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Inflação cai em julho e surpreende o mercado financeiro

Economia Inflação 28/07/2026 10:36 Leonardo Vieceli, Folhapress otempo.com.br

A inflação no Brasil perdeu força em julho, ficando bem abaixo do que os analistas esperavam. O índice IPCA-15 subiu apenas 0,06%, muito menos que os 0,41% de junho. Isso significa que os preços estão subindo mais devagar, o que é uma boa notícia para o bolso do consumidor. A queda foi tão grande que surpreendeu o mercado. Agora, a expectativa é que o Banco Central possa cortar os juros, o que pode ajudar a economia.

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) desacelerou para 0,06% em julho, depois de ter ficado em 0,41% em junho. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (28/7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os analistas do mercado financeiro esperavam que a taxa ficasse em 0,22% para o sétimo mês de 2026, de acordo com a média das projeções coletadas pela agência Bloomberg. As estimativas variavam de 0,15% a 0,29%.

  • Inflação baixou: O IPCA-15, que mede a variação dos preços, subiu só 0,06% em julho, bem menos que o esperado pelo mercado.
  • Previsão errada: Os analistas achavam que a inflação seria de 0,22%, mas ela veio bem menor, o que surpreendeu a todos.
  • Acumulado no ano: Em 12 meses, a inflação acumulada é de 4,52%, ainda acima do teto da meta do governo, que é de 4,5%.
  • Juros podem cair: Com a inflação mais baixa, o Banco Central pode reduzir a taxa de juros (Selic), que hoje está em 14,25% ao ano.
  • Riscos pela frente: O fenômeno El Niño pode atrapalhar a produção de alimentos e fazer os preços subirem de novo no segundo semestre.

No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 subiu 4,52% até julho, segundo o IBGE. A variação era de 4,8% até junho. O índice continua acima do teto de 4,5% da meta de inflação que o Banco Central (BC) persegue para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Os dados foram divulgados uma semana antes da nova reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. O colegiado se reunirá nos dias 4 e 5 de agosto para definir a taxa básica de juros, a Selic, que está em 14,25% ao ano.

O que esperar dos juros e da inflação

Analistas veem chance de um novo corte de 0,25 ponto percentual. Isso levaria a Selic para 14%, patamar em que a taxa pode ficar até o final do ano, conforme o boletim Focus.

O IPCA-15 é divulgado antes do IPCA. Por isso, ele sinaliza uma tendência para o índice oficial de inflação. Uma das diferenças entre os dois é o período de coleta dos preços.

A apuração do IPCA-15 abrange a segunda metade do mês anterior e a primeira do mês de referência. No caso do resultado de julho, a coleta foi realizada de 17 de junho a 15 de julho. Já o levantamento do IPCA ocorre ao longo do mês de referência. Por isso, o resultado de julho ainda não está fechado. Será divulgado pelo IBGE em 11 de agosto.

Projeções para o ano e os riscos

Na média, as projeções do mercado financeiro apontam alta de 5,12% para o IPCA no acumulado de 2026, segundo o boletim Focus. A estimativa caiu pela quarta semana consecutiva, mas segue acima do teto da meta de inflação (4,5%). O recuo das previsões ocorreu depois de uma sequência de revisões para cima em meio aos impactos da guerra no Irã.

O El Niño é um dos riscos para a inflação a partir do segundo semestre. O fenômeno climático desafia o agronegócio ao alterar a distribuição das chuvas. Analistas afirmam que eventuais dificuldades na produção de alimentos podem elevar os preços para o consumidor.