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Déficit dos Correios: como resolver?

Economia Correios 13/07/2026 12:33 Welington Rocha, presidente da FIPECAFI e professor sênior da FEA-USP

Os Correios enfrentam um déficit de mais de R$3 bilhões em apenas um trimestre. A solução para essa crise financeira envolve cortar gastos enormes e, no longo prazo, talvez privatizar a empresa. Entenda os desafios e as possíveis saídas para essa situação.

BRA 1

Não há como negar que um déficit superior a R$3 bilhões, em um único trimestre, seja assustador. Menos mal que cerca de um terço desse valor se refira a despesas com contingências, e isso significa que elas não necessariamente vão impactar o caixa no curto prazo.

E, segundo os auditores independentes, o valor dessas contingências pode estar calculado para mais ou para menos. É preciso que os administradores dos Correios revisem isso criteriosamente.

  • O déficit dos Correios no último trimestre foi de mais de R$3 bilhões.
  • Cerca de um terço desse valor são despesas com contingências, que podem não afetar o caixa agora.
  • Os auditores independentes dizem que o valor das contingências pode estar errado para mais ou para menos.
  • É muito provável que os empréstimos bilionários dos bancos não sejam pagos e a perda fique com o Tesouro, ou seja, com os contribuintes.
  • A solução para a crise passa por duas coisas: aumentar a receita e reduzir os custos, mas a prioridade é cortar gastos.

Independentemente disso, é improvável que os empréstimos bilionários concedidos por um grupo de bancos sejam pagos, mesmo se considerarmos o longo prazo. O mais provável é que a perda fique com o Tesouro ou seja, em última instância, com os contribuintes.

Solução

Como em qualquer empresa, a solução para a crise financeira dos Correios passa, necessariamente, por dois caminhos: aumento de receita e redução de custos; porém, não nessa ordem de prioridade.

O aumento de receita é necessário, mas é um processo longo e depende de fatores de mercado, como concorrência, serviços de qualidade, preços competitivos, entre outros. A transição para uma plataforma de serviços moderna, ágil e integrada à economia digital, em uma empresa desse porte e dessa complexidade, requer muito tempo e muito investimento em tecnologia e qualificação de pessoas.

Portanto, a Prioridade Zero dos Correios é reduzir custos. Mas não reduções cosméticas, marginais reduções enormes. Não é só uma questão de competência para identificar ociosidade, atividades que não agregam valor, atividades desnecessárias etc. Mais que isso, é preciso coragem e determinação da alta administração para tomar decisões desse porte. O problema maior não é saber o que fazer, mas ter coragem para fazer.

Para reduzir custos dessa monta, algumas perguntas precisam ser respondidas: os custos de administração estão adequados Onde estão as ociosidades de imóveis, máquinas, pessoas e outros Onde estão sendo realizadas atividades em duplicidade Nas agências Nas dependências administrativas Quais fornecedores estão repassando suas ineficiências para os Correios, via preços de bens e serviços

A resolução desses problemas só será possível se for adotado um modelo de gestão norteado pela lógica de empresas privadas, que, ao que parece, não é o caso dos Correios hoje. Daí a conclusão lógica: a menos que a sociedade brasileira aceite, pacificamente, continuar pagando por prejuízos enormes e recorrentes, a única solução é desestatizar ou privatizar de vez. Mas isso é pouco provável de acontecer nas circunstâncias atuais.