28 de julho de 2026

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Empresas que não cuidam da saúde mental perdem bons profissionais

Economia Saúde 28/07/2026 15:03 Jéssica Palin Martins, especialista em saúde mental corporativa, em parceria com a Palin & Martins Consultoria

Com o aumento de 15,6% nos afastamentos por problemas emocionais em 2025, a saúde mental no trabalho deixou de ser um simples benefício e se tornou essencial para atrair e manter talentos. Novas regras, como a NR 1, exigem que as empresas se adaptem para oferecer um ambiente mais saudável e acolhedor.

A Previdência Social registrou 546.254 pedidos de afastamento temporário por problemas de saúde mental em 2025. Isso representa um aumento de 15,66% em relação ao ano anterior. Esse número mostra que a saúde mental no trabalho deixou de ser assunto apenas do RH e passou a influenciar a atração de novos funcionários, a permanência dos atuais e a imagem da empresa como um bom lugar para trabalhar.

  • O número de afastamentos por problemas mentais cresceu 15,6% em 2025, mostrando que o problema está piorando.
  • Pesquisas mostram que muitos jovens se sentem estressados no trabalho por causa de jornadas longas, falta de reconhecimento e decisões injustas.
  • Uma nova lei (NR 1) obriga as empresas a cuidar dos riscos psicossociais, como estresse e ansiedade, no ambiente de trabalho.
  • Empresas que investem em saúde mental têm mais chances de atrair e reter bons profissionais do que aquelas que só fazem campanhas.
  • Salário alto não é suficiente para manter um funcionário se o ambiente de trabalho é prejudicial à saúde mental.

Jéssica Palin Martins, advogada, psicóloga e especialista em saúde mental corporativa, explica que a saúde mental se tornou um fator decisivo. Ela é sócia da Palin & Martins, uma consultoria que ajuda empresas a cuidar de questões tributárias, mas também tem um grande foco no bem-estar dos funcionários. Ela criou a IntegraMente, uma plataforma que ajuda as empresas a entenderem e melhorarem a saúde emocional de suas equipes.

O que a pesquisa mostra sobre os jovens no trabalho

Uma pesquisa da Deloitte, chamada Gen Z and Millennial Survey 2026, ouviu 804 pessoas no Brasil. Descobriu que 66% da Geração Z e 70% dos millennials acham sua saúde mental boa ou muito boa. No entanto, três em cada dez dizem que se sentem estressados quase o tempo todo. Os principais motivos de estresse no trabalho são jornadas longas, falta de reconhecimento, decisões que parecem injustas e dificuldade para conversar sobre saúde mental com os chefes.

"Cuidar do emocional deixou de ser um discurso bonito e virou um critério de escolha para o profissional. A saúde mental no trabalho mostra se a empresa tem maturidade para gerir pessoas ou se ainda as trata como simples entregadoras de resultados", afirma a especialista.

A importância da saúde mental para a imagem da empresa

A disputa por profissionais qualificados torna o tema ainda mais importante. Dados da Gallup mostram que 66% dos trabalhadores no Brasil achavam 2025 um bom momento para encontrar um novo emprego. Além disso, 45% disseram ter sentido muito estresse no dia anterior, um número maior que a média mundial de 40%.

Para a psicóloga, esses números mudam a forma como as empresas devem gerir as pessoas. Empresas que mostram cuidado de verdade, com líderes preparados, canais de escuta e acompanhamento emocional, tendem a se sair melhor do que aquelas que tratam a saúde mental como uma ação isolada de comunicação.

"O profissional percebe quando a empresa tem um processo e quando tem apenas uma campanha. A saúde mental precisa aparecer em indicadores, planos de ação, acompanhamento e treinamento de líderes. Não basta falar sobre cuidado. É preciso provar que a organização sabe prevenir riscos e agir antes da crise", diz a fundadora da IntegraMente.

Novas regras aumentam a pressão sobre as empresas

As novas leis também estão mudando o cenário. A Lei 14.831, de 2024, criou o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental, que o governo federal dá para empresas que atendem critérios de promoção da saúde mental e qualidade de vida. Já a Portaria 1.419, do Ministério do Trabalho, mudou a NR 1 e incluiu oficialmente os riscos psicossociais (como estresse e ansiedade) no gerenciamento de riscos do trabalho.

Na prática, o assunto não depende mais apenas da boa vontade dos líderes. A saúde emocional agora faz parte da lista de exigências legais, da cultura da empresa, do clima organizacional, da produtividade e da reputação da instituição.

No modelo criado pela IntegraMente, o processo começa com um diagnóstico emocional, mapeamento das equipes, devolutivas individuais, planos de ação por área e acompanhamento contínuo. O objetivo é identificar sinais de sobrecarga, conflitos, baixa segurança psicológica e desalinhamento antes que esses problemas resultem em afastamentos, queda de desempenho ou perda de talentos.

Salário não é tudo quando o trabalho adoece

Para a advogada e psicóloga, o cuidado emocional é importante porque afeta diretamente a capacidade das empresas de manter equipes produtivas e engajadas.

"A empresa que quer atrair bons profissionais precisa mostrar que sabe cuidar da experiência de trabalho. O salário continua importante, mas não sustenta sozinho uma relação profissional quando o ambiente adoece. O cuidado emocional estruturado virou parte da competitividade", afirma.