A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) criticou a nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A entidade defende negociação diplomática e alerta que o produtor rural é quem mais sofre com essas decisões.
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) mostrou preocupação com a decisão dos Estados Unidos de colocar uma taxa extra de 25% em alguns produtos brasileiros. Em um comunicado divulgado nesta quinta-feira (16), a entidade disse que o Brasil deve tentar conversar e negociar com os americanos, em vez de criar uma briga comercial.
Segundo a Faesp, o aumento das taxas exige que o governo brasileiro atue com diplomacia, técnica e sem misturar com disputas políticas. A federação acredita que as relações comerciais entre países devem ser feitas com diálogo e regras claras, e não com medidas de um lado só seguidas de vinganças.
- Os EUA vão cobrar 25% a mais em alguns produtos do Brasil, o que pode aumentar os preços para os consumidores.
- A Faesp pede que o Brasil negocie com os EUA, em vez de revidar com outras taxas, para evitar uma guerra comercial.
- O produtor rural brasileiro segue as regras internacionais, mas acaba pagando por decisões que não controla, segundo a entidade.
- Café e carne ficaram de fora da nova lista de taxas, o que é visto como um ponto positivo para as exportações.
- Os EUA disseram que podem revisar as medidas se o Brasil não retaliar, mostrando que o diálogo ainda é possível.
O comunicado diz: "O setor produtivo brasileiro fez, e continua fazendo, a sua parte. O agronegócio paulista e nacional segue cumprindo exigências sanitárias, ambientais e regulatórias internacionais, investindo em rastreabilidade, sustentabilidade e competitividade, exatamente para manter o Brasil como parceiro comercial confiável do mundo. Não é o produtor rural quem decide em Washington e ainda assim é ele quem paga a conta de decisões tomadas fora de seu alcance."
A federação também afirmou que o governo brasileiro deve intensificar o diálogo com os Estados Unidos para resolver as diferenças comerciais, regulatórias e tarifárias por meio da negociação, preservando setores importantes para as exportações nacionais. A entidade destacou como positiva a exclusão de produtos como café e carne da nova lista de tarifas.
"A retaliação inconsequente, motivada por embate político, tende a produzir apenas nova escalada tarifária, maior insegurança jurídica e mais custo para quem produz. O Representante Comercial dos Estados Unidos condicionou eventuais revisões das medidas à ausência de retaliação brasileira e sinalizou disposição de manter aberto o canal de diálogo com o governo brasileiro, indicativo de que a via da negociação segue disponível", argumenta a nota.
Ao final da nota, o presidente da Faesp, Tirso Meirelles, reforçou que relações comerciais duradouras dependem de credibilidade, confiança e diplomacia, e não de confrontos entre os países.

Colheita de soja na Fazenda Itamarati, do grupo Amaggi, em Tangará da Serra (MT) - ALEX SILVA/ESTADÃO CONTEÚDO


