14 de julho de 2026

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Experiência antes da compra: como vender imóveis turísticos na prática

Economia Turismo 14/07/2026 15:30 Luciene de Oliveira - Jovem Pan jovempan.com.br

Empresas de turismo estão mudando a forma de vender imóveis. Em vez de só mostrar maquetes e plantas, elas convidam os clientes a se hospedar no local. Quem fica hospedado tem até três vezes mais chance de comprar uma parte do imóvel. Essa estratégia está crescendo no Brasil e ajudando mais pessoas a entenderem como funciona a multipropriedade, um modelo onde você compra uma fração de um resort e pode usá-lo todos os anos.

O mercado de imóveis turísticos está mudando a forma de vender. Em vez de só mostrar maquetes, plantas e promessas de lucro, as empresas agora preferem deixar o cliente experimentar o lugar antes de comprar. Essa ideia está crescendo junto com a multipropriedade, que é quando você compra uma parte de um resort e pode usá-lo todos os anos.

A lógica é simples: antes de decidir, o cliente pode conhecer na prática o que vai comprar. A pessoa reserva uma hospedagem, usa a piscina, os restaurantes, as áreas de lazer e, durante a estadia, descobre que pode adquirir uma fração daquele lugar. A decisão não é mais baseada só em uma conversa de vendas, mas sim na experiência real.

  • Quem se hospeda tem até três vezes mais chance de comprar uma fração do resort.
  • O mercado de multipropriedade no Brasil cresceu 16,6% em 2025, chegando a R$ 92,7 bilhões.
  • Em cinco anos, o número de empreendimentos desse tipo mais que dobrou, passando de 109 para 216.
  • Destinos como Gramado, Porto de Galinhas e Maragogi estão entre os que mais recebem investimentos.
  • A ideia é que o cliente entenda exatamente o que está comprando, evitando arrependimentos.

Esse movimento segue uma tendência que já acontece em outras áreas, como carros, entretenimento e aviação. Cada vez mais, as pessoas querem usar os bens sem precisar arcar com todos os custos de ter algo só para si. No turismo, isso também está se espalhando.

Como funciona na prática

Na GAV Resorts, por exemplo, vender dentro do próprio resort funciona muito melhor do que vender em lojas fora dali. O CEO da empresa, Manoel Gama, conta que a taxa de conversão entre hóspedes é três vezes maior. "A pessoa já conheceu o produto e entende exatamente o que está comprando", afirma.

Para as famílias, a multipropriedade é uma forma de viajar todo ano sem ter que bancar os custos de uma casa de praia ou campo. O investimento inicial é mais baixo e o acesso a piscinas, parques e serviços é muito maior do que seria em uma propriedade individual.

Crescimento do setor

Há pouco mais de dez anos, esse modelo era pouco conhecido fora de alguns lugares turísticos. Hoje, ele está em várias regiões do país e atrai construtoras, investidores e hotéis. Um levantamento feito pela consultoria Caio Calfat Real Estate Consulting, apresentado no evento ADIT Share 2025, mostrou que o Valor Geral de Vendas (VGV) potencial da indústria de multipropriedade no Brasil chegou a R$ 92,7 bilhões em 2025. Isso é um crescimento de 16,6% em relação ao ano anterior.

O número de empreendimentos também cresceu. Em cinco anos, passou de 109 para 216, espalhando-se por 97 cidades em 18 estados. Isso mostra que a propriedade compartilhada é uma das áreas que mais cresce no turismo imobiliário brasileiro.

Destinos e investimentos

O setor também se beneficia do fortalecimento do turismo dentro do Brasil. Lugares como Gramado (RS), Porto de Galinhas (PE), Maragogi (AL) e o litoral do Ceará continuam atraindo dinheiro e tendo cada vez mais demanda por hospedagem de qualidade. As viagens dentro do país estão mais valorizadas, o que abre espaço para novos resorts voltados para o lazer em família e aumenta a competição entre as empresas.

Hoje, a GAV opera seis resorts no Brasil e está construindo novos em Salinópolis (PA), Gramado (RS) e Preá (CE). A expansão mostra que o setor ainda tem muito potencial para crescer.

Desafios e tecnologia

Para Manoel Gama, o maior desafio ainda é fazer com que mais pessoas conheçam a multipropriedade. Embora o modelo tenha avançado, muita gente ainda não sabe como funciona. Outro ponto é o investimento em lazer para a família. Os resorts estão colocando mais dinheiro em parques aquáticos, atividades para crianças e esportes, para criar laços com os hóspedes e fazer com que eles queiram voltar.

A tecnologia também está ajudando. Ferramentas de inteligência artificial já são usadas no atendimento, e sistemas de automação ajudam a gerenciar a base de clientes. A ideia é usar cada vez mais essas soluções para melhorar o serviço e tornar a comunicação mais personalizada.

A união de turismo, tecnologia e novos hábitos de consumo explica por que a propriedade compartilhada está crescendo no país. Mais do que vender um imóvel, as empresas querem oferecer uma forma de viajar com frequência, com planejamento financeiro e acesso a bons destinos.