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O erro que faz empresas crescerem e lucrarem menos

Economia Crescimento 28/07/2026 12:01 Henrique Russo - Orange Envios

Muitas empresas estão crescendo em vendas, mas estão perdendo dinheiro por causa de problemas na operação, como processos manuais e falta de planejamento. Entenda como evitar esse erro e garantir que o crescimento seja lucrativo.

Durante muito tempo, o principal desafio das empresas foi crescer. Agora, para muitas delas, o problema passou a ser outro: sustentar esse crescimento sem comprometer a eficiência, a rentabilidade e a experiência do cliente. Em um ambiente de custos altos, crédito restrito e maior pressão por resultados, os gestores estão descobrindo que vender mais nem sempre significa ganhar mais.

  • Crescer sem planejamento pode fazer a empresa vender mais, mas lucrar menos.
  • Processos manuais e planilhas que funcionam no começo viram um problema quando o negócio cresce.
  • A logística é uma das áreas que mais sofre com o crescimento desorganizado, causando atrasos e custos extras.
  • Investir só em vendas e marketing, sem cuidar da operação, é um erro comum que prejudica os resultados.
  • Tecnologia e automação são essenciais para escalar o negócio de forma sustentável.

Esse problema tem se tornado comum entre empresas que passam por fases aceleradas de expansão. À medida que aumentam o volume de pedidos, os canais de venda, a base de clientes e a complexidade da operação, as estruturas que funcionavam bem antes começam a mostrar limitações que afetam diretamente os resultados do negócio.

O ponto de virada: quando a operação não aguenta mais

Para Henrique Russo, diretor de operações da Orange Envios, existe um momento em que a operação não tolera mais improvisos. "Muitas empresas crescem usando processos manuais, planilhas e controles que funcionam bem enquanto a operação ainda é simples. O problema é que, quando o volume aumenta, esses mesmos processos geram atrasos, retrabalho, perda de produtividade e custos que nem sempre são percebidos na hora", afirma.

Essa situação ficou mais clara à medida que o comércio eletrônico brasileiro amadureceu. Depois de um período focado em crescer rápido, o mercado passou a exigir mais eficiência. A expansão ainda é importante, mas investidores e gestores agora observam com mais cuidado se a empresa consegue transformar crescimento em resultado financeiro sustentável.

Gargalos que antes eram secundários viraram prioridade

Nesse novo cenário, problemas que antes eram considerados menores ganharam importância estratégica. Logística, atendimento, integração tecnológica e gestão operacional passaram a influenciar diretamente as margens de lucro, a retenção de clientes e a competitividade da empresa.

Segundo Russo, um dos erros mais comuns é acreditar que os mesmos processos que permitiram o crescimento inicial vão continuar funcionando para sempre. "O crescimento expõe problemas que muitas vezes estavam escondidos. Falhas de integração, dificuldade para acompanhar pedidos, excesso de processos manuais e falta de indicadores surgem justamente quando a empresa mais precisa de previsibilidade para continuar crescendo", diz.

A logística é o primeiro sinal de alerta

A logística costuma ser a área onde esse problema aparece primeiro. Com o aumento do volume de pedidos, a expansão geográfica das vendas e as maiores exigências dos consumidores, a operação fica muito mais complexa. Sem uma estrutura adequada, problemas como atrasos, reentregas, divergências de informação e custos extras se tornam mais frequentes.

O impacto vai além da operação. Em um mercado onde a experiência do cliente influencia diretamente a recompra, falhas logísticas afetam o faturamento, a reputação e a fidelidade dos consumidores.

O erro de focar só em vendas e marketing

Outro desafio é que muitas empresas continuam investindo pesado em atrair novos clientes, enquanto as áreas responsáveis por sustentar o crescimento recebem menos atenção. "Existe uma tendência natural de direcionar recursos para vendas e marketing. Mas chega um momento em que o principal gargalo deixa de ser gerar demanda e passa a ser a capacidade de atender essa demanda com eficiência. Quando isso acontece, a empresa pode continuar vendendo mais e, ainda assim, perder competitividade", afirma Russo.

A tecnologia como aliada do crescimento sustentável

O papel da tecnologia também mudou. Ferramentas de gestão, automação e inteligência de dados deixaram de ser apenas um apoio e se tornaram essenciais para escalar o negócio. O ERP continua sendo importante, mas sozinho já não resolve todos os desafios da complexidade empresarial.

Para os especialistas, a próxima fase de maturidade do comércio eletrônico brasileiro será marcada menos pela expansão acelerada e mais pela capacidade das empresas de crescer preservando a eficiência. Em um ambiente de margens apertadas, a vantagem competitiva não está apenas em quem vende mais, mas em quem consegue transformar crescimento em resultado sustentável.

Nesse contexto, a discussão sobre escalabilidade deixa de ser apenas tecnológica e passa a ser uma questão de gestão. Afinal, para empresas que entram em uma nova fase de crescimento, o maior risco pode não ser vender pouco, mas crescer sem a estrutura necessária para sustentar o próprio sucesso.