30 de julho de 2026

??ºC São Paulo - SP
??ºC Salvador - BA
??ºC Cuiabá - MT

Por que proteger o patrimônio virou prioridade para os brasileiros

Economia Proteção 30/07/2026 11:41 Cristiano Maschio, CEO da DCEX (Press FC Assessoria e Consultoria)

Antes, o foco do investidor brasileiro era ganhar muito dinheiro. Agora, a principal preocupação é proteger o que já foi conquistado e garantir que a riqueza passe para os filhos e netos. Com mais de US$ 650 bilhões em ativos no exterior, os brasileiros estão buscando segurança em moedas fortes, diversificando seus investimentos em outros países para se proteger de crises econômicas e mudanças nas leis do Brasil.

BRA 1

Durante muito tempo, o investidor brasileiro pensava apenas em ganhar dinheiro. A ideia era simples: encontrar aplicações que rendessem mais que a inflação e superassem os principais índices do mercado. Mas hoje isso mudou. Mais do que multiplicar a riqueza, as pessoas querem protegê-la de riscos e garantir que ela dure para as próximas gerações.

Existe uma grande diferença entre ter muitos bens e ter um patrimônio realmente seguro. Essa ideia está ficando mais forte entre investidores de todos os tipos, principalmente aqueles que já juntaram um bom dinheiro e agora pensam em coisas como investir no exterior, planejar a herança e proteger o que têm.

  • Os brasileiros já têm mais de US$ 650 bilhões (cerca de R$ 3,7 trilhões) guardados em outros países.
  • Até 2048, cerca de US$ 83,5 trilhões devem ser passados de uma geração para outra no mundo todo.
  • O número de milionários no mundo cresceu em 680 mil pessoas só em 2024.
  • Existem 52 milhões de pessoas com fortunas entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões no planeta.
  • Investir em outros países ajuda a se proteger de mudanças nas leis e na economia do Brasil.

Essa mudança no comportamento dos investidores acompanha uma tendência mundial. Um relatório de 2025 mostrou que a riqueza das pessoas de alta renda cresceu 4,2% em 2024. Mas o dado mais importante é outro: até 2048, cerca de US$ 83,5 trilhões devem ser transferidos entre gerações, no maior processo de passagem de herança da história. Isso está fazendo investidores do mundo todo organizarem seus patrimônios com foco em proteção, pagar menos impostos e planejar a sucessão familiar.

O crescimento da riqueza no mundo

Outro relatório importante mostra que a riqueza privada no mundo chegou a US$ 471 trilhões em 2024. Em apenas um ano, mais de 680 mil pessoas se tornaram milionárias. A estimativa é que outros 5,34 milhões de pessoas se tornem milionárias até 2029. Um dado que chama a atenção é que existem hoje cerca de 52 milhões de pessoas com patrimônio entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões, um grupo que mais que quadruplicou desde o ano 2000 e que hoje concentra aproximadamente US$ 107 trilhões em riqueza.

O mercado imobiliário e os investimentos globais

Esse movimento também aparece no mercado de imóveis e nos investimentos pelo mundo. O número de pessoas com patrimônio superior a US$ 10 milhões cresceu 4,4% em 2024, com destaque para a América do Norte, que registrou alta de 5,2%. Os estudos apontam que o avanço da riqueza deve ser acompanhado por uma demanda cada vez maior por formas de proteger o patrimônio e planejar a herança, principalmente por causa das mudanças nas regras de vários países.

A situação no Brasil

No Brasil, esse movimento também é visível. Dados do Banco Central mostram que os brasileiros mantêm mais de US$ 650 bilhões em ativos no exterior, entre investimentos financeiros, participações em empresas e imóveis. Investir em outros países deixou de ser uma estratégia só para os muito ricos e passou a fazer parte do planejamento de empresários, famílias e investidores que querem reduzir riscos, proteger seu dinheiro em moedas fortes e ter mais opções de investimento.

Por que isso faz sentido

Esse interesse faz sentido por causa do cenário econômico dos últimos anos. Inflação alta, juros elevados, o valor do dólar subindo e descendo, conflitos entre países e mudanças frequentes nas regras do governo mostraram como é importante não colocar todos os ovos na mesma cesta. Deixar todo o patrimônio em um único país significa estar muito exposto às oscilações da economia, da política e das leis daquele lugar.

Esse ponto ficou ainda mais claro com as mudanças recentes nos impostos. Mudanças importantes, como as trazidas pela Reforma Tributária e pela nova forma de tributar lucros e dividendos, mostram na prática que as regras podem mudar, e mudam. Para o investidor, isso reforça uma lição importante: um patrimônio inteiro sujeito a um único conjunto de regras carrega um risco que não depende da qualidade dos investimentos. Diversificar entre países é uma forma de reduzir esse risco.

O patrimônio deixa de ser visto apenas como um conjunto de aplicações financeiras e passa a ser tratado como um legado que precisa ser preservado ao longo do tempo.

Mais do que uma resposta às mudanças nos impostos, essa transformação representa uma evolução na forma como o brasileiro enxerga a riqueza.

No cenário internacional, essa cultura já está consolidada há décadas. No Brasil, embora ainda esteja em processo de amadurecimento, ela avança rapidamente, impulsionada pelo acesso à informação, pela digitalização dos investimentos e pelo crescimento da riqueza privada. Diversificar globalmente deixou de ser apenas uma estratégia para ganhar mais dinheiro. Tornou-se uma ferramenta essencial para preservar o patrimônio, proteger o legado familiar e garantir que a riqueza construída ao longo de uma vida continue gerando valor para as próximas gerações.