que momentos de maior estresse geralmente estão ligados a dúvidas sobre a condução da economia, e não apenas ao processo eleitoral. "O mercado não teme eleições; teme indicações de que a próxima administração ignorará a responsabilidade fiscal", afirma.

Essa percepção ajuda a explicar por que os anúncios relacionados a gastos públicos, arrecadação e reformas estruturais continuam sendo monitorados de perto pelos investidores.

Planejamento é a chave

A recomendação é evitar mudanças bruscas na carteira de investimentos por causa da ansiedade. Segundo o especialista, estratégias construídas para o longo prazo não devem ser abandonadas em períodos de maior volatilidade.

"Um investidor com planejamento sólido, carteira diversificada e horizonte adequado não precisa se preocupar com ciclos eleitorais. A estratégia fundamental não muda. Quando houver, os ajustes devem ser apenas táticos", afirma.

O economista acrescenta que a diversificação continua sendo um dos principais instrumentos de proteção em momentos de incerteza e que as decisões de investimento devem partir do perfil de risco e dos objetivos financeiros de cada cliente.

Quedas podem ser oportunidades

Mesmo em um ambiente mais desafiador, Abrahão reforça que há espaço para oportunidades seletivas em ativos de qualidade. "Movimentos de correção nem sempre significam deterioração estrutural das empresas e podem permitir reposicionamentos a preços mais atrativos", explica.

Abrahão recorda ainda o comportamento histórico do mercado após períodos de maior incerteza, como nas eleições de 2002, quando o Ibovespa acumulou retorno de 295% entre 2003 e 2006, após um momento considerado de máxima tensão.

"As eleições de 2026 representam um ciclo normal de volatilidade. A história mostra que investidores disciplinados, bem assessorados e com estratégia clara não são quebrados por ciclos eleitorais. Mas, sim, são fortalecidos por eles, já que aproveitam quedas para reposicionar em ativos de qualidade", conclui.