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Reforma tributária: supermercados podem ganhar com as mudanças

Economia Tributação 20/07/2026 16:28 Leonardo Bastos, contador e especialista em tributação

A partir de agosto de 2026, os supermercados terão que emitir notas fiscais com novos impostos. Essa obrigação pode ser uma chance para organizar a empresa, reduzir erros e até ganhar vantagem sobre os concorrentes.

A reforma tributária entra em uma nova etapa a partir de 3 de agosto de 2026. Nessa data, empresas que usam o regime regular terão que emitir documentos fiscais eletrônicos com os novos campos do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Isso inclui uma alíquota teste de 1%. A mudança foi definida pelo Comitê Gestor do IBS e afeta diretamente os supermercados, que lidam com milhares de produtos, fornecedores e regras tributárias diferentes todos os dias.

  • A partir de agosto de 2026, todas as notas fiscais de supermercados precisarão ter os campos do IBS e da CBS preenchidos.
  • A alíquota teste será de 1%, mas o objetivo é testar os sistemas antes da implementação total.
  • Supermercados que revisarem seus cadastros e processos podem evitar erros e multas.
  • Leonardo Bastos, especialista em contabilidade, diz que a reforma é uma chance de organizar a empresa.
  • O setor de supermercados é um dos mais importantes do comércio brasileiro, segundo o IBGE.

Leonardo Bastos é contador, perito contábil judicial e tem MBA em Direito Tributário e Auditoria Digital. Ele fundou a Superfood Contábil, empresa que ajuda supermercados com contabilidade estratégica. Para ele, a reforma tributária é mais do que uma obrigação. "Ela obriga as empresas a olharem para processos que ficaram parados por anos. Revisar cadastros, classificação fiscal e integração entre sistemas reduz erros e melhora a tomada de decisões", afirma.

Reforma exige organização

Para cumprir as novas regras, os supermercados precisam revisar informações de produtos, códigos NCM, regras tributárias e a integração entre sistemas de caixa e emissão de notas. Se não fizerem isso, as notas fiscais podem ser rejeitadas pelos sistemas autorizadores. O desafio é maior nos supermercados por causa do grande volume de itens. "A preocupação não deve ser apenas cumprir a lei. Quem aproveitar para organizar a operação vai construir uma base sólida para os próximos anos", explica Bastos.

Eficiência fiscal vira vantagem

Dados do IBGE mostram que o setor de supermercados é um dos principais responsáveis pelo desempenho do comércio varejista brasileiro. Isso mostra como mudanças tributárias podem ter um grande impacto. Segundo Bastos, empresas que usarem esse período para revisar processos internos podem reduzir erros fiscais e transformar informações em indicadores de gestão. "A reforma aproxima a gestão tributária da estratégia empresarial. Dados de qualidade ajudam a controlar custos, proteger margens e encontrar oportunidades de eficiência", diz.

Revisão contínua após a transição

Na opinião do especialista, a adaptação não termina com a implementação dos novos campos. Os supermercados devem adotar uma rotina de auditoria de cadastros e revisão tributária. "Empresários que veem a reforma só como obrigação farão o mínimo. Já os que a usarem para reorganizar a empresa ganharão produtividade e segurança fiscal. A legislação muda, mas uma gestão bem estruturada gera resultado por muito tempo", conclui.