Com o avanço da inteligência artificial, muitas empresas estão investindo em novas tecnologias, mas especialistas afirmam que o verdadeiro desafio está em preparar líderes capazes de adaptar a cultura, a estratégia e a execução dos negócios para crescer de forma sustentável.
A transformação da liderança empresarial ganhou destaque com o avanço da inteligência artificial, as mudanças geopolíticas e a rapidez com que novos modelos de negócio surgem. Antes, as empresas focavam em investir em tecnologia. Agora, o desafio é preparar líderes que consigam tomar decisões em um ambiente que muda o tempo todo.
- 70% das empresas dizem que a capacidade de adaptação é uma prioridade estratégica para os próximos anos, segundo a Deloitte.
- A maioria dos executivos sabe que desenvolver líderes preparados é essencial para ser competitivo.
- A inteligência artificial acelera os processos, mas não substitui o julgamento, a visão estratégica e a cultura da empresa.
- Muitos empresários confundem crescimento com escala: administrar e construir um negócio escalável são coisas diferentes.
- O maior gargalo de crescimento não está na tecnologia, mas na capacidade do líder de formar outros líderes.
Para Thiago Oliveira, empreendedor, investidor e CEO da Saygo, uma holding brasileira de comércio exterior, a transformação acontece mais nas pessoas do que nas ferramentas. Segundo ele, a inteligência artificial aumentou a velocidade das mudanças, mas também deixou mais clara uma deficiência antiga: líderes que cresceram tecnicamente, mas não acompanharam a evolução da gestão. "A inteligência artificial potencializa a capacidade das empresas, mas não substitui julgamento, visão estratégica nem cultura. Se o líder não evolui, a tecnologia apenas acelera os problemas que já existiam", afirma.
O papel da liderança mudou
Antigamente, liderar significava controlar processos, acompanhar operações e concentrar decisões. Hoje, a principal responsabilidade dos executivos é desenvolver pessoas, criar ambientes de adaptação constante e tomar decisões rápidas com informações que mudam diariamente.
Esse movimento também aparece no relatório The State of Organizations 2026, da McKinsey, que mostra que a adaptação organizacional é um dos maiores desafios das empresas por causa da inteligência artificial, das transformações econômicas e das mudanças na força de trabalho. Embora a maioria das empresas esteja investindo em novas tecnologias, poucas conseguem transformar esses investimentos em ganhos de produtividade por causa de dificuldades com a liderança e a gestão da mudança.
Na avaliação do empreendedor, muitos empresários ainda confundem crescimento com escala. "Administrar uma empresa e construir um negócio escalável são coisas completamente diferentes. Enquanto a operação depende da presença do dono, a escala depende da capacidade de formar líderes, criar processos e construir uma cultura que funcione mesmo quando ele não está presente."
Empresas crescem até o limite de seus líderes
Depois de mais de duas décadas empreendendo, acelerando startups e participando da construção e expansão de empresas, o profissional afirma que um dos erros mais comuns é tentar expandir mantendo o mesmo modelo de liderança usado quando o negócio era pequeno.
Segundo o CEO da Saygo, muitos empresários continuam centralizando decisões, acumulando funções e resolvendo problemas operacionais todos os dias, mesmo quando a empresa já exige uma estrutura mais profissional. "O maior gargalo de crescimento normalmente não está na estratégia nem na tecnologia. Está na capacidade do líder de abrir espaço para que outras pessoas também decidam, executem e assumam responsabilidades."
Para ele, esse processo exige a criação de indicadores claros, fortalecimento da cultura organizacional e desenvolvimento contínuo das lideranças intermediárias. "Quando o conhecimento deixa de ficar concentrado apenas no fundador, a empresa passa a crescer de forma muito mais consistente."
Adaptabilidade se tornou vantagem competitiva
Além da capacidade técnica, características como flexibilidade, aprendizado contínuo e rapidez na tomada de decisão passaram a diferenciar empresas que conseguem crescer mesmo em cenários de incerteza.
O investidor avalia que o futuro pertence às organizações capazes de aprender continuamente e transformar esse aprendizado em execução. "Os negócios vão continuar convivendo com mudanças econômicas, novas tecnologias e transformações no comportamento dos consumidores. Quem esperar estabilidade para decidir ficará sempre atrasado. Liderança hoje significa evoluir continuamente e criar organizações preparadas para mudar antes que o mercado obrigue."
Para o especialista, a inteligência artificial continuará revolucionando processos, mas será a qualidade da liderança que determinará quais empresas conseguirão transformar inovação em crescimento sustentável. "A tecnologia muda rapidamente. A vantagem competitiva continua sendo a capacidade das pessoas de aprender, adaptar e executar melhor."

Thiago Oliveira, empreendedor e CEO da Saygo




