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Empresas familiares: como crescer sem perder a essência

Economia Sucessão 21/07/2026 11:18 Carolina Lara (Lara Comunicação)

Empresas familiares, que representam 90% dos negócios no Brasil, enfrentam o desafio de crescer sem perder sua identidade. No setor de saúde, clínicas odontológicas estão superando esse obstáculo com governança, gestão profissional e definição de papéis, alcançando faturamentos milionários. Saiba como elas estão se profissionalizando e garantindo o futuro dos negócios.

As empresas familiares respondem por cerca de 90% dos negócios brasileiros e têm papel fundamental na geração de empregos e renda no país. Ao mesmo tempo, poucas conseguem atravessar gerações mantendo crescimento sustentável. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), grande parte dos negócios familiares enfrenta dificuldades relacionadas à sucessão, concentração de decisões e falta de profissionalização da gestão.

  • 90% dos negócios no Brasil são familiares, mas poucos duram mais de uma geração.
  • O maior desafio é passar de uma gestão intuitiva para uma gestão profissional.
  • Clínicas de saúde estão usando governança e indicadores para crescer de forma sustentável.
  • Empresas que se profissionalizam geram mais empregos e investem em novas tecnologias.
  • O segredo é definir papéis claros e preparar sucessores com antecedência.

No setor de saúde, onde muitos negócios nasceram a partir da reputação e do trabalho individual dos fundadores, o desafio costuma ser ainda maior. Clínicas que cresceram apoiadas no talento técnico de seus proprietários frequentemente encontram dificuldades para escalar operações, formar lideranças e construir empresas capazes de prosperar além da presença diária do dono.

Foi justamente esse desafio que levou clínicas familiares de diferentes regiões do país a adotar práticas mais comuns em médias e grandes empresas, como governança, acompanhamento de indicadores, definição de responsabilidades, planejamento financeiro e desenvolvimento de lideranças.

O papel da governança

Para Ricardo Novack, administrador e sócio-diretor do Grupo ICOM, o principal ponto de virada acontece quando a família deixa de administrar o negócio de forma intuitiva e passa a enxergá-lo como empresa. "Muitas clínicas familiares crescem com base na confiança entre os membros da família, mas chega um momento em que isso não é suficiente. O crescimento exige processos, indicadores, metas e clareza sobre o papel de cada pessoa dentro da operação", afirma.

Exemplos de sucesso

Na Freire Odontologia, liderada por Lauro Freire, a adoção de ferramentas de gestão e planejamento estruturou processos internos e fortaleceu a capacidade de crescimento sem perder a proximidade com os pacientes. Na Rossoni Odontologia, comandada por Diego Rossoni, a profissionalização permitiu ampliar a atuação e reduzir a dependência do fundador nas decisões do dia a dia.

Movimento semelhante aconteceu na Bongiovanni Odontologia, liderada por Rodrigo Bongiovanni, que adotou práticas de gestão empresarial, indicadores e divisão clara de responsabilidades. Já a Sampaio Odontologia, sob liderança de Gilka Sampaio, combina tradição familiar e gestão profissional, preservando valores e incorporando mecanismos de governança.

Sucessão e crescimento

Segundo Novack, um dos maiores erros das empresas familiares é adiar discussões sobre sucessão e profissionalização. "Muitos empresários acreditam que terão tempo para resolver essas questões no futuro. O problema é que o crescimento costuma acontecer antes. Quando não existe preparação, a empresa corre o risco de ficar dependente demais de uma única pessoa", afirma.

O impacto da profissionalização vai além da organização interna. Empresas familiares que conseguem estruturar processos, desenvolver lideranças e preparar sucessores tornam-se mais eficientes, geram mais empregos e ampliam sua capacidade de investimento. No caso das clínicas de saúde, isso também se reflete na experiência do paciente, na expansão dos serviços e na capacidade de incorporar novas tecnologias.

"O legado de uma empresa familiar não está apenas no patrimônio construído, mas na capacidade de continuar crescendo ao longo das gerações. Quando a gestão evolui, a empresa deixa de depender exclusivamente do fundador e passa a ter condições de construir uma história muito mais longa", conclui Novack.