16 de julho de 2026

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Amcham Brasil critica tarifa dos EUA e pede retomada do diálogo

Economia Tarifas 16/07/2026 08:31 Jovem Pan jovempan.com.br

A Amcham Brasil criticou a decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros. A entidade afirma que a medida pode prejudicar a economia dos próprios EUA e defende a retomada das negociações entre os dois países.

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) disse que a decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa extra de 25% sobre cerca de 3 mil produtos brasileiros foi um resultado muito negativo para a relação entre os dois países. A medida foi anunciada na quarta-feira (15) e começa a valer no dia 22 de julho.

Segundo a Amcham, essa taxa coloca o Brasil entre os países com as condições mais difíceis para vender seus produtos para os Estados Unidos. Mais de 11 bilhões de dólares em vendas dos setores industrial e do agronegócio brasileiro serão afetados. A entidade também destacou que os Estados Unidos tiveram um superávit de 41,8 bilhões de dólares em bens e serviços com o Brasil em 2025, enquanto os produtos americanos pagam tarifas baixas para entrar no Brasil.

  • A tarifa de 25% atinge 3 mil produtos brasileiros, como alimentos e peças industriais
  • Os Estados Unidos tiveram lucro de 41,8 bilhões de dólares nas vendas para o Brasil em 2025
  • A Amcham alerta que a medida pode aumentar custos para empresas e consumidores americanos
  • O comércio entre os dois países já caiu 13% neste ano
  • Novas tarifas podem chegar a 37,5% se houver novas investigações sobre trabalho forçado

Além de prejudicar os exportadores brasileiros, a Amcham avalia que a decisão também pode afetar a economia dos próprios Estados Unidos. A aplicação de taxas extras tende a aumentar os custos para empresas e consumidores americanos, reduzir a competitividade das indústrias que usam produtos brasileiros e aumentar a dependência de fornecedores asiáticos, o que pode piorar o déficit comercial dos Estados Unidos com esses países.

O comunicado também diz que a medida pode atrapalhar a cooperação entre os dois países em áreas importantes, como minerais essenciais, energia, economia digital e propriedade intelectual. Segundo a Amcham, o aumento das tarifas pode fazer o comércio bilateral encolher ainda mais, já que houve uma queda de 13% neste ano. Isso também pode afetar negativamente os investimentos entre Brasil e Estados Unidos.

O presidente da entidade, Abrão Neto, defendeu que os governos dos dois países continuem conversando. Ele espera que os canais de diálogo fiquem abertos, mesmo que não tenha sido possível chegar a um acordo. As negociações, que se intensificaram nos últimos meses, seguem sendo o melhor caminho para retirar as taxas extras e construir uma agenda bilateral mais ampla.

Ele também alertou para a possibilidade de novas medidas comerciais. Esse esforço se torna ainda mais urgente por causa da chance de novas tarifas no âmbito de uma investigação sobre trabalho forçado, que podem elevar as taxas extras sobre produtos brasileiros para até 37,5%.

A Amcham considerou positiva a exclusão de uma lista de produtos das novas tarifas. A entidade disse que a decisão reduz parte dos impactos econômicos da medida. No entanto, defendeu a criação de um mecanismo que permita aumentar a lista de itens isentos quando as taxas extras causarem prejuízos muito grandes para empresas e consumidores ou não ajudarem a resolver os problemas comerciais levantados pelos Estados Unidos.

No final do comunicado, a Amcham Brasil reafirmou que continuará trabalhando para fortalecer o diálogo entre os setores público e privado dos dois países e apoiar oportunidades de crescimento, investimentos e geração de empregos nas duas economias.