21 de julho de 2026

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Envelhecimento do Brasil exige que empresas familiares planejem a sucessão

Economia Sucessão 21/07/2026 10:20 Vanessa Fernandes Tobias, advogada especialista em Direito de Família e Sucessões, para o site Mention

O Brasil está envelhecendo rapidamente. Isso significa que muitas empresas da família precisam se preparar para passar o negócio para os filhos e netos. A advogada Vanessa Fernandes Tobias explica por que planejar a sucessão é importante para manter a empresa funcionando e evitar brigas entre os herdeiros.

As brigas por herança voltaram a aparecer nos jornais e mostram um problema que muitas famílias enfrentam: a falta de planejamento para passar a empresa para os filhos. A sucessão, que é o momento de passar o negócio para a próxima geração, ainda é vista como algo que só acontece depois que o pai ou a mãe morre. Mas, na verdade, deveria ser pensada como parte da estratégia para manter o patrimônio e o negócio funcionando. Esse erro fica ainda mais grave com o envelhecimento da população brasileira. Segundo o IBGE, em 2024, as pessoas com 60 anos ou mais são 15,6% da população. Em 2070, serão 37,8%. O Brasil está envelhecendo rápido, e as famílias precisam se preparar para passar a riqueza adiante, mas ainda pensam como se o país fosse o mesmo de antes.

  • O Brasil está envelhecendo rápido: Em 2070, quase 40% da população terá mais de 60 anos, o que vai aumentar muito a transferência de heranças e empresas.
  • 90% das empresas são familiares: A maioria dos negócios no Brasil é de família, mas poucas conseguem passar para os netos.
  • Planejamento é chave: Empresas que se preparam para a sucessão têm mais chances de continuar funcionando bem.
  • Brigas podem ser evitadas: Quando a família define regras claras, evita conflitos e paralisações.
  • Não é só sobre dinheiro: A sucessão também envolve passar conhecimento, liderança e confiança para a próxima geração.

Essa mudança no número de idosos tem um impacto grande na economia, porque a maioria das empresas pertence a famílias. Cerca de 90% das empresas brasileiras são de famílias, segundo o IBGC e o Sebrae. Mas, apesar de serem muitas, essas empresas são frágeis. Estudos mostram que apenas 30% chegam à segunda geração (filhos) e pouquíssimas vão para a terceira (netos). Muita gente acha que isso acontece por causa do mercado, da concorrência ou da tecnologia. Mas, na verdade, muitas vezes a empresa está saudável e perde o rumo justamente quando a família precisa decidir quem vai comandar o negócio, quais regras seguir e como administrar o patrimônio.

Outro erro comum é achar que a sucessão é só fazer um testamento ou pagar menos impostos. Empresas de família não transferem apenas ações ou cotas. Elas transferem respeito, liderança, conhecimento, capacidade de fazer negócios e confiança que foi construída ao longo de anos. Nada disso está protegido automaticamente pela lei. Quando a família adia as decisões importantes, o patrimônio fica seguro no papel, mas a forma de administrar a empresa enfraquece. É nesse momento que surgem brigas entre os herdeiros, os investimentos param, a empresa perde competitividade e os conflitos acabam afetando fornecedores, funcionários e parceiros.

Muita gente acha que falar sobre sucessão pode causar desconforto na família ou dar a impressão de que o fundador vai morrer logo. Na prática, acontece o contrário. O silêncio não acaba com as tensões, apenas impede que elas sejam resolvidas enquanto ainda existe uma liderança forte para conduzir o processo. As famílias que conseguem manter empresas por várias gerações não dependem de relações perfeitas. Elas dependem de regras claras, mecanismos de governança e critérios objetivos para separar o que é da família, o que é da empresa e o que são os sentimentos de cada um. O conflito não nasce do planejamento. Ele surge justamente quando o planejamento nunca foi feito.

O Brasil vai entrar nas próximas décadas em um ciclo de transferência de patrimônio sem precedentes, por causa do envelhecimento da população. Diante disso, tratar a sucessão como um assunto só de advogados ou de impostos é reduzir um problema que afeta diretamente a continuidade de empresas que são responsáveis por grande parte da economia do país. A discussão não é mais só sobre patrimônio. Ela se tornou uma questão de manter a empresa estável, preservar a riqueza e garantir que os negócios continuem. Ignorar essa mudança não adia os problemas. Apenas aumenta o custo que as próximas gerações terão para administrar um patrimônio que poderia ter sido organizado muito antes.