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O pilar mais esquecido do ESG está dentro do RH

Economia ESG 28/07/2026 15:00 Carolina Cristina da Silva - doiscês

Estudos mostram que saúde, bem-estar e benefícios ganham destaque nas estratégias de sustentabilidade, mas especialistas alertam que o pilar Social ainda é um dos menos estruturados dentro das empresas.

Durante anos, o ESG esteve ligado principalmente às metas ambientais. Mas uma pesquisa da WTW, que ouviu mais de 3,6 mil empresas representando cerca de 18 milhões de trabalhadores em todo o mundo, mostra que essa realidade está mudando. Segundo o levantamento Diagnóstico do Bem-Estar 2024, 64% das organizações apontam a crise de saúde mental como um dos principais motivos para fortalecer suas estratégias de bem-estar, enquanto 55% já adotaram iniciativas de diversidade, equidade e inclusão (DEI) nas políticas para os funcionários. Além disso, empresas com programas de bem-estar considerados eficazes têm até duas vezes mais chances de ter um melhor desempenho organizacional.

  • 64% das empresas estão priorizando a saúde mental para melhorar o bem-estar dos funcionários.
  • 55% das organizações já têm programas de diversidade, equidade e inclusão.
  • Empresas com bons programas de bem-estar têm o dobro de chance de sucesso.
  • Apenas 74% dos profissionais se sentem bem física e mentalmente, uma queda em relação a 82% em 2023.
  • O pilar Social do ESG ainda é o menos estruturado e medido pelas empresas.

Apesar desse movimento, especialistas afirmam que o "S" do ESG ainda recebe menos atenção do que os pilares ambiental e de governança. Questões como acesso à saúde, qualidade dos benefícios, prevenção de doenças, segurança psicológica e bem-estar dos funcionários ainda são pouco acompanhadas por indicadores, embora impactem diretamente a produtividade, a retenção de talentos e os resultados financeiros.

Essa percepção também aparece no relatório Health on Demand 2025, da Mercer Marsh Benefits, feito com mais de 18 mil funcionários em 17 mercados. O estudo revela que apenas 74% dos profissionais afirmam estar física e mentalmente bem, uma queda em relação aos 82% registrados em 2023, reforçando que investir na saúde e no bem-estar dos funcionários deixou de ser apenas uma ação de RH para se tornar uma necessidade estratégica.

Para Gustavo Chehara, CEO da Joyn Benefícios, muitas empresas evoluíram na gestão ambiental, mas ainda não conseguem medir o impacto das próprias iniciativas voltadas às pessoas. "Hoje, boa parte das organizações sabe acompanhar indicadores ambientais, mas poucas conseguem responder, com dados, se seus benefícios realmente melhoram a qualidade de vida dos funcionários, reduzem afastamentos ou fortalecem a retenção de talentos. O pilar Social precisa deixar de ser apenas um compromisso no relatório ESG e passar a ser acompanhado de forma contínua", afirma.

Na avaliação do executivo, os benefícios corporativos deixaram de ser apenas parte da remuneração para se tornarem uma ferramenta de gestão. Indicadores como uso dos benefícios, adesão a programas preventivos, sinistralidade, absenteísmo e satisfação dos funcionários ajudam as empresas a transformar o cuidado com as pessoas em resultados concretos para o negócio, fortalecendo justamente o pilar do ESG que ainda é considerado o mais desafiador para grande parte das organizações.

À medida que investidores, consumidores e os próprios profissionais passam a exigir empresas mais comprometidas com o bem-estar de seus funcionários, especialistas avaliam que o "S" do ESG tende a ganhar cada vez mais espaço nas estratégias corporativas. Nesse cenário, a capacidade de medir o impacto das iniciativas voltadas às pessoas deve se consolidar como um dos principais indicadores de maturidade em sustentabilidade empresarial.