As famílias mais ricas do mundo estão investindo cada vez mais em imóveis de luxo no Brasil, especialmente em Santa Catarina. Com a perspectiva de aumento de impostos, elas usam essas propriedades como forma de proteger e planejar a herança. Em Itapema, já existem imóveis que custam mais de R$ 50 milhões, comprados por empresas familiares, não por pessoas físicas.
O Brasil está na mira do dinheiro internacional. O relatório "Global Family Office Report 2025", do banco UBS, mostra que 30% das estruturas de gestão de fortunas do mundo planejam aumentar seus investimentos no país. Isso coloca o Brasil à frente da Índia e do México na disputa por esse dinheiro. Do total dessas famílias, 44% do dinheiro é aplicado em investimentos alternativos, e o setor imobiliário sozinho representa 11% de tudo o que é investido.
- As holdings familiares gerenciam mais de US$ 3,1 trilhões no mundo.
- Em Itapema (SC), o metro quadrado é o mais caro do Brasil.
- Imóveis de luxo na cidade já passam de R$ 50 milhões.
- Compradores estão usando CNPJs e holdings para proteger o patrimônio.
- O jogador Neymar Jr. e a influenciadora Virgínia Fonseca são alguns dos nomes que investiram na região.
No Brasil, o litoral de Santa Catarina virou um centro de negócios e proteção de patrimônio. Em Itapema, onde o metro quadrado é o mais caro do país, as transações imobiliárias de alto valor estão sendo feitas por empresas, e não mais por pessoas físicas. São as holdings familiares que estão comprando os imóveis mais exclusivos da região.
A consultoria Deloitte revelou que os escritórios de família no mundo já administram mais de US$ 3,1 trilhões. Esse valor deve crescer 73% até 2030, chegando a US$ 5,4 trilhões.
Por que imóveis de luxo estão atraindo tanto dinheiro
No Brasil, a reforma tributária e o possível aumento do imposto sobre heranças (ITCMD) estão acelerando a busca por imóveis de luxo. Famílias de vários setores, como agroindústria, nova economia digital, celebridades e grandes empresários, estão criando holdings para proteger seu dinheiro e planejar a sucessão.
O luxo ostensivo está dando lugar à discrição e à segurança. Um imóvel em uma área com poucos terrenos disponíveis, como a orla de Itapema, funciona como um "cofre" que protege o dinheiro das mudanças do câmbio e da inflação.
No entanto, o dinheiro das holdings não aceita amadorismo. Exige auditoria de padrão internacional, como explica Luiz Feitosa, especialista imobiliário e diretor da construtora Edify.
O Edify One, um prédio em construção em Itapema, tem unidades que custam até R$ 54 milhões. O projeto atrai investidores de holdings e tem como sócia a NR Sports, empresa da família do jogador Neymar Jr. Além do próprio atleta, que terá um apartamento, outras celebridades como a influenciadora Virgínia Fonseca já investiram no empreendimento.
"A entrada de empresas e holdings na compra de imóveis de luxo cresceu muito e mudou a lógica do mercado. Esse comprador de alto padrão, que muitas vezes é uma celebridade, não age por impulso; ele exige auditoria, rentabilidade e proteção jurídica", analisa Feitosa.
A tendência é que a criação de holdings familiares continue a crescer. Segundo a Deloitte, a riqueza global dessas famílias já ultrapassa US$ 5,5 trilhões e deve chegar a US$ 9,5 trilhões até 2030, um aumento de 189%.

Divulgação/Edify One




