A importação de carros e peças cresceu 85% no primeiro semestre de 2026, mas a nova tarifa de 35% pode fazer os preços subirem. Entenda como isso afeta o seu bolso e o que esperar para os próximos meses.
Comprar um carro elétrico ou híbrido deixou de ser uma escolha restrita a poucos consumidores. A chegada de novas marcas, especialmente asiáticas, ampliou a variedade de modelos e colocou mais veículos elétricos nas ruas brasileiras. Esse avanço ocorre ao mesmo tempo em que o governo eleva as tarifas de importação, movimento que reacende uma dúvida prática: os preços vão subir nas concessionárias
- A importação de carros e peças cresceu 85,1% no primeiro semestre de 2026, com 111.120 veículos emplacados.
- A nova tarifa de 35% sobre carros importados prontos e semidesmontados começa em julho de 2026.
- Para carros totalmente desmontados (CKD), a mesma alíquota de 35% valerá a partir de janeiro de 2027.
- O governo criou uma cota temporária com imposto zero para alguns veículos desmontados, mas carros prontos não foram incluídos.
- O preço final pode não subir na mesma proporção, pois depende de câmbio, frete, estoques e estratégia das montadoras.
Márcio Buteri, proprietário da GX5 Import, formado em Administração em Comércio Exterior e com mais de 27 anos de experiência em operações internacionais, explica que a resposta depende de vários componentes. Além do imposto, entram na formação do preço o câmbio, o frete, os estoques disponíveis, a margem de cada fabricante e o nível de montagem realizado no Brasil.
O que dizem os números da Abeifa
Conforme a Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa), suas dez marcas associadas emplacaram 111.120 veículos no primeiro semestre de 2026. O resultado representa crescimento de 85,1% diante das 60.045 unidades registradas no mesmo período de 2025. O levantamento reúne veículos importados e modelos produzidos no país pelas empresas associadas. Os eletrificados tiveram participação relevante: foram 105.982 unidades, equivalentes a 43,3% desse mercado no Brasil.
Mudança nas tarifas de importação
A expansão acontece justamente quando a tributação dos veículos elétricos importados chega a uma nova etapa. Desde julho de 2026, automóveis trazidos completamente montados e os modelos semidesmontados, conhecidos pela sigla SKD, passaram a recolher Imposto de Importação de 35%. Para os veículos totalmente desmontados, classificados como CKD, a mesma alíquota está prevista para janeiro de 2027.
O governo também autorizou uma cota temporária com imposto zero para determinados veículos desmontados e semidesmontados destinados à montagem nacional. O benefício vale por seis meses e soma US$ 463 milhões. Carros importados já prontos não foram incluídos nessa cota, o que aumenta a pressão para que fabricantes estrangeiros ampliem etapas de produção dentro do país.
O que esperar para o preço final
Na prática, a tarifa de 35% não significa que o valor exibido na concessionária subirá na mesma proporção. "O imposto incide sobre o valor aduaneiro do veículo, enquanto o preço final reúne vários custos. Algumas marcas podem absorver parte da alta, reduzir margens ou usar estoques formados antes da mudança. Outras podem repassar uma parcela maior ao consumidor", afirma o empresário.
Os estoques devem ter papel importante nos próximos meses. Veículos que entraram no Brasil antes da alíquota maior podem continuar sendo vendidos sem reajuste imediato. A pressão tende a aparecer quando esses lotes forem substituídos por novas unidades importadas. Uma queda do dólar ou do frete pode aliviar parte do impacto, enquanto movimentos no sentido contrário aumentam o custo.
Impacto na produção local e empregos
A mudança tarifária também pode acelerar a montagem local. Quando uma fabricante traz conjuntos de peças para finalizar o veículo no Brasil, parte da cadeia produtiva passa a funcionar internamente, com efeitos sobre investimentos, fornecedores e empregos. A profundidade dessa produção varia conforme o modelo adotado e o número de etapas realmente executadas no país.
"Para o comprador, o mais seguro é acompanhar o preço do modelo desejado, o prazo de entrega e as condições oferecidas pela marca. Elétricos e híbridos não serão afetados de forma idêntica, porque origem, estoque, câmbio e estratégia comercial pesam de maneiras diferentes", explica Márcio Buteri.
A alta registrada pelas marcas associadas à Abeifa mostra que os eletrificados ganharam espaço mesmo com juros elevados e incerteza sobre tarifas. O segundo semestre deverá revelar se a concorrência entre fabricantes será suficiente para conter reajustes ou se a nova tributação começará a aparecer com mais força nas tabelas de preços.

Comprar um carro elétrico ou híbrido deixou de ser uma escolha restrita a poucos consumidores.


