24 de julho de 2026

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Endividamento das famílias brasileiras continua no maior nível da história

Economia Endividamento 24/07/2026 09:31 Gabriel Soares, assessor de imprensa

O endividamento das famílias brasileiras parou de crescer em junho, mas continua no maior patamar já registrado. A pesquisa mostra que 81,6% das famílias têm dívidas e 29,9% estão com contas atrasadas. Especialistas alertam que o uso do crédito para despesas do dia a dia pode piorar a situação financeira.

Após cinco meses consecutivos de alta, o endividamento das famílias brasileiras parou de crescer em junho, mas continua no maior nível já registrado pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A pesquisa mostra que 81,6% das famílias têm algum tipo de dívida, o mesmo número de maio, enquanto 29,9% estão com contas em atraso. Apesar da estabilidade, a pressão sobre o orçamento das famílias continua muito alta.

  • 81,6% das famílias brasileiras têm dívidas, o maior número da história
  • 29,9% das famílias estão com contas atrasadas
  • O cartão de crédito é a principal forma de dívida, usado por 84,7% das famílias
  • Especialista alerta que usar crédito para despesas do dia a dia aumenta o risco financeiro
  • Programas como o Desenrola 2.0 ajudam no curto prazo, mas não resolvem o problema de fundo

Os números mostram que o crédito continua sendo uma ferramenta importante para as famílias equilibrarem as contas em um momento de juros altos e custo de vida elevado. Ao mesmo tempo, a pesquisa indica que a situação melhorou um pouco em junho: mais famílias estão com dívidas baixas (34,2%) e o tempo médio de atraso caiu para 64,8 dias. Mas isso não significa que a saúde financeira das famílias melhorou de verdade. Pode ser que muitas já tenham chegado ao limite do que podem pagar, o que torna ainda mais importante planejar as finanças e usar o crédito com cuidado.

Ana Toledo, que é especialista em investimentos e uma das poucas mulheres que atuam na gestão de investimentos no Brasil, além de ser co-fundadora e diretora de investimentos da Ella Wealth, uma empresa de consultoria financeira, avalia que o fato de o índice continuar no maior nível da história mostra que o grande desafio é saber administrar o crédito de forma estratégica. "O crédito faz parte da vida financeira da maioria dos brasileiros e pode ser uma ferramenta importante para antecipar projetos ou organizar o fluxo de caixa. O problema surge quando ele deixa de ser uma decisão planejada e passa a ser usado para cobrir despesas do dia a dia, atrapalhando a construção de patrimônio no longo prazo", afirma. Vale lembrar que o cartão de crédito é a forma de dívida mais comum (84,7%), seguido pelo carnê de loja (16%) e pelo crédito pessoal (13,2%), o que mostra a importância de acompanhar de perto o custo real dessas operações.

Segundo a especialista, é muito importante saber a diferença entre ter dívidas e estar inadimplente. Dívidas para comprar um imóvel, fazer um investimento ou financiar algo planejado podem fazer parte de uma estratégia financeira saudável. Já usar o crédito com frequência para pagar contas do dia a dia ou para pagar outras dívidas aumenta o risco financeiro, especialmente em um momento de juros altos.

Facilidade de crédito digital exige mais cuidado

Além disso, com a maior oferta de produtos financeiros digitais e a facilidade de contratar crédito com poucos cliques, decisões que antes exigiam planejamento agora são tomadas de forma rápida. Essa facilidade amplia o acesso ao crédito, mas também aumenta a responsabilidade do consumidor em entender o custo real das operações e o impacto que elas terão no orçamento ao longo do tempo.

Ana Toledo destaca que a educação financeira precisa ir além do simples controle de gastos. Entender como o crédito afeta os objetivos de médio e longo prazo é fundamental para fortalecer a saúde financeira das famílias. Isso inclui criar uma reserva de emergência, planejar o patrimônio e tomar decisões alinhadas com a realidade financeira de cada pessoa, especialmente em um ambiente de juros altos, onde o custo do endividamento tende a ser maior.

Para a especialista, a estabilidade observada em junho não deve ser vista como um sinal de que os riscos diminuíram. "Permanecer no maior nível da série histórica significa que o endividamento continuará sendo um dos principais desafios das famílias brasileiras. Programas como o Desenrola 2.0 aliviam o sintoma no curto prazo, mas não mudam a causa quando o crédito continua sendo usado para sustentar o consumo do dia a dia. Mais do que reduzir dívidas, será necessário desenvolver uma relação mais estratégica com o dinheiro, baseada em planejamento, educação financeira e decisões alinhadas aos objetivos de longo prazo", conclui Toledo.