15 de julho de 2026

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Inadimplência no campo sobe e atinge 8,8% no início de 2026

Economia Inadimplência 15/07/2026 07:40 Gustavo Lustosa - AgFeed agfeed.com.br

A inadimplência dos produtores rurais brasileiros subiu pelo quarto trimestre seguido, chegando a 8,8% nos primeiros meses de 2026. O Norte do país lidera o ranking de calotes, e os produtores entre 30 e 39 anos são os que mais devem.

A crise no crédito agrícola ainda está longe de acabar. Dados divulgados pela Serasa Experian mostram que a inadimplência dos produtores rurais chegou a 8,8% no primeiro trimestre de 2026.

No mesmo período de 2025, o índice era de 7,6%. Em dezembro de 2025, estava em 8,2%. Essa foi a maior alta seguida entre um trimestre e outro: 0,6 ponto percentual.

  • No Norte do Brasil, a inadimplência é a maior, com 13,2% dos produtores rurais devendo.
  • Produtores entre 30 e 39 anos são os que mais devem, com 13,6% de inadimplência.
  • O Amapá é o estado campeão de calotes, com 21,2% de inadimplência.
  • A nota média de risco de crédito dos produtores caiu de 606 para 591 pontos.
  • A dívida considerada é acima de R$ 1 mil e com mais de 180 dias de atraso.

O índice da Serasa considera dívidas de pessoas físicas do campo que estão vencidas há mais de 180 dias. Essas dívidas foram feitas com empresas ligadas ao agronegócio.

Marcelo Pimenta, chefe do agronegócio da Serasa Experian, disse que a alta da inadimplência mostra que os produtores rurais ainda enfrentam dificuldades para se organizar financeiramente.

Ele explicou que, mesmo com boas perspectivas para alguns setores do agro, os efeitos de safras passadas, com custos altos, preços que sobem e descem e crédito mais difícil, ainda afetam o caixa e a capacidade de pagamento dos produtores.

Quem mais deve

A Serasa descobriu que os produtores rurais sem registro oficial, como arrendatários ou membros de famílias que trabalham juntas, têm a maior inadimplência: 11%. Depois vêm os grandes proprietários, com 9,9%, seguidos pelos médios (8,6%) e pequenos (8,3%).

Em comparação com dezembro de 2025, a maior alta foi justamente nesse primeiro grupo, que tinha 9,9% de inadimplência. Os outros grupos tiveram altas menores ou ficaram estáveis.

Por idade, os produtores entre 30 e 39 anos são os que mais devem, com 13,6% de inadimplência. Essa faixa é considerada a mais ativa economicamente.

Ela é seguida pelos produtores de 18 a 29 anos (12,4%) e de 40 a 49 anos (11,3%). A partir dos 50 anos, a inadimplência cai. A menor taxa é entre os maiores de 80 anos: 3,6%.

Regiões e estados com mais problemas

No Norte, a inadimplência é a maior do país, com 13,2%. Depois vêm o Nordeste (10,2%) e o Centro-Oeste (10,1%). Já o Sudeste (7,3%) e o Sul (6,2%) têm os menores índices.

O Amapá lidera a inadimplência entre os estados, com 21,2%. Em seguida estão Amazonas (15%) e Roraima (14,4%). Os três estados do Sul - Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul - têm as menores taxas: 6,4%, 6,4% e 5,8%, respectivamente.

Os maiores produtores de grãos, Mato Grosso e Goiás, ficaram perto da média nacional, com 11,3% e 9,6% de inadimplência.

Risco de crédito aumenta

A Serasa também mostrou que o Agro Score, uma nota que mede o risco de inadimplência dos produtores rurais, caiu no primeiro trimestre. A pontuação média foi de 606 pontos no início de 2025 para 591 pontos no mesmo período de 2026.

Isso significa que os produtores estão sendo vistos como mais arriscados para receber crédito. A empresa diz que isso mostra a necessidade de análises mais cuidadosas na hora de emprestar dinheiro para o setor.

Para calcular a inadimplência, a Serasa considerou dívidas de pelo menos R$ 1 mil, vencidas há mais de 180 dias, e ligadas ao financiamento da atividade rural.

As categorias de credores usadas foram: instituições financeiras (bancos, fundos, cooperativas), setor agro (indústrias, comércio, serviços e revendas) e outros setores (seguradoras, transporte e armazenamento).

O cálculo é feito com base em 11,3 milhões de pessoas físicas mapeadas na população rural, que têm registro no CAR, Cafir ou Sintegra.