18 de julho de 2026

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Fraudes financeiras crescem 10% e afetam mais quem ganha pouco

Economia Fraudes 18/07/2026 10:51 Wellton Máximo - Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br

Nos primeiros seis meses de 2026, o Brasil registrou mais de 9 milhões de tentativas de golpes financeiros, um aumento de 10% em relação ao semestre anterior. As novas regras do Banco Central, que obrigam os bancos a compartilhar informações, ajudaram a identificar mais fraudes. A maioria das vítimas, 58%, ganha até dois salários mínimos. O celular foi o principal meio usado pelos criminosos, e o Pix, a forma de pagamento mais usada nos golpes. Jovens entre 18 e 34 anos são os principais alvos.

O número de indícios de fraudes financeiras no Brasil cresceu 10,26% nos primeiros seis meses de 2026, totalizando mais de 9 milhões de ocorrências entre casos suspeitos e confirmados. No segundo semestre do ano passado, foram 8,26 milhões de registros.

Segundo a Quod, empresa especializada em inteligência de dados para o mercado de crédito, esse aumento reflete, principalmente, o fortalecimento dos mecanismos de detecção após a implementação da Resolução 501 do Banco Central, que ampliou o compartilhamento de informações entre as instituições financeiras para combater golpes.

  • Mais de 9 milhões de fraudes foram registradas em apenas seis meses.
  • O celular foi usado em 78% dos golpes, sendo a principal ferramenta dos criminosos.
  • O Pix foi o meio de pagamento mais usado, aparecendo em 85% dos casos.
  • Jovens de 18 a 34 anos são os mais atingidos, representando quase metade das vítimas.
  • 58% das vítimas ganham até dois salários mínimos, mostrando que os golpes afetam mais quem tem menos renda.

Sistema de alerta entre bancos

O estudo foi feito com dados do Registro Unificado de Fraudes (Rufra), uma base criada pela Quod que reúne informações de fraudes compartilhadas por bancos e empresas. Esse sistema centraliza dados de segurança para identificar como os criminosos agem, acompanhar o histórico de vítimas e fraudadores e permitir o bloqueio de operações suspeitas antes que o golpe se concretize.

Além de ajudar a prevenir golpes, o Rufra também atende às exigências da Resolução 501 do Banco Central, que tornou a troca de informações entre as instituições financeiras mais rigorosa. Com isso, tentativas de fraude que antes não eram registradas passaram a fazer parte de uma base única de inteligência, aumentando a capacidade de detecção do sistema financeiro.

Números principais

  • Mais de 9 milhões de indícios de fraudes no primeiro semestre de 2026.
  • Alta de 10,26% em relação ao segundo semestre de 2025.
  • 78% das fraudes ocorreram por meio de celulares.
  • 94% envolveram contas correntes.
  • 85% utilizaram o Pix para movimentar os recursos.
  • 40% dos casos tiveram origem em golpes de engenharia social (manipulação psicológica).
  • 3,1 milhões de pessoas foram vítimas de fraudes no período.
  • Cerca de 799 mil vítimas sofreram golpes duas vezes ou mais.

Novas regras ajudam a identificar mais golpes

Segundo a Quod, o aumento dos registros não significa apenas que há mais criminosos agindo, mas também que o mercado está mais preparado para identificar as fraudes. Danilo Coelho, diretor de Produtos e Dados da Quod, afirma que o crescimento de 10% reflete o amadurecimento das defesas do mercado financeiro. Com a Resolução 501 do Banco Central, as instituições passaram a compartilhar informações de forma mais ativa, detectando tentativas de golpes que antes ficavam escondidas.

Celular e Pix: a dupla preferida dos criminosos

O ambiente digital continua sendo o principal palco das fraudes financeiras no país. O celular foi usado em 78% dos casos, tornando-se o principal canal dos criminosos. As contas correntes apareceram em 94% dos indícios, e o Pix foi o meio de pagamento mais usado, em 85% das fraudes.

Golpes psicológicos: a estratégia mais comum

A engenharia social, que é a manipulação psicológica das vítimas para conseguir informações ou convencê-las a fazer transferências, foi a responsável por 40% dos registros. Isso equivale a mais de 3,6 milhões de ocorrências no semestre.

Quem são as vítimas

Os jovens são os principais alvos. Pessoas entre 18 e 34 anos representam 49,06% das vítimas. A faixa de 35 a 49 anos responde por 29,98% dos casos. Homens correspondem a 51% dos registros e mulheres, a 48%. A maioria das vítimas, 58%, ganha até dois salários mínimos. O levantamento também mostrou que muitas pessoas são enganadas mais de uma vez. Das 3,1 milhões de pessoas que sofreram golpes no semestre, cerca de 799 mil, um quarto do total, foram vítimas duas ou mais vezes.

Como se proteger

A Quod recomenda que os consumidores tenham mais cuidado com as operações financeiras, especialmente pelo celular. Danilo Coelho orienta: nunca tome decisões financeiras apressadas durante o expediente de trabalho, quando os fraudadores aproveitam a distração das vítimas. Não clique em links recebidos por mensagens e não empreste sua conta bancária para receber ou transferir valores de terceiros, pois isso pode tornar a pessoa cúmplice e vítima de esquemas de contas laranja.