29 de julho de 2026

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Quando o dono atrapalha o crescimento da empresa

Economia Crescimento 29/07/2026 09:33 Ray Gonçalves, consultora de marketing e fundadora da Geração de Demanda

Muitas pequenas e médias empresas no Brasil crescem até o ponto em que o dono se torna um gargalo, pois todas as decisões passam por ele. Isso atrasa vendas, campanhas e limita a previsibilidade do negócio. A especialista Ray Gonçalves explica como resolver esse problema com processos claros e autonomia para a equipe.

O Brasil abriu 2.050.548 pequenos negócios entre janeiro e abril de 2026, um aumento de quase 14% em relação ao mesmo período de 2025, segundo levantamento do Sebrae com base em dados da Receita Federal. Apesar do avanço do empreendedorismo, um problema continua limitando o crescimento de muitas empresas: a centralização das decisões nas mãos do fundador. Quando campanhas, negociações e aprovações dependem exclusivamente do dono, marketing, vendas e operação perdem velocidade, reduzindo a previsibilidade do negócio.

  • Mais de 2 milhões de pequenos negócios foram abertos no Brasil em 2026, um recorde de crescimento.
  • 68% dos empreendedores querem aumentar o faturamento, mas muitos não conseguem por causa da centralização.
  • A dependência do dono para decisões simples atrasa vendas e campanhas, prejudicando os resultados.
  • Empresas com processos claros e equipe autônoma crescem mais rápido e com mais previsibilidade.
  • Ray Gonçalves, especialista em crescimento, ensina como descentralizar sem tirar o dono do controle.

Essa é a avaliação de Ray Gonçalves, empresária, consultora de marketing e fundadora da Geração de Demanda, uma consultoria especializada em crescimento empresarial, marketing e vendas. Com mais de 12 anos de atuação no mercado educacional e digital, ela participou da estruturação do Grupo Acelerador, que ultrapassou R$ 200 milhões em quatro anos, e hoje ajuda empresários a gerar demanda, aumentar o faturamento e escalar seus negócios.

"Uma empresa que depende do dono para tudo cresce no ritmo da agenda dele, não no ritmo do mercado. A centralização pode parecer controle, mas muitas vezes vira o principal freio para vendas, campanhas e decisões comerciais", afirma a consultora.

As dificuldades também aparecem nas metas dos empreendedores para 2026. Uma pesquisa do Sebrae Bahia, feita com cerca de 60 mil donos de negócios entre 5 e 12 de janeiro, mostrou que 68% dos empresários queriam aumentar o faturamento, 47% pretendiam melhorar a gestão e 38% buscavam elevar o lucro. As áreas em que mais precisavam de apoio eram vendas, com 66%, e administração, gestão e direção, com 60%.

Quando tudo depende do fundador, a escala deixa de acontecer

Segundo a especialista em crescimento empresarial, empresas muito dependentes do fundador costumam crescer até o ponto em que a operação passa a disputar espaço na agenda do dono. Na prática, a centralização aparece em decisões aparentemente simples: campanhas ficam dias esperando aprovação, propostas comerciais demoram a ser enviadas, vendedores perdem margem de negociação por falta de autonomia e clientes deixam de responder porque o atendimento não aconteceu no tempo certo. Quando esses atrasos se repetem, a empresa perde ritmo comercial, dificulta a execução das estratégias e compromete a previsibilidade dos resultados.

A 12ª edição da Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, do Sebrae, coletada entre fevereiro e março de 2026, mostrou que 44% dos pequenos negócios relataram queda de faturamento em relação ao mesmo período do ano anterior. Entre microempresas e empresas de pequeno porte, o índice chegou a 46%. Para a empresária, parte desse desafio está ligada à ausência de processos capazes de antecipar problemas comerciais antes que eles apareçam no caixa.

A saída passa por processos bem definidos. O empresário precisa deixar claro quem decide, quem executa e quais indicadores comerciais devem ser acompanhados para que a equipe avance sem depender de aprovação constante.

"O faturamento é a consequência, não o ponto de partida. O empresário precisa acompanhar o que acontece antes dele: volume de leads, velocidade de atendimento, conversão, ticket médio e recompra. Quem olha apenas para o caixa costuma descobrir o problema quando as vendas já foram perdidas", afirma a consultora.

Nesse processo, marketing e vendas deixam de ser áreas apenas operacionais e passam a orientar decisões de crescimento. A empresa que sabe quais campanhas geram demanda, quais canais trazem clientes mais qualificados e quais ofertas convertem melhor consegue distribuir responsabilidades, reduzir improvisos e ganhar previsibilidade comercial.

Para a criadora da metodologia 3C (conectar, convencer e converter), a centralização é um problema menos visível do que a falta de vendas, mas pode ser mais perigosa. Quando tudo depende do dono, o negócio até cresce, mas cresce preso à capacidade individual de uma pessoa.

"Escalar não significa tirar o dono da empresa, mas tirar a empresa da dependência do dono. O crescimento sustentável acontece quando a equipe sabe exatamente o que fazer, mesmo quando o empresário não está presente. Enquanto tudo depender de uma única pessoa, ela continuará sendo o limite do negócio", afirma Ray Gonçalves.