Com mais de 470 mil afastamentos por transtornos mentais em 2024 e novas regras do governo, as empresas agora são obrigadas a monitorar o estresse e o bem-estar dos funcionários. Quem não se adaptar pode levar multas e ter prejuízos. Entenda o que muda e como se preparar.
Os afastamentos por problemas de saúde mental no Brasil bateram recorde em 2024. De acordo com o Ministério da Previdência Social, mais de 470 mil pessoas receberam benefícios por incapacidade por causa de transtornos mentais e comportamentais. Ao mesmo tempo, novas regras de segurança do trabalho estão obrigando as empresas a criar indicadores para monitorar os riscos emocionais e comprovar que estão tomando medidas preventivas.
- Mais de 470 mil brasileiros se afastaram do trabalho por problemas mentais em 2024, o maior número em 10 anos.
- Nova lei (14.831/2024) cria um certificado para empresas que cuidam bem da saúde mental dos funcionários.
- A NR-1, norma de segurança do trabalho, agora exige que as empresas monitorem fatores como estresse e assédio.
- Depressão e ansiedade causam um prejuízo global de US$ 1 trilhão por ano em perda de produtividade.
- Empresas que não se adaptarem podem sofrer multas, ações na Justiça e perder talentos.
Jéssica Palin Martins é advogada, psicóloga e fundadora da IntegraMente, uma plataforma que ajuda empresas a medir a saúde emocional dos funcionários. Ela explica que a grande mudança não é apenas criar programas de bem-estar, mas sim conseguir mostrar resultados. "Não adianta fazer ações soltas. É preciso medir, documentar e acompanhar", afirma.
A atualização da NR-1 colocou os fatores psicossociais, como estresse e assédio, no mesmo nível de risco de outros problemas de segurança. Isso significa que a saúde mental agora faz parte da gestão de riscos das empresas, que precisam ter provas documentadas do que estão fazendo.
Esse movimento ganhou força com a Lei 14.831/2024, que criou o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental. Para ganhar esse selo, a empresa precisa mostrar que tem ações contínuas, políticas estruturadas e formas de acompanhar os resultados.
O que não está documentado pode não existir para a fiscalização
Segundo a especialista, muitas empresas ainda confundem campanhas de conscientização com uma gestão emocional de verdade. A tendência é que as auditorias e fiscalizações passem a exigir provas cada vez mais concretas.
"As empresas vão precisar mostrar quais riscos identificaram, o que fizeram para resolver e quais resultados alcançaram. A gestão emocional precisa ser rastreável", diz Jéssica.
Além de cumprir a lei, o tema tem impacto direto no bolso. Faltas, queda de produtividade, rotatividade de funcionários e processos trabalhistas são consequências comuns da falta de cuidado com a saúde mental. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a depressão e a ansiedade causam uma perda global de US$ 1 trilhão por ano em produtividade.
"Quando a empresa não mede, ela perde a capacidade de prevenir. O problema deixa de ser só humano e afeta a produtividade, a retenção de talentos, a reputação e traz riscos jurídicos. O custo de não fazer nada costuma ser bem maior que o investimento em prevenção", afirma a psicóloga.
Os indicadores emocionais, como nível de estresse, sensação de pertencimento, segurança psicológica, conflitos, engajamento e cansaço emocional, estão se tornando essenciais para a governança das empresas. "A empresa que não mede não consegue identificar tendências nem agir antes que o problema cresça", conclui Jéssica. O que antes era um diferencial, agora está virando obrigação de gestão.

Jéssica Palin Martins




