A construção civil brasileira está crescendo, mas enfrenta um grande problema: a mão de obra está envelhecendo e faltam jovens para substituir os trabalhadores que estão perto de se aposentar. Isso dificulta a contratação de profissionais especializados, como pedreiros e mestres de obras, justamente quando o setor mais precisa deles.
A construção civil brasileira vive um momento de crescimento, mas está com um problema cada vez maior: os trabalhadores estão ficando mais velhos e faltam jovens para entrar na profissão. Com menos gente nova e muitos trabalhadores experientes perto de se aposentar, as construtoras estão com dificuldade para contratar profissionais especializados, justamente quando a demanda está alta.
- O setor da construção civil tem mais de 3 milhões de trabalhadores com carteira assinada, o maior número desde 2014.
- Faltam profissionais especializados, como mestres de obras, pedreiros, carpinteiros e instaladores.
- Os jovens estão preferindo outras carreiras, enquanto os mais velhos estão se aposentando.
- As empresas estão usando novas tecnologias, como o BIM, para tentar ser mais produtivas.
- Hoje, o custo com mão de obra representa 60% do total de uma obra, bem mais do que há 25 anos.
Segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o setor passou dos três milhões de trabalhadores formais no Brasil, o maior número desde 2014. Mesmo com o aumento de empregos, as empresas sentem que não há profissionais especializados suficientes para atender a demanda, principalmente em funções como mestres de obras, pedreiros, carpinteiros, armadores e instaladores.
O que dizem os especialistas
Para o diretor de Planejamento e Controle de Produção da Thá Engenharia, Gilberto Kaminski, essa situação é resultado de uma mudança gradual no mercado de trabalho. "Os jovens buscam outras carreiras, enquanto profissionais experientes se aposentam, reduzindo a oferta de trabalhadores na construção civil", explica o gestor.
"Ainda existe uma ideia errada sobre o trabalho na construção civil. O setor oferece oportunidades para quem ainda não tem qualificação e cria condições para que as pessoas construam uma carreira, evoluindo de servente a mestre de obras, por exemplo. Para quem busca capacitação e desenvolvimento profissional, há espaço para crescer e ganhar salários muito acima da média brasileira", completa.
Crescimento depende da formação de novos profissionais
O desafio acontece em um momento de crescimento da construção civil. Com mais de R$ 1,7 bilhão em contratos em andamento e um aumento de 48% no faturamento em 2025, a Thá Engenharia acredita que a renovação da força de trabalho se tornou um assunto estratégico para o futuro do setor. "O principal ativo de uma obra continua sendo as pessoas. Sem profissionais especializados, a capacidade de crescimento da construção civil tende a encontrar limites, independentemente da demanda existente", avalia Kaminski.
Além de formar novos trabalhadores, as empresas têm investido em novas tecnologias e métodos para aumentar a produtividade nos canteiros de obra. Ferramentas como o Building Information Modeling (BIM), processos industrializados e novas formas de construir ganham espaço como alternativas para tornar as obras mais eficientes.
"A tecnologia ajuda a aumentar a produtividade, reduzir retrabalhos e melhorar o planejamento, mas sua implementação exige investimentos, capacitação das equipes e uma cadeia de fornecedores preparada. Ela contribui para diminuir os impactos da falta de mão de obra, mas não substitui a necessidade de formar novos profissionais", completa o diretor.
A mudança também é vista na estrutura de custos dos empreendimentos. Há cerca de 25 anos, a mão de obra representava aproximadamente 40% do custo de uma obra, enquanto os materiais respondiam por 60%. Hoje, essa relação se inverteu: a mão de obra representa cerca de 60% dos custos e os materiais, 40%. Isso reflete a valorização dos profissionais qualificados e a dificuldade de repor essa força de trabalho.

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