Os mercados financeiros globais e brasileiros iniciam a sexta-feira com uma leve recuperação, após dias de perdas. O preço do petróleo caiu um pouco, mas ainda preocupa. Na Europa, a economia mostrou sinais de melhora. O setor de tecnologia está passando por mudanças, e as empresas que não geram lucro estão sendo prejudicadas. No Brasil, os Estados Unidos aumentaram as tarifas sobre produtos brasileiros, o que gerou tensão comercial. O dólar está estável perto de R$ 5,07, e o mercado espera por novas notícias sobre a economia do país.
Bom dia. Tudo bem
Estou com comentários de Olívia Flores de Brás, CEO da Magno Investimentos, sobre os principais destaques dos mercados nesta sexta-feira. Seguem abaixo:
Os mercados iniciam a sexta-feira tentando recuperar parte das perdas dos últimos dias. O petróleo finalmente devolve uma parte da disparada recente, com o Brent recuando para a região de US$ 97 após cinco pregões consecutivos de alta. Os futuros americanos operam em leve recuperação, impulsionados pelo balanço da Intel, enquanto investidores continuam monitorando a guerra entre Estados Unidos e Irã, agora acompanhada de novas ameaças iranianas após Washington discutir o uso de ativos congelados do país. Guerra não destrói apenas infraestrutura. Ela destrói previsibilidade, e esse sempre foi o ativo mais caro do mercado. A paz pode baixar o barril; só a confiança consegue baixar o risco.
- Petróleo em queda: O barril do tipo Brent caiu para US$ 97, depois de cinco dias de alta, aliviando um pouco a pressão sobre os custos de energia.
- Europa melhora: A economia da Zona do Euro e do Reino Unido mostrou sinais de crescimento, com indicadores acima do esperado, o que animou os investidores.
- Exigência de lucro: O setor de tecnologia está passando por uma 'seleção natural': empresas que não geram lucro, mesmo com promessas de inovação, estão sendo punidas pelo mercado.
- Ásia em queda: As bolsas da Ásia fecharam em baixa, com destaque para a Coreia do Sul, que caiu mais de 5%, influenciadas pelo petróleo caro e pela busca por lucros.
- Taxa dos EUA: Os Estados Unidos impuseram uma nova taxa de 12,5% sobre produtos brasileiros, o que gerou uma crise comercial e pode afetar a economia do Brasil.
Na Europa, o humor melhorou. Os PMIs surpreenderam positivamente, mostrando que a atividade econômica voltou a acelerar. O PMI composto da Zona do Euro subiu para 51,9, maior nível em cinco meses, enquanto o Reino Unido registrou 52,1, ambos acima das expectativas e indicando expansão da economia. Os números aliviam parte das preocupações sobre desaceleração global justamente quando a inflação volta a ameaçar por causa da energia. Crescimento é excelente notícia. Crescimento com petróleo caro costuma vir acompanhado da conta. A economia voltou a andar; o problema é que a energia decidiu cobrar pedágio.
O setor de tecnologia continua vivendo um raro momento de seleção natural. Depois das fortes correções provocadas pelos investimentos bilionários em inteligência artificial, o mercado deixou claro que já não basta prometer inovação. Agora exige retorno. O resultado positivo da Intel trouxe algum alívio aos futuros americanos, mas Alphabet, Tesla e IBM reforçaram uma nova realidade: inteligência artificial deixou de ser narrativa e passou a ser obrigação operacional. Toda revolução tecnológica encanta no começo. Depois ela precisa entregar caixa. A IA pode escrever o futuro; por enquanto, Wall Street continua lendo o fluxo de caixa.
Na Ásia, prevaleceu o movimento de realização. O Kospi despencou 5,72%, o Nikkei perdeu 2,73%, enquanto Xangai e Hong Kong também encerraram em queda. A combinação entre lucros embolsados nas ações de tecnologia, petróleo elevado e aumento da aversão ao risco voltou a pressionar os mercados da região. Nem toda correção significa mudança de tendência. Às vezes ela apenas lembra que preço também precisa descansar. Até a euforia precisa fechar para balanço.
No Brasil, a tensão comercial ganhou um novo capítulo. Além da tarifa de 25% já em vigor sobre diversos produtos brasileiros, os Estados Unidos oficializaram uma sobretaxa adicional de 12,5%, alegando falhas no combate ao trabalho forçado. O governo brasileiro classificou a medida como injustificada e prepara novas respostas diplomáticas e econômicas, enquanto União Europeia e Austrália também contestam formalmente as tarifas americanas. Protecionismo raramente resolve problemas internos. Apenas exporta incertezas. Quando a diplomacia falha, a tarifa vira a maneira mais cara de continuar discutindo.
Apesar desse ambiente mais turbulento, o fluxo de capital continua relativamente resiliente. O dólar permanece próximo de R$ 5,07, o índice DXY oscila perto da estabilidade e investidores seguem avaliando o diferencial de juros brasileiro como importante fator de sustentação para os ativos locais. Ao mesmo tempo, o mercado aguarda o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias e novos sinais sobre a trajetória fiscal do governo. O câmbio costuma respeitar mais matemática do que discurso. O real não se fortalece por patriotismo; fortalece-se quando a conta oferece retorno suficiente para o risco.
O mercado também acompanha atentamente a agenda do Banco Central. Gabriel Galípolo participa hoje da Expert XP enquanto cresce a percepção de que o choque recente do petróleo pode reduzir o espaço para novos cortes da Selic nos próximos meses. Quando energia sobe, inflação reaparece; quando inflação reaparece, juros lembram que ainda não terminaram o trabalho. Banco Central não reage ao noticiário. Reage ao que o noticiário faz com as expectativas. O petróleo pode recuar no pregão; a memória inflacionária costuma ficar para a reunião seguinte.
Entre as empresas, a ISA Energia concluiu uma captação de aproximadamente R$ 1,2 bilhão, reforçando sua estrutura de capital, enquanto investidores acompanham os próximos balanços corporativos e a continuidade da temporada de resultados no Brasil e nos Estados Unidos. O foco permanece cada vez menos nas manchetes e cada vez mais na capacidade das empresas de gerar lucro em um ambiente de custo de capital elevado. No fim do dia, valuation continua sendo uma conta. Nunca uma torcida. Empresa boa não é a que conta a melhor história; é a que consegue financiá-la sem destruir valor.

Mercados Imagem gerada por IA


