15 de julho de 2026

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Reforma tributária pode afetar o preço do carrinho de compras

Economia Tributação 15/07/2026 14:03 Carolina Lara - Lara Comunicação

A reforma tributária sobre o consumo está saindo do papel e já começa a mudar a forma como as empresas calculam seus preços. A partir de 2026, as notas fiscais terão novos impostos (IBS e CBS) e as empresas precisam se adaptar para não errar na conta e repassar custos a mais para o consumidor. O especialista André Fantoni explica que o impacto no bolso do consumidor vai depender de como cada setor e empresa conseguem gerenciar seus créditos e custos.

A reforma tributária sobre o consumo está deixando o mundo das ideias e entrando na conta das empresas. Em 2025, a carga tributária do governo chegou a 32,40% do PIB, segundo o Tesouro Nacional. Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 77% dos empresários acreditam que o Custo Brasil aumenta os preços para o consumidor. Isso explica por que a mudança nos impostos pode chegar ao carrinho de compras nos próximos anos.

  • A reforma tributária mexe com a nota fiscal: A partir de 2026, as empresas precisam colocar na nota fiscal dois novos impostos: o IBS e a CBS. Isso muda a forma de calcular o preço final.
  • O impacto no preço não é igual para todos: Setores que usam muitos insumos e conseguem créditos tributários podem até ganhar competitividade. Já empresas com margens apertadas podem sofrer mais.
  • Erro na nota fiscal pode encarecer o produto: Se o sistema da empresa não estiver preparado, o cálculo do imposto pode sair errado e o consumidor pode pagar mais caro.
  • Preço não depende só de imposto: Logística, mão de obra, concorrência e estratégia comercial também influenciam o valor final. A reforma é só uma peça do quebra-cabeça.
  • Quem se preparar antes pode evitar repasses: Empresas que revisarem seus sistemas e contratos agora podem proteger sua margem e não precisar aumentar o preço para o consumidor.

Para André Fantoni, especialista em ICMS e reforma tributária, o impacto para o consumidor não será igual para todo mundo. Setores que usam muitos insumos que já pagam imposto e conseguem descontos (créditos) podem ficar mais competitivos. Já empresas com pouca geração de crédito, margens apertadas ou cadastro fiscal desatualizado tendem a enfrentar mais dificuldade durante a transição. "A reforma tributária vai mexer diretamente na forma como as empresas calculam preço, margem e crédito. O consumidor pode não perceber isso de imediato, mas qualquer erro na operação fiscal pode aparecer no preço final do produto ou na perda de competitividade da empresa", afirma o especialista.

Reforma tributária entra na rotina das notas fiscais

A partir de 2026, os contribuintes passaram a emitir notas fiscais eletrônicas com destaque do IBS e da CBS, seguindo as regras da Receita Federal. Neste ano, a alíquota de teste é de 1% (0,9% de CBS e 0,1% de IBS), dentro da fase de adaptação do novo modelo de tributação sobre o consumo. Segundo o Comitê Gestor do IBS, empresas do regime regular não poderão emitir notas fiscais eletrônicas sem preencher os campos do IBS e da CBS. Todos os documentos devem conter os novos campos, incluindo a alíquota teste de 1%.

Na avaliação do especialista, isso muda a urgência do tema. "A reforma tributária deixa de ser uma pauta distante quando passa a bater na emissão da nota fiscal. Se o cadastro do produto estiver errado, se a classificação fiscal estiver desatualizada ou se o sistema não estiver preparado, a empresa pode gerar informação incorreta e tomar decisão comercial com base em número distorcido."

Crédito tributário pode definir quem ganha margem

O novo sistema busca reduzir a cumulatividade, um problema comum no modelo atual, onde os impostos se acumulam ao longo da cadeia produtiva. Na prática, o impacto sobre o preço final dependerá de como cada empresa compra, vende, toma crédito, repassa custo e negocia com fornecedores. Indústria, atacado, varejo e parte do agronegócio podem ter efeitos diferentes, mesmo quando vendem produtos semelhantes. Uma empresa que consegue aproveitar créditos de forma correta pode ter mais espaço para proteger sua margem ou reduzir o preço. Outra, com cadeia menos creditável ou gestão fiscal frágil, pode ter menos margem para absorver alterações de carga. "Não existe uma resposta única para dizer que a reforma tributária vai baratear ou encarecer tudo. O efeito depende do setor, do regime, da cadeia de fornecedores, dos créditos disponíveis e da capacidade de repasse. Dois negócios do mesmo segmento podem chegar a resultados muito diferentes", diz o estrategista.

Preço ao consumidor depende de mais do que imposto

Embora o debate público costume associar reforma tributária a aumento ou queda de preço, Fantoni afirma que a formação do valor final envolve variáveis que vão além da alíquota. Logística, mão de obra, estoque, concorrência, contratos, prazo de pagamento e poder de compra do consumidor também entram na conta. Além de apontar que 70% dos empresários industriais veem a carga tributária como o principal problema do Custo Brasil, o levantamento indica que a maioria percebe reflexo direto desses custos no valor pago pelo consumidor. "Preço não é só imposto. A tributação influencia, mas a decisão final envolve operação, margem, fluxo de caixa e estratégia comercial. A empresa que olhar apenas para a alíquota pode errar. O ponto central é entender como a reforma tributária altera a composição do custo", afirma o CEO.

Empresas precisam revisar sistemas e contratos

Durante a transição, o planejamento tributário passa a ter efeito direto sobre a área comercial. A recomendação é revisar cadastros fiscais, sistemas de emissão de nota, contratos com fornecedores, classificação de produtos, créditos acumulados, regimes especiais e política de preços. Segundo o profissional, a adaptação deve envolver contabilidade, jurídico, financeiro, tecnologia e vendas. O risco está em tratar a mudança apenas como obrigação fiscal, quando ela também pode afetar caixa, competitividade e relação com o consumidor. "A reforma tributária exige uma leitura estratégica. Quem se preparar antes poderá simular cenários, proteger margem e evitar repasses desnecessários. Quem deixar para ajustar depois pode descobrir tarde que estava vendendo com preço errado."