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Indústria de Manaus cresce e ajuda a Economia do Brasil

Economia Crescimento 23/07/2026 11:15 CIEAM e Grupo Printer Comunicação

O Polo Industrial de Manaus (PIM) faturou R$ 78,56 bilhões nos primeiros quatro meses de 2026, um crescimento de 4,4% em relação ao ano anterior. Esse avanço beneficia fornecedores de todo o país, especialmente de São Paulo, e mostra como a Zona Franca de Manaus (ZFM) é importante para gerar empregos, preservar a floresta e movimentar a economia nacional.

Quando a indústria de Manaus cresce, empresas de vários estados brasileiros também crescem junto. Isso mostra, com dados reais, a importância da Zona Franca de Manaus (ZFM) para o desenvolvimento do país. O Polo Industrial de Manaus (PIM) fabrica eletroeletrônicos, bens de informática, motocicletas, bicicletas, produtos químicos e termoplásticos, entre outros itens. Para isso, depende de uma grande rede de fornecedores espalhados pelo Brasil. São Paulo é um dos principais parceiros, fornecendo componentes, máquinas, embalagens, tecnologia, serviços especializados e soluções logísticas para as fábricas de Manaus.

  • O PIM faturou R$ 78,56 bilhões de janeiro a abril de 2026, um crescimento de 4,4% em relação ao mesmo período de 2025.
  • A previsão é que o faturamento total do PIM em 2026 chegue a R$ 247 bilhões.
  • São Paulo fornece mais de R$ 35 bilhões por ano em insumos para o PIM, mais do que muitos países exportam para a região.
  • A Zona Franca de Manaus ajuda a manter 97% da floresta amazônica preservada, gerando empregos e renda na região.
  • O PIM gera cerca de 134 mil empregos diretos, de um total de mais de 578 mil empregos no estado do Amazonas.

O PIM é o maior cliente da indústria paulista fora de São Paulo. Desde o início da ZFM, Manaus nunca funcionou como uma ilha produtiva, explica Lúcio Flávio, presidente executivo do CIEAM (Centro da Indústria do Estado do Amazonas). Ao longo dos anos, Manaus se tornou um elo de uma grande cadeia nacional de fornecedores. Máquinas, equipamentos, componentes eletrônicos, embalagens, softwares industriais, sistemas logísticos, serviços especializados e insumos diversos chegam diariamente ao Amazonas vindos do Sudeste.

Como a Zona Franca de Manaus beneficia outros estados

Dados oficiais da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) mostram que São Paulo fornece mais de R$ 35 bilhões por ano em insumos ao PIM. Esse valor é maior do que a região importa de muitos países. Cada nova fábrica em Manaus gera novas encomendas para fornecedores paulistas. Para o CIEAM, essa relação mostra que a ZFM não é um modelo isolado, mas sim um importante instrumento de integração econômica nacional.

Segundo a entidade, a competitividade da indústria instalada na Amazônia estimula a circulação de riquezas entre diferentes regiões, fortalecendo fornecedores, transportadoras, centros de pesquisa, empresas de tecnologia e prestadores de serviços.

Novas oportunidades para a indústria paulista

No caso de São Paulo, essa integração é ainda mais clara. Componentes eletrônicos, máquinas industriais, embalagens, softwares, equipamentos e serviços especializados produzidos em polos como Campinas, Jundiaí, Sorocaba, São José dos Campos, Ribeirão Preto e Região Metropolitana de São Paulo abastecem as linhas de produção em Manaus. A ampliação de uma fábrica e o lançamento de novos produtos no PIM representam novas oportunidades de negócios para empresas paulistas e de outras regiões do país.

"A ZFM não compete com São Paulo. Pelo contrário: ela movimenta a economia paulista. O crescimento da produção em Manaus gera demanda por insumos, tecnologia, equipamentos e serviços produzidos em diversos centros industriais brasileiros. É uma relação de complementaridade que fortalece a indústria nacional como um todo", destaca Lúcio Flávio.

Preservação ambiental e desenvolvimento sustentável

Os impactos não se limitam à economia. O modelo também desempenha um papel estratégico para a preservação ambiental. Ao gerar emprego formal, renda e arrecadação na Amazônia, a Zona Franca contribui para manter 97% da floresta em pé e promover desenvolvimento sustentável na região.

A importância dessa preservação ultrapassa as fronteiras amazônicas. A floresta influencia diretamente os regimes de chuva que abastecem áreas agrícolas, reservatórios e centros urbanos do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país. Esse cenário gera os chamados "rios voadores", que são correntes atmosféricas que transportam umidade para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. Essas chuvas abastecem reservatórios, alimentam hidrelétricas e sustentam boa parte da produtividade agrícola nacional. Portanto, com a floresta preservada, os benefícios chegam às lavouras do Centro-Oeste, aos sistemas de abastecimento urbano do Sudeste e à matriz energética brasileira.

"Quando falamos da Zona Franca de Manaus, estamos falando de um modelo que combina produção industrial, desenvolvimento regional e conservação ambiental. É uma iniciativa que gera empregos, movimenta a economia nacional e contribui para a preservação de um ativo natural estratégico para todo o Brasil", afirma o presidente executivo do CIEAM.

O futuro da Zona Franca de Manaus

Para Lúcio Flávio, compreender essa interdependência é fundamental para qualificar o debate sobre a política industrial brasileira. "Não estamos falando apenas de um modelo regional. Estamos falando de uma política de desenvolvimento nacional, que conecta fornecedores, gera empregos, impulsiona inovação e distribui oportunidades econômicas por todo o país. A Zona Franca de Manaus é um ativo estratégico do Brasil", destaca.

Os números mais recentes comprovam o sucesso da ZFM. Dados do Painel da Economia Amazonense (PEA) mostram que o PIM faturou R$ 78,56 bilhões entre janeiro e abril de 2026, resultado 4,4% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. A região deve alcançar faturamento total de R$ 247 bilhões em 2026.

"Os números falam por si. Crescimento do faturamento, avanço das exportações e manutenção de mais de 130 mil empregos demonstram que o PIM continua sendo um dos motores da indústria brasileira. Defender esse modelo é defender a geração de riqueza, inovação e oportunidades para o país", afirma Lúcio Flávio.

Apesar desses bons números, vale lembrar que São Paulo possui cerca de 171 mil indústrias, contra pouco mais de 4 mil do Amazonas. O PIM, por sua vez, reúne aproximadamente 600 fábricas de grande porte. Além disso, segundo os dados mais recentes, de 2023, divulgados no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a participação de cada estado na economia brasileira aponta que São Paulo lidera disparado o ranking nacional, com 31,1%, enquanto o Amazonas representa apenas 1,4%. Ou seja: São Paulo ainda produz cerca de 22 vezes mais riqueza do que o Amazonas.